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Empresário investe R$ 200 mi e cria Globo FC inspirado em Roberto Marinho

Pedro Ivo Almeida

Do UOL, no Rio de Janeiro

24/11/2014 12h00

Marconi Antônio Praxedes Barreto nunca foi fã de futebol. Durante os 25 anos que morou nos Estados Unidos, o empresário do ramo da construção civil gostava mesmo era de trabalhar com obras de artes, visitar galerias e administrar sua agência de viagens. De volta ao Brasil, no entanto, viu no esporte mais popular de seu país a oportunidade de um novo empreendimento. Nascia, então, em 2012, um time que chamaria a atenção não só pela história, mas também pelo nome já famoso em solo brasileiro: o Globo Futebol Clube.

E a semelhança na denominação do clube recém-criado com a famosa emissora de TV não é pura coincidência. Na hora de batizar sua nova aposta, Marconi Barreto resolveu se inspirar e homenagear Roberto Marinho, criador e eterno símbolo das Organizações Globo.

“Sempre tive uma admiração enorme por tudo que acompanhei da vida dele, a evolução de tudo que fez. Pensei bastante e resolvi chamar de Globo por isso. Foi um cidadão ousado, com uma visão diferente dos negócios. Me inspiro nesse modelo”, disse o presidente e fundador do clube de Ceará-Mirim, cidade a 30 quilômetros de Natal (RN).

“Vimos que não tinha qualquer instituição esportiva com esse nome e registramos tranquilamente. Nunca tivemos qualquer problema jurídico ou de registro de marcas com a TV”, contou.

E Marconi repetiu os globais até mesmo nos altos investimentos. Para executar o plano de criar um time de futebol, o presidente não economizou. Entre estádio para 10 mil pessoas, estrutura e obras no entorno da sede do clube, o fundador do Globo Futebol Clube gastou R$ 200 milhões.

Cerca de R$ 10 milhões foram utilizados para a construção do “Barretão”, apelido dado ao Estádio Manoel Dantas Barreto – pai do presidente. Outros R$ 10 milhões foram investidos na montagem da estrutura do clube, que conta com CT, moderna sala de musculação e um prédio da sede social.

Os outros R$ 180 milhões foram despejados em um projeto de construção de seis mil casas populares nos arredores do novo estádio.

“O projeto é muito maior que a simples criação de um clube. Queremos desenvolver uma cidade. Estou construindo seis mil casas que abrigarão quase 25 mil pessoas. É gente nova, mercado em desenvolvimento, comércio, consumo. Isso sem falar que serão torcedores do nosso Globo”, explicou Marconi, que gasta R$ 30 mil a cada casa construída e revende à população local por R$ 58 mil. “Parte dste dinheiro será investido no clube também”, revelou.

Alemanha como exemplo
A TV Globo, no entanto, não é a única inspiração de Marconi. Na hora de escolher as cores do clube, o empresário resolveu homenagear outra referência em sua vida: a Alemanha. E bem antes do famoso 7 x 1 na Copa do Mundo deste ano.

“Minha formação é americana, meus filhos nasceram nos Estados Unidos, mas sempre tive admiração pela cultura alemã. Gosto da seriedade que eles têm, a forma que levam as coisas. Resolvi colocar o vermelho, o preto e o amarelo na bandeira e na camisa por isso. É mais uma inspiração. Tentamos imprimir a seriedade no trabalho assim como eles”.

E assim com a seleção campeã mundial, o Globo FC já começa a apresentar resultados com sua camisa tricolor. Após conquistar o título do primeiro turno do campeonato potiguar da primeira divisão neste ano, a equipe acabou ficando com o vice na decisão do torneio. Ainda assim, garantiu presença na Copa do Brasil de 2015 e ainda disputará a Copa do Nordeste no próximo ano.

“Estamos evoluindo. O trabalho vem sendo feito e vai dar frutos. Já temos uma base forte, negociamos um jogador por um milhão de dólares com o futebol coreano, outro por 300 mil dólares [mais de um milhão de reais]. A próxima meta é vencer a série D. Ainda não conseguimos neste ano [time caiu nas oitavas], mas estaremos lá [série C] em breve”, garantiu o presidente e entusiasta do time com custos de R$ 200 mil mensais.

Outra meta é despontar no cenário nacional sem ser apenas pelo curioso nome. Marconi Barreto ratifica o discurso de trabalho sério e descarta aparecer apenas pela história que foge do convencional. 

“Não quero favor de ninguém ou empresa alguma por conta do nome. Espero que invistam e patrocinem o Globo Futebol Clube por suas conquistas e méritos em campo. Quero que acreditem neste projeto como eu acreditei. Em breve, estaremos entre os maiores do Nordeste e do Brasil. Aí sim quero todos me procurando para ajudar com receitas”, encerrou o ambicioso empresário, presidente e “pai” do time potiguar.

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