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Cruzeiro se defende de denúncias e inquérito policial: "É coisa política"

Wagner Pires de Sá (à esq.) e Itair Machado (à dir.) se manifestaram sobre problemas econômicos do Cruzeiro - Alisson Guimarães/Divulgação/Cruzeiro
Wagner Pires de Sá (à esq.) e Itair Machado (à dir.) se manifestaram sobre problemas econômicos do Cruzeiro Imagem: Alisson Guimarães/Divulgação/Cruzeiro

Thiago Fernandes

Do UOL, em Belo Horizonte

27/05/2019 19h12

O Cruzeiro convocou entrevista coletiva na tarde de hoje para explicar as denúncias feitas pelo Fantástico sobre pagamentos elevados a empresas desconhecidas e o percentual de atletas dados como garantia por conta de um empréstimo. A diretoria ainda se manifestou sobre o início da investigação da Polícia Civil por suposta lavagem de dinheiro e falsidade ideológica.

Itair Machado, vice-presidente de futebol do clube, foi quem mais se manifestou durante a entrevista coletiva. Ele se irritou com a abordagem da reportagem divulgada na noite de ontem, alegando que há viés político.

"Não vamos nos adentrar o motivo que levou essa matéria, que todos sabemos que foi política. O que levou foi a política. O Cruzeiro deu motivo para isso? Vocês vão fazer o juízo a partir do momento que a gente explanar com tranquilidade", declarou.

Alguns pontos importantes foram abordados por Itair Machado, vice-presidente de futebol, Wagner Pires de Sá, mandatário do clube, Flávio Pena, diretor financeiro, e Edson Travassos, advogado. O quarteto compareceu à sala de imprensa para informar a situação vivida no clube.

Salário de Itair Machado

Durante a entrevista coletiva, Itair Machado, que faturou R$ 4.060.543,45 em 2018, explicou a razão dos aumentos salariais sequenciais na Toca da Raposa II:

"Primeiro, quero falar sobre o meu salário. Tive o maior orgulho de chegar a esse cargo. O que eu ganho hoje para ser um ótimo salário no Brasil é só se ganhar títulos. Nós ganhamos três de cinco que disputamos. Eu talvez vou entrar em algum tema aqui que talvez nem fosse para falar. Nós ganhamos a eleição de cinco ex-presidentes. Eu me sinto na obrigação de mostrar a verdade", declarou.

"Foi assinado que eu dei aumento para mim, nem quero que retrata. Não tive aumento naquele que foi mostrado. Não tinha sido colocado no meu contrato o prêmio pelo título da Copa do Brasil. Só vou ganhar bem se ganhar títulos. Eu ganho R$ 600 mil por taça, dirigente em outro clube ganha mais de R$ 1 milhão", acrescentou.

Criança apontada como garantia em empréstimo

O Cruzeiro também teve que se explicar sobre a situação envolvendo o jovem Estevão William. O garoto, com 11 anos à época, foi colocado como garantia do empréstimo de R$ 2 milhões contraído com Cristiano Richard dos Santos Machado, empresário que não tem ligação com o futebol. A aparição do jovem e de outros nove atletas do elenco, entre eles Raniel, Murilo e Gabriel Brazão, na lista de garantias ao empréstimo assustou. Itair Machado alega que a aparição dos jogadores não fere a regra da Fifa.

"O Cruzeiro tem aqui em mãos o contrato. O Cruzeiro fez contrato de mútuo, depois fez uma dação. O Cruzeiro pagou ao empresário em 7 de agosto de 2018, de R$ 400 mil. A segunda parcela, em 14 de fevereiro, de R$ 200 mil. Foi pago antes de vender. Não adianta vir com dupla interpretação. Daria um valor muito maior", afirmou Itair.

"O Cruzeiro não deve R$ 2 milhões, o Cruzeiro não vendeu os jogadores. O Cruzeiro deve R$ 1,4 milhão. Devido aos fakes news de internet, que tentam desmoralizar o Cruzeiro, porque não estamos falando de Itair ou Wagner, estamos falando da imagem do Cruzeiro. Os documentos estão aqui, estarão no site do Cruzeiro para você ajudar a nos fazer isso. Nós chamamos o empresário e fizemos uma repactuação. Repactuamos em oito parcelas de R$ 190 e poucos mil. Quem entregou os documentos à reportagem não entregou tudo. A gente não sabe o porquê. No passado, já foi feito pior e nunca foi debatido. Juridicamente, o outro contrato pode ter dado dupla interpretação? Pode. Mas como é direito econômico se o Cruzeiro fez os depósitos? Vocês têm que mostrar a verdade", acrescentou.

"O que importa é a declaração do percentual do patrimônio do Cruzeiro. O patrimônio do Cruzeiro não foi diminuído, está intacto, como sempre foi. Tanto que o Cruzeiro arrecadou R$ 10 milhões no Vitinho e R$ 9 milhões no Brazão. O que quero tranquilizar o torcedor sobre o Estevão, Messinho como foi chamado, o Cruzeiro em momento algum vendeu um menor de idade. Até o Cruzeiro teve um entrave com o América agora, porque a gente entende que o jogador de 14 anos vai para onde quiser. O Cruzeiro jamais venderia um menino de 12 anos. Ele entrou em uma cesta de garantia para o empréstimo. Por que o Cruzeiro fez o empréstimo? Por necessidade. Nós pegamos quase R$ 50 milhões atrasados de imagem e impostos. Está aí onde aumentou a dívida do presidente. O Cruzeiro não diminuiu patrimônio, não deu patrimônio. E muito menos, não houve desonestidade", completou.

Pagamento a organizada

Daniel Gomes Sales, conhecido como Quik, recebeu R$ 88 mil em 2018. Diretor da Máfia Azul, ele é quem comanda a TV da organizada. Em entrevista na tarde de hoje, Itair explica por que pagou o valor ao membro da facção.

"O Cruzeiro, na gestão passada, sempre teve muita briga das torcidas organizadas dentro das próprias organizadas. Quando a Máfia Azul decidiu criar a TV Máfia Azul, ficou decidido que é um bom retorno, porque a TV Máfia Azul é um foco nosso. Ela tem dado ótimo retorno. Sobre a China Azul, tem um trabalho social muito grande onde é a sede dela. A nossa gestão contribui até para acabar com a violência no estádio, sempre houve briga".

"Na nossa gestão, foi muito bom. O investimento não foi em torcida organizada, foi para trazer sociabilidade para o torcedor do Cruzeiro. Não é ilegal, mas o Cruzeiro não dá dinheiro para torcida", acrescentou.

Inquérito da Polícia Civil

A Polícia Civil já conversou com cerca de 15 pessoas, entre funcionários, ex-funcionários, dirigentes e parceiros para entender as contas do Cruzeiro referentes a 2018. O órgão investiga questões polêmicas, como lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e falsificação de documentos. Há a suspeita que tudo tenha ocorrido durante a temporada passada no clube.

"Depois que veio à tona essas matérias, o procedimento foi reaberto. O Cruzeiro confia na Polícia Civil, uma das melhores do Brasil. Tanto que eles fizeram a primeira investigação. Foi solicitada a documentação que saiu na matéria, e o Cruzeiro tem essa tranquilidade. Tem um conselheiro que falou lá que o "Cruzeiro está falido". O Cruzeiro jamais vai falir, porque esta camisa não tem preço", declarou.

"O alvo sempre sou eu, porque eu vim aqui e peitei a mídia nacional. Analise primeiro os documentos antes de me defender e defender a gestão. A principal acusação, que é venda de direitos de atletas, não existe", acrescentou.

Madeireira levou bolada em 2018

A AV&S Consultoria Desportiva LTDA recebeu R$ 369.375,00 do Cruzeiro em 2018. Itair Machado explicou o motivo para o clube desembolsar a quantia a uma empresa que tem como atividades, além do agenciamento de atletas, o comércio varejista de madeira e artefatos e a corretagem na compra e venda e avaliação de imovéis.

A empresa trabalhou na renovação de Vitinho, de acordo com o clube: "Não interessa se ela é uma barraca de côco lá no Espírito do Santo, porque é um pagamento de imagem do atleta. O Cruzeiro tem aqui um documento provando isso. O atleta solicitou que o Cruzeiro pagasse na empresa do procurador. O Cruzeiro está totalmente tranquilo", disse Itair.

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