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Entenda por que a invasão ao CT do Corinthians pode dar em nada

Guilherme Costa e Gustavo Franceschini

Do UOL, em São Paulo

21/02/2014 06h00

A invasão ao CT do Corinthians produziu um dia de terror para funcionários, jogadores e dirigentes alvinegros. O clube reagiu, reuniu provas e pediu a prisão dos responsáveis. A Polícia Civil atendeu, mobilizou sua equipe e deteve três pessoas na última quarta. No fim, porém, todo esse esforço pode ter sido em vão.

As autoridades lamentam que as provas produzidas em 20 dias talvez não sejam suficientes para manter os torcedores atrás das grades por muito tempo. Tarcisio Baselli Diniz e Gabriel Monteiro de Campos, presos sob força de mandato por conta da participação na invasão, têm de cumprir cinco dias de prisão. O período pode ser estendido, mas nada indica que o novo prazo possa ser mais extenso.

A Polícia Civil investiga que tenham sido cometidos os crimes de invasão de propriedade, ameaça, roubo e agressão. As provas, porém, só deixam claro que os torcedores invadiram o CT, o que não deve render uma pena tão dura para os infratores. O medo é que, em julgamento, os acusados consigam reduzir as possíveis penas.

“A gente não empenha tudo isso se não esperar rigor de investigação. O que a gente espera é que o Judiciário também olhe com rigor. A gente está empenhado em identificar todas as pessoas envolvidas e que elas respondam criminalmente pelos atos”, disse Margarete Barreto, delegada do DHPP (Departamento Estadual de Homicídios e Proteção à Pessoa), responsável pelo caso.

Só que faltam mais provas à Polícia, e para os oficiais o problema passa pelo Corinthians. Na visão deles, o clube errou em pelo menos dois momentos-chave. No dia da invasão, a segurança alvinegra não informou imediatamente a gravidade do caso à Polícia Militar. Os casos de furto, depredações e ameaças só foram relatados quando a maior parte dos invasores já estava fora do CT.

A agressão a Paolo Guerrero, por exemplo, não foi incluída no BO (Boletim de Ocorrência), mas somente em um segundo relato do ocorrido, encaminhado diretamente ao Ministério Público. O clube alega que no momento da invasão, as suas forças de segurança estavam concentradas em evitar um conflito maior no CT, e que só conseguiram reunir as informações necessárias depois que a invasão estava próxima do fim.

A segurança do Corinthians era de que as câmeras do local ajudariam na investigação, só que apenas dois dos 22 equipamentos disponíveis estavam funcionando na hora da invasão. O material foi encaminhado à perícia e ajudou a colocar o próprio clube como centro de uma linha de investigação que trabalha com a hipótese de que os torcedores tenham entrado livremente no CT sem qualquer resistência do Corinthians. 

Além disso, a Polícia reclama da falta de colaboração de Paolo Guerrero. O atacante foi “esganado” por um grupo de invasores, segundo Mário Gobbi, presidente do clube. Até agora, no entanto, o atacante não apareceu na delegacia para prestar depoimento, embora a direção tenha insistido para que ele faça isso. O Corinthians ressalta, porém, que teve uma postura ativa no processo.

“Tudo que eles conseguiram de provas para indiciar partiu da gente. As câmeras não funcionaram todas, mas serviram para conseguir as imagens usadas para prender as pessoas de hoje [quinta]”, disse Luiz Alberto Bussab, diretor jurídico do Corinthians.

Tanto entre os investigadores quanto no clube, porém, há a impressão de que o problema é maior que isso. No fim, a ação da Polícia Militar e, principalmente, da segurança alvinegra, impediram que a invasão terminasse em um incidente grave. O problema é que invasão, agressão leve, furto e ameaças são considerados crimes de baixo potencial ofensivo, que não vão deixar os infratores muito tempo atrás das grades.

Por isso, a sensação geral é de que, mesmo que tivesse todos os vídeos e um BO mais completo, a Polícia Civil não conseguiria realizar a ação que gostaria. Das três pessoas presas na última quarta, todas têm antecedentes criminais.

Entre os três foragidos está Tiago Ferreira, um dos 12 torcedores que ficaram meses detidos em Oruro, no ano passado. Depois do drama na Bolívia, ele já havia participado da confusão entre vascaínos e corintianos no estádio Mané Garrincha, durante um jogo do Campeonato Brasileiro, e não foi punido por isso. 

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