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Atacante que é aposta de Odair carrega "sonho dos games" para o Inter

Guilherme Parede jogava videogame com o Internacional quando criança - Persio Ciulla | Divulgação TXT Sports
Guilherme Parede jogava videogame com o Internacional quando criança Imagem: Persio Ciulla | Divulgação TXT Sports

Marinho Saldanha

Do UOL, em Porto Alegre

25/05/2019 04h00

Entre 2007 e 2008, o Playstation 1 era companhia de Guilherme. Não o seu, pois a situação financeira da família não autorizava a ter em casa. Mas quando visitava amigos, o menino, então com pouco mais de 10 anos, escolhia o Inter para sonhar alto. Mal sabia ele que alguns anos mais tarde, já conhecido pelo nome e o sobrenome, vestiria o uniforme do Colorado profissionalmente. Guilherme Parede realiza um sonho de infância a cada treino e jogo no Beira-Rio.

Natural de Nova Andradina, no Mato Grosso do Sul, ele conta que a paixão surgiu numa identificação imediata.

"O vermelho chamava muito a atenção, e a região tem muitos gaúchos. Eu tive afinidade logo de cara com o Inter", disse em entrevista exclusiva ao UOL Esporte. "Meu centroavante era o Fernandão, sempre escolhia o Inter no videogame. E hoje eu realizo um sonho vestindo essa camisa", completou.

O futebol surgiu na vida de Parede pouco depois dos games. Por intermédio do pai, passou a treinar no Cene, de Campo Grande. Em seguida veio o Estadual de Juniores, e um preparador físico o convidou a atuar no Operário de Ponta Grossa, no Paraná. Boas atuações o levaram ao Coritiba, de onde saiu para empréstimos ao Ypiranga, de Erechim, no Rio Grande do Sul, o JMalluceli, do Paraná. Em seguida veio uma boa Série B e a contratação pelo Inter.

"Como toda criança sonha em jogar futebol, eu sonhava em jogar no Inter. Hoje realizo isso, e é inexplicável para mim", contou. "Quando surgiu a chance de jogar no Inter, nem pensei duas vezes, era a chance de jogar no time que sempre sonhei. Vim para cá confiante, foi uma realização", completou.

Os games ficaram para trás, mas nem tanto. O irmão, dois anos mais novo, até hoje joga, agora com Parede no time. "Ele fala: estou colocando você aqui. É muito legal ver que a minha história pode se repetir com os outros. Ver isso na minha família. Ele é santista, mas agora joga com o Inter. Fico até arrepiado pensando nisso. Meus amigos daquela época falam até hoje, que eu jogava com o Inter, e hoje estou aqui", disse.

Persio Ciulla | Divulgação TXT Sports
Imagem: Persio Ciulla | Divulgação TXT Sports

Antes do Inter, Parede teve outra passagem pelo Sul. Mas no Ypiranga o rendimento em campo não foi o melhor. Ainda assim, ele considerou a passagem importante. "Foi muito bom para o meu mental. Para eu sair da rotina do Coritiba, que era muito melhor. Dei um passo para trás para reconhecer que poderia chegar aqui um dia. Acabei me destacando na Copa Paulo Santana (do segundo semestre, realizada pela FGF) e voltei ao Coritiba para ser aproveitado", lembrou.

No Inter, Parede chegou pouco conhecido. Aposta do time gaúcho, precisou ganhar espaço a cada treinamento para receber as chances que hoje se multiplicam. Aos poucos, justificou a confiança da comissão técnica e hoje é o primeiro imediato para D'Alessandro ou Nico López. Tem participado de muitos jogos, e soma 20 partidas com dois gols marcados.

"Nunca tive dúvida que seria o melhor vir para cá. Não pensei duas vezes. A concorrência é forte e sadia, sempre soube disso. Mas treino para mim é jogo. Procuro me destacar o máximo possível para ter oportunidade de jogar. E para jogar aqui tem que ralar muito, dar carrinho, ralar a perna no chão, não pode perder a chance. Fui bem em treinos, amistosos, o professor me deu a chace e aproveitei. As coisas estão acontecendo. Entrei ontem (quinta-feira, contra o Paysandu) dei meu melhor. Sempre com humildade e pés no chão, trabalhando no dia a dia para continuar assim", disse.

E no futuro, como nos games acontece tantas vezes, a meta é levantar taças. Como abandonou o joystick hoje em dia, Parede agora quer ser o personagem das conquistas.

"Eu vim para o Inter para conquistar títulos. Temos sempre que chegar e tentar o posto mais alto. Na minha apresentação, falei que vim para fazer história. Cheguei pouco conhecido, mas com humildade e determinação, sei que vou chegar lá. Sempre querendo algo mais, para ajudar o clube a conquistar tudo que disputar", finalizou.

Das 20 partidas que fez, Parede começou sete como titular. Foram 839 minutos, que somados totalizam menos de 10 jogos completos. Nos duelos em que esteve em campo, o Colorado venceu 11, empatou quatro e perdeu cinco.

Parede é o mais cotado para substituir D'Alessandro neste domingo (26) às 16h (de Brasília) contra o Santos na Vila Belmiro pela sexta rodada do Brasileiro.