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D. Alves comeu banana, famosos fizeram campanha, mas nada mudou no futebol

Do UOL, em São Paulo

28/04/2015 13h13

Um ano após a campanha “Somos todos macacos” ser iniciada, por causa do ato de racismo contra Daniel Alves, durante uma partida entre Barcelona e Villarreal, o Campeonato Espanhol, mais uma vez, precisou agir diante de uma onda de preconceito para com o lateral brasileiro e o atacante Neymar.

Durante a partida entre o Barcelona e o Espanyol, no último sábado (25), torcedores da segunda equipe emitiram sons racistas para Daniel Alves e Neymar. Na denúncia feita nesta terça-feira, a Liga afirmou que os cânticos foram proferidos “de forma repetida e coordenada por grupos entre 300 e 600 pessoas”, vindos “majoritariamente por membros da Curva RCDE”.

Os atos do último sábado fizeram com que o mundo do futebol se lembrasse do ocorrido em 27 de abril de 2014. Na ocasião, Daniel Alves se preparava para cobrar um escanteio, quando uma banana foi atirada pela torcida do Villarreal. Imediatamente, o lateral pegou a fruta do gramado e a comeu, fazendo com que o caso ganhasse repercussão mundial.

Assim que o fato aconteceu, Neymar, que não estava em campo, postou em suas redes sociais “Deitou, @danid2ois. Toma, bando de racistas. #Somostodosmacacos e daí?”.

A hashtag utilizada por Neymar viralizou e, a partir daí, diversos artistas aderiram à campanha “Somos todos macacos”, que chegou a receber algumas críticas.

Nesta terça-feira, um ano e um dia depois do início da campanha, o Barcelona volta a campo contra o Getafe, dentro de caso. Por coincidência, o árbitro da partida será o mesmo daquele jogo contra o Villarreal: Fernández Borbalán.

PAULO WHITAKER/REUTERS
Imagem: PAULO WHITAKER/REUTERS

Um ano se passou e nada mudou

O novo caso envolvendo Daniel Alves foi apenas um dos diversos casos de racismo que aconteceram de lá para cá. Em apenas um ano, jogadores como Ronaldinho Gaúcho, Aranha (à época no Santos), Elias (Corinthians), entre outros, foram alvos de preconceito.

Duas vezes considerado o melhor jogador do mundo pela Fifa, Ronaldinho Gaúcho conviveu com o racismo antes mesmo de ser apresentado pelo Querétaro, do México. No dia da chegada do craque, um político mexicano postou nas redes sociais. “Realmente, eu tento ser tolerante, mas eu detesto futebol, e o fenômeno de idiotice que produz. Eu detesto ainda mais porque as pessoas inundam as avenidas fazendo-nos chegar duas horas mais tarde em casa. E tudo isso para ver um macaco... Brasileiro, mas ainda assim um macaco. Isso é um circo ridículo”.

No caso do corintiano Elias, o insulto partiu do uruguaio Gonzalez, do Danubio, durante a partida válida pela Libertadores. A ofensa aconteceu ainda no primeiro tempo da partida. O meia do Corinthians optou por não levar o caso adiante e não registrou um Boletim de Ocorrência.

Aranha reclama de ofensas racistas durante a partida entre Santos e Grêmio - Pedro H. Tesch/brazil photo press/estadão conteúdo
Aranha reclama de ofensas racistas durante a partida entre Santos e Grêmio
Imagem: Pedro H. Tesch/brazil photo press/estadão conteúdo

Um dos poucos casos com punição

Durante a partida entre Santos e Grêmio, pela Copa do Brasil, a torcida do Tricolor Gaúcho proferiu insultos racistas em direção ao goleiro Aranha. Câmeras de TV flagraram torcedores entoando gritos de “macaco”.

Torcedora chama Aranha de "macaco" durante partida entre Santos e Grêmio - ESPN
Torcedora chama Aranha de "macaco" durante partida entre Santos e Grêmio
Imagem: ESPN

“A outra vez que viemos aqui jogar a Copa do Brasil tinha campanha contra racismo, não é à toa. Xingar, pegar no pé é normal. Agora me chamaram de 'preto fedido, seu preto, cambada de preto'. Estava me segurando. Quando começou o corinho com sons de macaco eu até pedi para o câmera filmar, eu fiquei p... .Quem joga aqui sabe, sempre tem racista no meio deles. Está dado o recado, agora é ficar esperto para a próxima”, afirmou Aranha, depois da partida.

Por causa do ocorrido, o Grêmio acabou sendo punido com a perda de três pontos e, consequentemente, foi eliminado da Copa do Brasil. Quatro torcedores foram indiciados por injúrias raciais, mas aceitaram um acordo e a ação foi suspensa.

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