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Filho de Túlio escolheu ser lateral por se incomodar com comparações ao pai

Vanderlei Lima

Do UOL, em São Paulo

24/02/2017 04h00

O pai foi um dos principais artilheiros do futebol brasileiro. Mas a principal função do filho em campo é exatamente evitar os gols que seu ídolo de infância tanto buscava. A realidade para Tulinho, 18 anos, lateral direito do Taboão da Serra, na Série A3 do Paulistão, é bem diferente daquela que viveu Túlio Maravilha.

Filho do folclórico centroavante de 47 anos – os dois, aliás, por pouco não jogaram juntos no Taboão nesta temporada –, Tulinho até tentou começar a carreira na mesma posição do pai. Mas as constantes comparações não agradaram o garoto, que rapidamente mudou de ideia e de função no gramado.

"Quando eu era mais novo, tinha uma comparação, uma pressão, e como eu era um menino, eu não gostava", contou ele ao UOL Esporte. "Isso me incomodava. Aí eu decidi mudar de posição, fazer minha história por outro motivo".

A lateral direita foi descoberta em uma escolinha de futebol de Goiânia. "O lateral direito faltou no treino, eu quebrei o galho e fui bem. O treinador deu sequência e falou: 'ó, vai de lateral'. Eu fui indo, com meus 14, 15 anos, fui ficando mais velho e oficializando pela lateral direita".

A inspiração também mudou depois que a nova posição foi adotada – Tulinho diz se espelhar no capitão do penta, Cafu. Mas o garoto, apesar de admitir que tem pouco a ver com Túlio dentro de campo, não deixa de aproveitar um pouco toda a vivência que o veterano centroavante teve no futebol.

"Eu gosto de falar muito dentro de campo, dar carrinho, ser jogador de vontade, e meu pai não foi isso. Mas fora de campo, a humildade e a tranquilidade, respeitando todo mundo, acho que nisso eu pareço um pouco com ele", avaliou o jovem lateral, que negou ter a mesma veia "marqueteira" do pai.

"Não, eu sou bem tranquilo em relação a isso. Apesar de eu estar chegando no mundo da bola, tem que chegar com humildade, pés no chão, fazendo a minha. Esse negócio de marketing, deixa com ele, porque somos personalidades completamente diferentes", disse.

E ele fez mil gols mesmo ou é só propaganda? "Não, ele fez os mil gols, sim, tem tudo anotado no caderninho. Ele é bom de matemática, e a assessoria dele ajuda bastante em relação a isso".

Tristeza por não jogar com Túlio

Foi por pouco, mas Tulinho não terá a chance de cruzar para um gol de cabeça do pai no Taboão da Serra. Túlio chegou a anunciar acerto para jogar a Série A3 ao lado de outros veteranos como André Luís, Acosta e Adriano Gabiru (esse também já deixou o clube), mas o negócio melou de última hora.

"Seria a realização de um sonho estar jogando junto com o meu pai, como o Rivaldo teve, o Bebeto jogou um pouco. Ele teve os motivos dele, então eu respeito muito, e respeito o presidente do Taboão também. Foi uma conversa tranquila", disse ele, que não quis deixar o clube mesmo após saber que o pai não viria mais.

"Quando o presidente deu a notícia, eu fiquei cabisbaixo, mas ele me deu todo o auxílio. Depois, falou para eu procurar fazer o meu trabalho, para dar orgulho para o meu pai, que ele ia estar na torcida mesmo de longe. Fiquei porque eu não estava aqui só por conta do meu pai, quero escrever minha história", afirmou.

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