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Rodrigo Mattos

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Premier League indica como SAF pode turbinar formação da liga no Brasil

Ronaldo  - Gustavo Aleixo/Cruzeiro
Ronaldo Imagem: Gustavo Aleixo/Cruzeiro
Rodrigo Mattos

Nascido no Rio de Janeiro, em 1977, Rodrigo Mattos estudou jornalismo na UFRJ e Iniciou a carreira na sucursal carioca de ?O Estado de S. Paulo? em 1999, já como repórter de Esporte. De lá, foi em 2001 para o diário Lance!, onde atuou como repórter e editor da coluna De Prima. Mudou-se para São Paulo para trabalhar na Folha de S. Paulo, de 2005 a 2012, ano em que se transferiu para o UOL. Juntamente com equipe da Folha, ganhou o Grande Prêmio Esso de Jornalismo 2012 e o Prêmio Embratel de Reportagem Esportiva 2012. Cobriu quatro Copas do Mundo e duas Olimpíadas.

21/01/2022 04h00

Há dois movimentos paralelos e potencialmente revolucionários no futebol brasileiro: a transformação de grandes clubes em empresas e a formação da liga para o Brasileiro. E há uma ligação relevante entre as duas mudanças em curso que pode passar despercebida ao observador desatento. Essa relação pode ser vista ao se olhar para a origem da Premier League, a mais bem-sucedida do mundo.

No Brasil, dois grandes clubes, Botafogo e Cruzeiro, estão em processo avançado de venda para investidores: o norte-americano John Textor e o ex-jogador Ronaldo, respectivamente. Outros clubes médios já seguiram essa trilha, como o Red Bull Bragantino. E times como Athletico e Vasco também têm planos na mesma direção.

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A liga para organizar o Brasileiro foi criada pelos clubes da Série A e da Série B no meio de 2021. Atualmente, negocia parte de seus direitos para se consolidar e, de fato, assumir o campeonato nacional.

Na Inglaterra, o final da década de 80 e início de 90 foi marcado por trocas nas propriedades de clubes. Ao contrário do Brasil, os times já tinham donos, mas eram empresários locais. Quem chegou ao país foram milionários de outros países, especialmente dos EUA, onde já estava consolidada uma indústria lucrativa de outros esportes.

A formação da Premier League foi impulsionada por um grupo de cinco clubes —Everton, Manchester United, Liverpool, Arsenal e Tottenham. Atraídos por eles, os clubes de primeira divisão romperam com a Football League, que controlava todos os campeonatos, para criar uma liga independente que centralizaria todos os direitos de TV, patrocínio etc.

O fato de empresários que visavam o lucro serem donos nos principais clubes foi essencial na busca por um novo modelo. Seu objetivo, como em qualquer indústria, era maximizar as receitas de sua empresa. Para isso, precisavam reformar como o futebol se organizava e como passaria a ser comercializado. Logo de cara, fizeram uma concorrência que aumentou significativamente as receitas de televisão. Não havia mais espaço para a politicagem.

No Brasil, novos gestores como Textor e Ronaldo já deixaram claro que pretendem adotar a prática de maior eficiência possível na gestão, inclusive na geração de receitas. Ronaldo estava perguntando no mercado sobre a formação da liga do Brasileiro mesmo antes de decidir comprar o Cruzeiro. Textor tem negócios no mundo do entretenimento.

Alguém imagina, por exemplo, que o norte-americano se negaria a alugar o Estádio Nilton Santos a um rival por mera política clubista como já fez a diretoria alvinegra? E esse é só um exemplo que ocorre em todos os clubes: a lógica das decisões não é empresarial, é da conveniência do dirigente de plantão.

E, sob o ponto de vista comercial, a liga é o melhor caminho para todos os clubes. A venda unificada dos direitos tende a alavancar as receitas porque é possível obter maiores recursos, além da possibilidade de alcançar fontes de financiamento antes inacessíveis como fundos internacionais —já existe um com proposta por parte da liga.

Isso não significa, obviamente, que não haverá conflitos entre clubes, CBF etc. Empresas têm constantes disputas por mercado, com interesses conflitantes. Mas, quando fizer sentido, os gestores e donos de clubes tendem a cooperar entre si para o ganho coletivo.

Nem a possibilidade de perdas percentuais de renda de TV por certos clubes, como Flamengo e Corinthians, servirá de justificativa para barrar a liga. A longo prazo, lembremos, o Manchester United ficou ainda mais poderoso financeiramente durante a Premier League. A divisão mais igualitária de recursos de TV foi compensada por ganhos extraordinários em outras áreas como marketing.

Há, portanto, uma forte relação entre a SAF e a liga. Um tende a puxar o outro nos próximos anos de mudança no futebol brasileiro. Será curioso observar como se dará o processo porque cada país tem sua realidade e, portanto, exemplos podem servir como princípios, mas não como uma fórmula completa.