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Eliminada, Espanha dá mais de mil passes e legado do Barça vira monotonia

Koke lamenta cobrança perdida nos pênaltis contra a Rússia - Javier Etxezarreta/EFE
Koke lamenta cobrança perdida nos pênaltis contra a Rússia Imagem: Javier Etxezarreta/EFE

Rodrigo Mattos

Do UOL, em Moscou (Rússia)

01/07/2018 13h55

Classificação e Jogos

Há uma máxima que diz que você pode deixar o seu bairro de infância, mas este bairro nunca te deixará. Isso se aplica à Espanha e ao legado recebido do Barcelona de Pep Guardiola. O problema para o time espanhol é que a herança dos toques em excesso e a obsessão pelo domínio de posse de bola se transformou em futebol monotonia. Foram mais de mil passes dados, recorde nesta Copa, com apenas 15 finalizações, insuficientes para se classificar neste domingo.

- Veja os gols da partida entre Rússia e Espanha

Assim como ocorre desde o título na Copa-2010, a Espanha foi de novo o time que teve a bola diante da Rússia, o pior time no ranking da Fifa no início do Mundial-2018. Mas em um estádio Luzhniki lotado, girou o "balón" de um lado para o outro atrás das duas linhas de marcação com nove homens, tendo pouquíssima ideia de como fazê-la ir ao gol. O jogo terminou 1 a 1, foi para os pênaltis e a Rússia se classificou, pela primeira vez em sua história independente, para as quartas de final.

O técnico Hierro tentou, sim, ajustes em seu time para torna-lo mais incisivo já na escalação. Na armação inicial, abriu mão de Iniesta e Thiago Ancântra, da escola barcelonista, optando por Koke e Asensio. Dos que entraram, o primeiro é um também um representante do futebol de toques, e domínio, o segundo um atleta mais veloz.

Nesta formação, eram três jogadores do Barcelona, contra sete do time que foi campeão do Mundo na África do Sul em 2010. E houve tentativas de realizar um jogo mais direto em algumas bolas longas de Sergio Ramos e até de De Gea.

Mas o DNA ainda é um muito forte, e a defesa russa bem armada. O excesso de toques improdutivos se acentuou quando, logo no início, a Espanha obteve um gol em cruzamento que Ignashevich jogou contra o próprio gol, em jogada que perdeu a frente para Sergio Ramos.

A partir daí, um time controlava a bola sem se preocupar em atacar, e outro tentar apenas em contra-ataques isolados. Até o pênalti cometido por Piqué, um ícone barcelonista, a Espanha não tinha dado nenhuma conclusão a gol. Isso mesmo: zero chutes, zero cabeçadas em 45min.

Ao precisar atacar de novo, o time tentou jogar pelas laterais, mas a linha de cinco russa na defesa bloqueava. Tentou ligar a bola em Diego Costa, mas os zagueiros russos o anulavam. Tentou arrancadas com Isco, mas este era espremido.

Faltava drible, faltava velocidade, faltava chuta, faltava... inspiração. A Espanha era como um funcionário que não gosta do seu trabalho e fica fazendo hora até esperar a hora de bater o ponto e ir para casa.

Melhorou um pouco com a entrada de Iniesta. Afinal, se o time não conseguia renovar o modelo de jogo, que pelo menos usasse o maior expoente damaisc ideia antiga de jogar. Iniesta deu um chute a gol da entrada da área, talvez na jogada mais perigosa da Espanha no tempo normal. Era pouco para vencer.

Era possível ver jogadores espanhóis com os braços abertos, reclamando uns com outros do que ocorria. Ao final dos 120 minutos, a Espanha somou inacreditáveis 1140 passes em toda a partida.

É verdade que o time ficou um pouco incisivo com a entrada de Rodrigo, que deu dois chutes a gol. Mas, ainda assim, a Espanha terminou o jogo com 15 conclusões de fato a gol (sem contar as bloqueadas). Pouco para quem dominou a partida. Na hora de chutar a bola, nos pênaltis, falharam.

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