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Rival do Corinthians atropela planejamento e já pensa até em abrir capital

Estádio Santa Cruz terá hoje a inauguração do espaço Arena Euro Bike - Divulgação
Estádio Santa Cruz terá hoje a inauguração do espaço Arena Euro Bike Imagem: Divulgação

Arthur Sandes e Marcello De Vico

Do UOL, em São Paulo e Santos

29/06/2019 04h00

O Corinthians faz às 20 horas (de Brasília) de hoje, no estádio Santa Cruz, em Ribeirão Preto, o primeiro amistoso de sua intertemporada. O teste será contra o Botafogo-SP, equipe tradicional do interior paulista que desde maio de 2018 vive uma nova realidade. Não só por ter voltado à Série B após 16 anos e hoje ser vice-líder, mas também por ter se tornado um clube-empresa há pouco mais de um ano, após proposta aprovada por unanimidade pelos conselheiros.

Desde então, o futebol botafoguense passou a ser administrado 60% pelo próprio clube e 40% pela Trex Holding, empresa de investimentos comandada pelo ex-diretor do São Paulo, Adalberto Baptista, que adquiriu esta participação na nova empresa por R$ 8 milhões e hoje é o homem-forte da Botafogo S/A. Até aqui, tudo caminha como planejado - ou até melhor.

Passo importante no projeto é a inauguração do novo setor do Estádio Santa Cruz, ocasião que justifica o próprio amistoso com o Corinthians. O espaço tem capacidade para 15 mil pessoas e pretende receber shows e espetáculos, além de ter restaurantes, cafés e camarotes novos na parte interna.

Passadas oito rodadas da Série B, o Botafogo-SP ocupa o segundo lugar da tabela, com 16 pontos - três atrás do líder Bragantino, e à frente de clubes como Sport, Ponte Preta e Coritiba. Se o campeonato acabasse hoje, o time de Ribeirão Preto estaria classificado para a elite, algo que, no planejamento original, estava esperado para acontecer apenas em 2025.

"No projeto inicial eram sete anos, porque achávamos que precisaríamos de três anos para conseguir o acesso da Série C para a Série B, mas aconteceu logo no primeiro ano, então fizemos três anos em um. Na Série B é a mesma coisa: a gente pensa que o prazo de três anos é factível. Claro que seria ótimo conseguir logo no primeiro. Não vejo grande dificuldade em planejar a Série A de um ano para outro, porque são elencos diferentes. Então, qualquer que seja o momento que a gente suba, teremos capacidade para disputar a Série A", analisou Adalberto em entrevista exclusiva ao UOL Esporte.

Adalberto Baptista, presidente do Conselho Administrativo da empresa Botafogo S/A - Divulgação - Divulgação
Imagem: Divulgação
"Eu considero a elite da Série A com 11 ou 12 clubes. Os demais brigam com os dez ou 12 melhores da Série B, subindo um ano, permanecendo, depois caindo... Até que haja um equilíbrio maior nas receitas, principalmente de televisão, que é algo que a gente já passa a ter a partir deste ano. O objetivo é estar entre os 30 principais clubes do Brasil. Este é o primeiro passo", acrescenta o homem-forte da Botafogo S/A.

Caso o Botafogo-SP mantenha o mesmo desempenho do início da Série B até o fim da competição, um eventual acesso, de acordo com Adalberto Baptista, não seria um problema. A seu ver não há grande risco em atropelar o planejamento e chegar na elite com o projeto ainda em desenvolvimento.

"Só pode vir a ser um problema se nós nos iludirmos: acharmos que somos um clube de Série A e gastarmos mais do que devemos. Se mantivermos os pés no chão, investirmos parte das receitas que tivermos em estrutura, dá certo. Um exemplo para nós é o Atlético-GO, que quando subiu não fez loucura de montar time de Série A para disputar. Eles investiram 50 ou 60% no elenco e o restante em estrutura, então hoje é um time super bem estruturado, com categoria de base muito profissional. Há modelos a serem seguidos", acrescentou o empresário, que ainda cita a Chapecoense como outro exemplo a ser seguido dentro do futebol.

"Chapecoense e Atlético-GO são dois exemplos: o primeiro é no objetivo de longo prazo para chegar e se consolidar na Série A; o outro como usou esta estabilidade de estar na Série B, visitando em alguns momentos a Série A e crescendo muito em termos de estrutura", disse.

Botafogo S/A na bolsa de valores?

A ambição da Botafogo S/A não se restringe ao sucesso dentro de campo. Fora dele, a ideia é se preparar para que a empresa abra um capital na bolsa de valores. Um desafio, segundo Adalberto, que pode transformar o clube em um pioneiro no mundo dos negócios.

Gramado do renovado Estádio Santa Cruz, em Ribeirão Preto - Divulgação - Divulgação
Imagem: Divulgação
"Queremos provar que o futebol pode ser autossustentável e rentável, a partir de um modelo de governança bem estruturado e uma gestão profissional. É nosso principal desafio. Um novo passo é permitir a abertura de capital para ser o primeiro clube da América do Sul com capital aberto e ações disponíveis na bolsa de valores", projetou, revelando uma intenção para se desenvolver a longo prazo, cerca de seis anos. "É preciso estar estruturado, ter o nível de receitas condizente com a possibilidade de abrir capital. É um projeto a longo prazo, que com certeza a gente vai buscar", acrescentou.

A aposta no aumento do valor de mercado do clube começou com o acesso da Série C para a Série B. Caso o plano se concretize, a tendência é que os botafoguenses faturem cada vez mais. Para 2019, a expectativa é dobrar o faturamento e repetir isso em 2020.

Parte importante desse faturamento está apostada na inauguração da Arena Eurobike, marcada justamente para hoje. O espaço no estádio Santa Cruz pretende ser a casa de shows e eventos internacionais e contará com restaurantes, como por exemplo o Hard Rock Café.

Sócios e seguidores nas redes sociais só aumentam

Além do bom desempenho dentro de campo, a nova forma de gestão do clube já trouxe resultados em diversos setores do clube do interior de São Paulo. Exemplo disso é o número de sócios-torcedores que quadruplicou em menos de seis meses. O programa, que em dezembro de 2018 tinha dois mil sócios, atualmente já conta com mais de oito mil.

Denominado de "Botafanáticos", o programa dá benefícios a torcedores associados ao clube e até mesmo para empresas parceiras. E tem dado certo. A empolgação da torcida do Pantera pôde ser comprovada no Campeonato Paulista de 2019, em que o time ficou em quinto lugar na média de público, atrás apenas dos grandes Corinthians, Palmeiras, São Paulo e Santos.

Botafogo-SP enfrenta Santos na última rodada da fase de grupos do Campeonato Paulista  - Thiago Calil/AGIF - Thiago Calil/AGIF
Botafogo-SP goleou o Santos por 4 a 0 no Campeonato Paulista
Imagem: Thiago Calil/AGIF

E a presença não se limita apenas ao estádio. Nas redes sociais, o Botafogo-SP já está entre os 45 clubes com o maior número de seguidores do país. Os botafoguenses entraram pela primeira vez no ranking digital dos clubes brasileiros, divulgado pelo IBOPE Repucom, no mês de maio. O time, hoje, tem mais de 200 mil inscritos entre Facebook, Twitter, Instagram e YouTube.

"Temos ainda muitas possibilidades. Hoje nossa torcida representa cerca 20% da torcida de Ribeirão Preto, pessoas que se dizem torcedores-simpatizantes são 60%. Então primeiro temos que transformar este público em público do Botafogo. Depois, estamos numa região que abrange mais de 2 milhões de habitantes em um raio de 100 quilômetros. Além de poder triplicar a torcida dentro de Ribeirão Preto, podemos em seguida triplicar de novo. Nós queremos tornar o Botafogo um clube regional. É um campo muito fértil para trabalharmos neste sentido", explicou.

"Com certeza [com isso] já estaria de igual para igual com clubes de Curitiba, de Goiânia, clubes deste nível. Já nos colocaria em um patamar muito importante de relevância", completou.

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