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Jesus faz "intensivão rubro-negro" e cria conexão com torcida do Flamengo

Jorge Jesus durante desembarque do Flamengo: conexão com o torcedor - Alexandre Vidal/Flamengo
Jorge Jesus durante desembarque do Flamengo: conexão com o torcedor Imagem: Alexandre Vidal/Flamengo

Leo Burlá

Do UOL, no Rio de Janeiro

16/07/2019 04h00

A vibração à beira do campo segue igual desde os tempos de Portugal, mas o terno, a gravata e o cachecol deram lugar ao estilo despojado, com agasalho e camisa, visual mais adequado para uma vida à beira-mar no Hemisfério Sul. No Rio de Janeiro desde o início de junho, o técnico Jorge Jesus tratou de arregaçar as mangas no trabalho do dia a dia e também mergulhou em um intensivo diário para se inteirar das coisas que cercam o Flamengo.

Do mantra repetido na chegada ("ganhar, ganhar, ganhar") à declaração dada após a goleada por 6 a 1 contra o Goiás ("Flamengo é uma religião"), o "Mister" vai adoçando a boca da arquibancada com frases de efeito que encontram eco entre a torcida e vão criando uma conexão rápida entre as duas partes.

Se o Fla foi frequentemente criticado por uma certa passividade nos últimos anos, Jesus deixou a sua digital logo em sua estreia no Maracanã: a de um time que não irá aceitar tranquilamente uma derrota, característica historicamente ligada ao DNA do clube.

Depois do jogo de domingo, aumentou ainda mais o clima de euforia ao falar que a vitória poderia ter sido de "sete ou oito". Com o time em cima dos goianos do do início ao fim, estabeleceu-se um ambiente que pode ajudar a decidir jogos para o Rubro-negro no ano.

"Foi meu primeiro jogo no Maracanã, era importante que a equipe jogasse dentro daquilo que estamos trabalhando, das ideias que queremos implantar, com intensidade alta. Conseguimos", disse Jesus, que liderou um movimento para que o grupo saudasse os torcedores depois do triunfo.

A busca para entender o quanto antes o seu novo território tem sido diária e passa por conversas com funcionários do departamento de futebol e integrantes da cúpula rubro-negra. Entre um treino e outro, o português procura se munir de elementos do cotidiano do clube. Questionou, por exemplo, a razão pela qual o ídolo Júnior tem um busto no centro de treinamento. Ao ser respondido que o ex-lateral é o jogador que mais vezes vestiu na camisa do clube, engatou uma conversa sobre o tema e também acerca do comportamento do torcedor. No jogo-treino contra o Madureira, trocou ideias com Júlio César e Juan, ambas crias da Gávea.

Em pouco tempo de casa, o treinador já percebeu que tem um capital alto e pode jogar com isso a seu favor. Internamente, está claro que ele não vai tolerar jogador que não se entregue e cumpra à risca o plano estabelecido. No último domingo, deixou Cuéllar no banco e pouco se importou com uma eventual rejeição da torcida a Willian Arão, jogador que ganhou pontos valiosos neste início de trabalho.

Contra o Athletico, iniciou o duelo em Curitiba com Diego e Everton Ribeiro a seu lado no banco de reservas. Nesta versão mais europeia do Fla, a ordem é que o jogador entregue tudo sempre que acionado.

"Tenho 28 anos no futebol. Esse é o grupo mais profissional com que trabalhei, gosta de aprender, são muito ligados uns aos outros. Na Europa acham que os atletas brasileiros não gostam de trabalhar. Não encontrei isso", elogiou.

O elenco rubro-negro tem um último dia de treinos antes da partida decisiva contra o Athletico, às 21h30, no Maracanã. Com nova promessa de casa cheia, Jesus espera deixar o estádio com a vaga nas semi e o coração rubro-negro conquistados.

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