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Como a Noruega virou exemplo para Fifa na igualdade de gênero

Norueguesas viraram inspiração para outras seleções femininas  - Maja Hitij/Getty Images
Norueguesas viraram inspiração para outras seleções femininas Imagem: Maja Hitij/Getty Images

Do UOL, em São Paulo

23/10/2017 04h00

Foi só um primeiro passo. Elas ainda estão no começo de uma longa batalha, inclusive com a Fifa. Mesmo assim, a vitória das jogadoras da seleção feminina de futebol da Noruega se tornou um marco no mundo esportivo quando o assunto é igualdade de gênero. Com um pagamento fixo idêntico ao do time masculino, elas viraram referência e inspiração ao mesmo tempo.

Até este ano, a federação norueguesa pagava anualmente cerca de US$ 820 mil ao time masculino e menos de US$ 400 mil ao feminino. Então, graças à pressão das jogadoras, um acordo coletivo mediado pela associação de jogadores do país, conseguiu que as duas equipes recebam, a partir de 2018, cerca de US$ 750 mil cada.

A federação precisou reduzir o dinheiro dos homens. Consultados, eles aprovaram a ideia e defenderam a igualdade. No Instagram, uma das jogadoras, Caroline Hansen, agradeceu o gesto dos companheiros.

“Talvez tenha sido algo pequeno que vocês fizeram por nós. Talvez esse valor não faça diferença alguma no seu rendimento mensal. Talvez tenha sido algo óbvio para vocês. Mas isso tudo significa muito para nós! Para nosso time! Para nosso esporte! E para as jogadoras do mundo todo que fazem o mesmo esporte que os homens, mas recebem menos. Vocês dizerem que um pagamento igual é o certo me faz querer chorar e abraçar todos vocês”, agradeceu.

A “pequena diferença” citada por Caroline se explica porque a maioria dos jogadores tem no salário de seus clubes a grande parte de sua remuneração. O dinheiro vindo da federação é mais importante para as mulheres. No entanto, a postura do time masculino fortaleceu a luta feminina, na visão delas.

“Sabemos que o aumento do pagamento fixo vindo da federação fará diferença [para as jogadoras], mas também é muito importante o sentimento de ter seu trabalho realmente reconhecido e respeitado”, disse à Sports Ilustrated Joachim Walltin, presidente da associação de jogadores, que representa as duas seleções.

Vencida essa primeira batalha, as jogadoras de futebol ainda têm uma longa luta pela frente. A federação igualou os pagamentos fixos, mas ainda há diferença no repasse das premiações por participação em grandes competições organizadas por Fifa e Uefa.

A entidade norueguesa irá destinar 25% do que receber para os times masculinos e femininos. A porcentagem é igual, mas, na prática, Fifa e Uefa dão prêmios muitos maiores nos torneios masculinos. A diferença chega a ser de 15 vezes. A Fifa argumenta que os prêmios são proporcionais aos lucros que os torneios geram.

O fato é que a primeira vitória das norueguesas já causa efeitos em outros países. Na Dinamarca, por exemplo, a seleção feminina se recusou a entrar em campo e forçou o cancelamento de jogos contra Holanda e Suécia. Norte-americanas e australianas também já endureceram o discurso. E a luta continua.

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