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Filho de Jardel fecha com time português e se diz melhor que pai com os pés

Mário Jardel Júnior assinou contrato com o Leça e terá a primeira experiência como jogador profissional de futebol - Reprodução / Site oficial
Mário Jardel Júnior assinou contrato com o Leça e terá a primeira experiência como jogador profissional de futebol Imagem: Reprodução / Site oficial

Guilherme Costa

Do UOL, em São Paulo

24/08/2017 04h00

As listras horizontais em verde e branco na camisa remetem ao uniforme do Sporting Lisboa, um dos times mais populares do país. No entanto, o visual está longe de ser o único elemento familiar no novo reforço do Leça, que disputa atualmente uma competição distrital na região do Porto (Portugal). A equipe de Matosinhos, cidade com pouco mais de 130 mil habitantes, será responsável pelo retorno do nome de "Mario Jardel" ao futebol do país lusitano, onde o centroavante brasileiro fez história na década de 1990. O filho dele, Mario Jardel Júnior, 20, deixou uma universidade dos Estados Unidos para ter sua primeira experiência como profissional na modalidade em que o pai fez carreira.

Nascido em Portugal, Mario Jardel Júnior passou por categorias de base do Estoril Praia e do GDS Cascais. Viveu no Brasil por quatro anos e migrou aos Estados Unidos quando recebeu bolsa para estudar gestão esportiva e marketing na Universidade de Ohio. A ideia era conciliar a carreira de discente com jogos da equipe norte-americana, mas a experiência durou apenas uma temporada. “Preferi voltar a Portugal porque o lugar em que eu morava era muito longe de tudo e não tinha muitas coisas para fazer”, relatou o jogador em entrevista ao site “O Gol”.

Dois fatores pesaram para o retorno de Júnior a Portugal: a chance de ser profissional no futebol, algo que era um sonho antigo para ele, e uma frustração com o nível técnico encontrado nos Estados Unidos.

A ideia de Júnior é repetir em Portugal o dueto entre futebol e estudos. O jogador é descrito por profissionais do Leça como um atacante de bom potencial técnico, mas a avaliação inicial sobre ele identificou muitos pontos a evoluir no aspecto físico. Por isso, a despeito de atuar em uma competição regional, o atleta será submetido a um trabalho específico para ganhar explosão muscular.

Segundo dois profissionais que trabalham no futebol português e conversaram com o UOL Esporte, Júnior também se destaca pela visão de jogo. É descrito como um atacante que consegue atuar de costas para os defensores e distribuir bons passes, mas que carece de uma evolução física para ser colocado em enfrentamentos de nível mais alto.

“As pessoas que me conhecem sabem que faço muitos gols. Por vezes até estou um pouco desligado do jogo, mas marco se aparecer a mínima oportunidade”, afirmou Júnior em autoanálise ao site português “Mais Futebol”. “Não tenho a mesma eficiência do meu pai nos cabeceios, mas sou melhor do que ele com os pés. Ele não era tão bom nisso”, completou.

A idolatria pelo pai em Portugal

Revelado pelo Vasco, Jardel pai teve passagens por categorias de base da seleção brasileira e sempre se destacou pelo poder de definição. Deixou o time carioca em 1994, quando se transferiu para o Grêmio e explodiu como centroavante de um dos elencos mais copeiros do país. Foi campeão da Libertadores de 1995 e compôs com Paulo Nunes uma dupla que até hoje está na memória dos tricolores gaúchos.

Do Grêmio, Jardel foi para o Porto, onde viveu um dos períodos mais prolíficos da carreira. Defendeu a equipe portuguesa entre 1996 e 2000, com impressionantes 166 gols em 169 partidas. Ganhou o apelido de “Super Mário” e chegou à seleção brasileira principal. No país lusitano, também defendeu Sporting Lisboa e Beira-Mar.

A trajetória de Jardel, contudo, também foi marcada por problemas extracampo. Em 2014, numa entrevista ao jornal português “Record”, admitiu que começou a usar cocaína em 1998, quando ainda estava no Porto. Limitou o uso inicialmente a férias e folgas – segundo ele, com anuência de médicos e fisioterapeutas da equipe. Depois, esse uso tornou-se mais frequente.

Jardel tentou vida na política após ter deixado os gramados. Chegou a eleger-se deputado estadual pelo PSD no Rio Grande do Sul, mas teve o mandato cassado no ano passado em decorrência de uma operação chamada Gol Contra, deflagrada pela Polícia Federal, que identificou supostos desvios de verba do gabinete dele.

Segundo a acusação, Jardel teria usado funcionários-fantasma, exigido parte dos salários de assessores e desviado verbas da Assembleia Legislativa mediante apresentação de notas fiscais frias. O parlamentar foi denunciado em março e cassado em dezembro do ano passado, em decisão ratificada em maio de 2017 pelo TJ-RS (Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul). Em entrevista a um canal de TV de Portugal, disse apenas que foi “punido por fazer as coisas certas”.

Problemas com drogas influenciaram em casa

O envolvimento com drogas é um capítulo importante na história da família de Jardel. Em 2009, numa conversa com a revista “Isto é”, o atacante falou sobre os problemas do vício em cocaína. Admitiu que deixou de cumprir obrigações de pai por causa do consumo e que isso criou uma rotina de brigas: “A cocaína destruiu meu lar e minha família”.

Na época em que consumia drogas com frequência maior, Jardel chegou a ficar oito meses sem ver os filhos. O relacionamento com Júnior hoje é bem mais presente – o primogênito diz que os dois conversam regularmente e que o progenitor é uma espécie de conselheiro.

Também é por causa do bom relacionamento com o pai que Júnior adotou o Grêmio como time do coração: “Gostaria de jogar um dia no Grêmio, que é meu clube no Brasil. Já fui a muitos jogos com meu pai”.

Em Portugal, Júnior usará no Leça a camisa 16, a mesma que seu pai envergou durante grande parte da carreira. O retorno de um “Mário Jardel” ao futebol nacional, com um uniforme similar ao usado pelo pai e o mesmo número, gerou furor no país lusitano. Se os planos do garoto se concretizarem, em breve a torcida do Grêmio pode ter a mesma sensação de déjà-vu.

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