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Marco Aurélio quer definir técnico da seleção com Caboclo até fim da semana

Mesmo após a saída de Vadão, Marco Aurélio Cunha segue como coordenador de futebol feminino da CBF - Rener Pinheiro / MoWA Press
Mesmo após a saída de Vadão, Marco Aurélio Cunha segue como coordenador de futebol feminino da CBF Imagem: Rener Pinheiro / MoWA Press

Ana Carolina Silva e Rodrigo Mattos

Do UOL, em São Paulo e no Rio de Janeiro

23/07/2019 19h23

A "missão" de definir um novo técnico para a seleção brasileira cabe a Marco Aurélio Cunha. O coordenador de futebol feminino da CBF conversou com exclusividade com o UOL Esporte hoje (23), um dia depois de a demissão de Vadão ser anunciada, e disse que tem ouvido as diretrizes de Rogério Caboclo para escolher um nome que agrade ao presidente da entidade. A expectativa do dirigente é de que haja uma definição nos próximos dias.

"Eu acredito que até o fim dessa semana", afirmou Marco Aurélio; no entanto, ele não vê motivo para o que chama de "pressa absoluta" no anúncio de um treinador: "Agora vou ser o advogado do diabo: se o treinador chegar aqui hoje, ele pode convocar alguém? Não pode. Essa pressa absoluta não faz sentido. Ele ou ela pode pensar, mas terá o prazo normal. Nós temos uma data Fifa para jogar no fim de agosto, e teremos o mês de agosto praticamente todo para planejar".

Confirmando o que já havia sido publicado pelo site "GloboEsporte.com", a reportagem apurou que o nome da sueca Pia Sundhage é um dos alvos. A intenção da CBF é de anunciar um pacote completo para a comissão técnica.

Questionado sobre sua permanência no cargo, Marco deu a entender que esta conversa ainda não ocorreu oficialmente e deixou claro que entenderá a decisão de Caboclo, seja qual for. "Eu converso com ele de forma rotineira. O Caboclo me dá missões, e eu as cumpro. No dia em que ele me der a missão de voltar para a minha casa, eu volto. O assunto do dia eu estou cumprindo", avisou.

O nome de Pia Sundhage é um dos alvos da CBF para o comando da seleção feminina - Lucas Figueiredo/CBF
O nome de Pia Sundhage é um dos alvos da CBF para o comando da seleção feminina
Imagem: Lucas Figueiredo/CBF

Os Jogos Olímpicos de 2020 terão início daqui a pouco mais de um ano, com abertura marcada para o dia 24 de julho do ano que vem. A proximidade do torneio - cuja medalha de ouro ainda não foi conquistada pela seleção brasileira feminina - não o preocupa.

"A Olimpíada está aí, mas a seleção acabou de jogar uma Copa do Mundo. Não é porque a Olimpíada está aí que as jogadoras desaprenderam a jogar. Na verdade, a cobrança é crítica, não é de bom senso. As pessoas que cobram não participam do dia a dia, do calendário brasileiro e mundial. Nós temos os nossos objetivos, sim, mas temos de fazer as coisas corretamente", justificou.

Marco Aurélio desconversou sobre o nome de Pia Sundhage. "Não falo sobre nomes. O presidente me deu essa missão. Cabe ao presidente dar uma diretriz, e cabe a mim buscar o nome. Eu realizo as missões que o presidente me passa", respondeu o coordenador.

A saída de Ana Lucia Gonçalves do comando técnico do time feminino do Palmeiras, que acaba de subir para a Série A1 do Brasileiro, é tratada pelo clube alviverde como "uma readequação na filosofia de trabalho". Entretanto, torcedores passaram a especular seu nome na seleção. Marco Aurélio fez questão de dizer que o nome da treinadora não tem sido pauta nas discussões que tem com Caboclo, mas aproveitou a oportunidade para fazer elogios a Vadão.

"Nunca se falou da Ana Lucia aqui. Eu não a deprecio, está aí há muitos anos. Assim como o Vadão. Aliás, o Vadão foi o que mais fez por ela, a Ana Lucia foi muito bem recebida quando foi assistir aos treinos da seleção brasileira", disse o dirigente, que acredita que o clube alviverde pode ter tido suas razões para interromper o vínculo com a profissional.

"Seguramente, algo aconteceu lá dentro. Só quem está lá dentro é que pode saber se é resultado ou comportamental, preparo, enfrentamento de uma marca grande como o Palmeiras... Algo aconteceu lá. É preciso estar preparado para lidar com essas camisas grandes de seleção brasileira, Palmeiras. Não é simples. Não é um clubinho, é uma instituição que está em jogo! As pessoas têm de estar preparadas para encarar a hierarquia e os valores", completou.

Lucas Figueiredo / MoWA Press
Imagem: Lucas Figueiredo / MoWA Press

Ele não descarta a possibilidade de escolher uma mulher para comandar a seleção principal, mas faz ressalvas. "Eu acho que há uma expectativa enorme para que postos no futebol sejam ocupados por mulheres, algo que acho legítimo. Desde que a profissional em questão esteja bem preparada. Eu acho que é um processo de treinamento. Para mim, não há nenhuma diferença entre homens e mulheres no comando de nada, apenas a experiência de cada um no setor", afirmou.

Marco cita a auxiliar Bia Vaz como exemplo de alguém que tem conquistado seu espaço aos poucos na hierarquia da CBF. "Está sendo preparada para ter uma posição de destaque na CBF, seja no comando técnico ou de gestão. As pessoas têm dificuldade de entender que as grandes empresas têm seus ritos. Não é questão de tolher as oportunidades, mas orientá-las. As pessoas acham que é fácil cortar a fila e colocar a pessoa no cargo. Isso vale para homens e mulheres", concluiu.

Enquanto isso, as seleções femininas de base continuam sem comando, e a CBF tem sido cobrada pelos torcedores. O coordenador esclareceu que, idealmente, a direção pretende definir estes nomes depois que tiver oportunidade de discuti-los com o treinador da equipe principal. Neste caso, a palavra final também será de Caboclo.

"Já temos todas as ideias prontas para a seleção de base, que eu já tinha apresentado ao presidente, mas definido não tem nada. O nome será submetido ao novo treinador para que a gente tenha uma lógica em conjunto e possa passar o projeto todo. Não seria justo passar por cima disso", explicou.

O restante da entrevista com Marco Aurélio Cunha será publicado no UOL Esporte amanhã (24).

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