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Diretoria do Fluminense cobra Fernando Diniz em reunião e incomoda elenco

Fernando Diniz conversa com o elenco do Fluminense - Lucas Merçon/Fluminense FC
Fernando Diniz conversa com o elenco do Fluminense Imagem: Lucas Merçon/Fluminense FC

Caio Blois

Do UOL, no Rio de Janeiro

16/08/2019 04h00

A reunião da cúpula do futebol do Fluminense com comissão técnica e elenco não teve clima agradável. A cobrança da diretoria, em tom pesado, não pegou bem para o técnico Fernando Diniz e o grupo de jogadores.

Liderada por Celso Barros, vice-presidente do clube, que pediu o encontro, a conversa com o elenco teve foco nos resultados ruins e no mau momento vivido pelo time no Campeonato Brasileiro. Incomodado com as poucas vitórias na competição, o dirigente cobrou principalmente o treinador pela má fase.

O tema não surpreendeu os jogadores, que já esperavam pedidos mais enérgicos por resultados. A questão é que a exposição excessiva do treinador foi considerada "fora do tom" pelo grupo, que em sua maioria, não achou as críticas justas. "Fechado" com Fernando Diniz, o elenco, em conversas internas, não escondia o descontentamento com o episódio.

"É um esquema que dá prazer aos jogadores. A gente tenta entrar para ganhar os jogos. Quando a gente ganha, o esquema é maravilhoso e todo mundo elogia. Quando não vem, todo mundo critica. Isso é normal. Não temos que pensar nisso. É normal a torcida ter esse sentimento ruim, porque a campanha não é tão boa. Mas os jogadores estão fechados com ele, gostamos da forma de jogar e do jeito dele de ser. Vamos conseguir mais vitórias, queremos ir bem na Sul-Americana", declarou Daniel, em coletiva na quarta-feira.

Fernando Diniz está pressionado no Fluminense - Lucas Merçon/Fluminense FC
Fernando Diniz está pressionado no Fluminense
Imagem: Lucas Merçon/Fluminense FC

O próprio treinador, conforme Celso afirmou em coletiva na terça-feira, chegou dizer que não ficaria no cargo caso não houvesse confiança no trabalho.

"Nós conversamos. Ele falou algo importante: se não acreditar, cabe encerrar o ciclo. Ele é o nosso técnico. Está aqui conosco, vai continuar o trabalho. Eu fui criticado na eleição, porque fiz uma ponderação, estávamos perto da zona de rebaixamento. É claro que ele tem tempo, está aí desde o começo do ano. Nós só fizemos seis pontos desde que assumimos. Isso tem que mudar. Não acho que a gente tenha elenco para estar nessa situação, não acho que estejamos jogando para estar lá, mas é inevitável, o resultado é importante", disse o vice-presidente.

Logo após vencer as eleições do clube, em junho, Celso Barros causou polêmica por uma ponderação de que o momento vivido pelo time não era bom. À época, a equipe estava na zona de rebaixamento, chegando à 16ª posição no dia seguinte, quando empatou sem gols com o Flamengo em clássico no Maracanã.

Desde então, Diniz é um ponto de discordância entre Celso e Mario Bittencourt. Enquanto o vice geral já se mostrou mais impaciente com o trabalho do treinador, Mario é favorável ao estilo e ao trabalho, ainda que reconheça que os resultados não são ideais.

Com 12 pontos em 14 rodadas, o Fluminense é o 16º colocado do Campeonato Brasileiro. No domingo, às 16h, o Tricolor enfrenta o vice-lanterna CSA, no Maracanã. O favoritismo para a partida aumenta a pressão sobre o técnico Fernando Diniz.