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Por que "sucessor de D'Alessandro" recebe poucas chances no Inter

Sarrafiore é um dos preferidos da torcida, mas recebe poucas oportunidades no Inter - Ricardo Duarte/Internacional
Sarrafiore é um dos preferidos da torcida, mas recebe poucas oportunidades no Inter Imagem: Ricardo Duarte/Internacional

Marinho Saldanha

Do UOL, em Porto Alegre

12/11/2019 04h00

Resumo da notícia

  • Sarrafiore tem sido pouco utilizado pelos treinadores que passam pelo Inter.
  • Em julho, o meia foi citado por D'Alessandro como possível sucessor dele no clube.
  • A comissão técnica de Odair Hellmann entendia que o jogador precisava ganhar intensidade e participar do jogo defensivo.
  • O interino Ricardo Colbachini colocou Sarrafiore em duas partidas, numa ele marcou gol.
  • Zé Ricardo alega situações de jogo e falta de tempo para conhecer melhor o atleta e saber como o utilizar.

Martín Sarrafiore foi citado por D'Alessandro como possível sucessor dele no Inter. E mesmo que carregue o apreço do ídolo e a esperança da torcida, o armador não tem muitas oportunidades no time. Autor de seis gols em 33 jogos, o meia de 22 anos segue em busca de espaço para mostrar seu valor.

Foi em julho que D'Ale, durante coletiva, citou Sarrafiore como possível sucessor. Meia, argentino, com qualidades interessantes no campo, o jogador foi ajudado pelo mais experiente desde os primeiros dias em Porto Alegre.

Mas a parceria não tem significado oportunidades. Seja com Odair Hellmann, Ricardo Colbachini ou agora Zé Ricardo, Sarrafiore não está entre as primeiras opções para entrar nos jogos. Começar, menos ainda.

Dos 33 jogos que fez, apenas nove foram como titular. Em outros 24 ele entrou durante a partida. Ao todo são 1.039 minutos em campo. Ou seja, pouco mais de 30 minutos por jogo.

Por que Sarrafiore não joga?

A comissão técnica anterior pretendia que Sarrafiore evoluísse mais para lhe garantir oportunidades. Na avaliação do comando técnico que deixou o time no início de outubro, o argentino precisava ganhar intensidade e participar mais do jogo defensivo para poder contribuir com o coletivo de forma satisfatória. Ele não conseguiu se firmar nas chances que recebeu e cometeu alguns erros, como a bola perdida contra o Flamengo que resultou no gol de empate e sacramentou a eliminação da Libertadores.

Mas não foi apenas isso que atrapalhou o gringo. Sarrafiore também foi testado em várias funções. Originalmente meia, ele atuou aberto dos dois lados e até centralizado no tripé de marcação. Com Odair Hellmann no comando, o Inter não utilizava a figura do meia, por isso ele acabava "sem função" para entrar na equipe e só jogava improvisado.

Ricardo Colbachini conheceu Sarrafiore no ano passado. Logo que chegou do Huracán, o jogador atuou em algumas partidas no time B, então comandado por ele. E nos poucos jogos que teve no comando do principal, o técnico utilizou o jogador duas vezes. Contra o Avaí ele ficou em campo por sete minutos e fez um gol. Diante do Vasco foram 29 minutos de oportunidade.

Já Zé Ricardo alega duas situações para não escalar Sarrafiore. A primeira é a falta de oportunidade. Por situações de jogo, ao menos duas vezes o treinador disse que pretendia utilizar o jogador mas acabou precisando fazer outras trocas e a entrada ficou em segundo plano.

A segunda alegação é a falta de tempo para conhecer melhor o atleta. Contratado em meio a uma sequência dura de partidas, o treinador poderá, ao longo dessa semana, fortalecer conceitos sobre cada um dos atletas e, quem sabe, passar a entender melhor a forma de colocar o gringo no time.

"Realmente é uma questão difícil de responder [a razão para não utilizar Sarrafiore]. O jogo vai se desenrolando e às vezes se tem uma ideia que não acontece. No jogo passado, ele esteve muito próximo de entrar, mas em função de cartão e lesão não utilizamos, precisamos fazer outras trocas. Mas é um jogador que está sempre disposto, tem qualidades, mostra isso nos treinamentos. Hoje o jogo tinha uma característica diferente, e nós tínhamos jogadores desgastados que poderiam precisar sair", disse Zé Ricardo.

Nos bastidores do Inter, Sarrafiore ainda carrega grande expectativa. Apesar de ter 22 anos, ele vive sua primeira temporada em um time principal e a diferença em relação às categorias de base também são argumento para uma entrada aos poucos na equipe. Além disso, ele se transferiu de um clube menor (Huracán, da Argentina) e ficou seis meses afastado por ter assinado pré-contrato com Inter para saída de graça. Todo este contexto é colocado na balança quando se questiona sobre o atleta e seu aproveitamento.

O Internacional encara o Corinthians no próximo domingo, em São Paulo. Guerrero, que serve à seleção peruana, está fora da partida.

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