PUBLICIDADE
Topo

Rodrigo Mattos

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Daniel Alves não gerou renda de marketing ao São Paulo, só custo e dívida

Daniel Alves em ação pelo São Paulo: lateral está fora do Tricolor - Vinicius Nunes/Agência F8/Folhapress
Daniel Alves em ação pelo São Paulo: lateral está fora do Tricolor Imagem: Vinicius Nunes/Agência F8/Folhapress
Rodrigo Mattos

Nascido no Rio de Janeiro, em 1977, Rodrigo Mattos estudou jornalismo na UFRJ e Iniciou a carreira na sucursal carioca de ?O Estado de S. Paulo? em 1999, já como repórter de Esporte. De lá, foi em 2001 para o diário Lance!, onde atuou como repórter e editor da coluna De Prima. Mudou-se para São Paulo para trabalhar na Folha de S. Paulo, de 2005 a 2012, ano em que se transferiu para o UOL. Juntamente com equipe da Folha, ganhou o Grande Prêmio Esso de Jornalismo 2012 e o Prêmio Embratel de Reportagem Esportiva 2012. Cobriu quatro Copas do Mundo e duas Olimpíadas.

11/09/2021 04h00

Quando contratou Daniel Alves, em agosto de 2019, o São Paulo planejava pagá-lo com receitas de marketing e obter os títulos iguais aos de sua carreira vitoriosa. Quando anuncia a sua saída, depois de dois anos, o clube não gerou receitas significativas no período com ele, limitou-se a uma taça do Paulista. Sobrou de legado uma dívida.

Primeiro, ressaltemos que a situação de Daniel Alves não está resolvida ainda. O jogador avisou que não jogaria enquanto o débito com ele não fosse pago, mas não pediu a rescisão. O São Paulo informou que ele não jogaria mais, mas ainda terá de negociar o rompimento.

Recordemos então a chegada do lateral da seleção ao time são-paulino. Foi apoteótica com o Morumbi cheio. Nos gabinetes, havia a promessa dos então dirigentes do clube de que o salário de R$ 1,5 milhão seria pago em parte por um plano de marketing.

A situação financeira não era das melhores. O clube tinha pouco espaço para contratar em sua folha salarial e era pressionado por dívidas bancárias. Não dava para encaixar um valor deste tamanho nos custos.

O plano de marketing nunca deu certo. Na realidade, o São Paulo teve uma queda na receita de patrocínio e publicidade. Em 2018, eram R$ 23 milhões. No ano da contratação do lateral, o valor caiu para R$ 21 milhões, e era período anterior à pandemia. Com a crise no futebol, a arrecadação caiu para R$ 14 milhões em 2020. Só agora, em 2021, o clube conseguiu um contrato alto de patrocínio master e que não tem relação com o jogador. Nesta época, aliás, o jogador já sofria rejeição de parte da torcida.

No geral, a receita são-paulina, fortemente ancorada na venda de jogadores, não teve impacto significativo nesses três anos por causa do jogador, só pela pandemia.

Em relação ao custo, o gasto com pessoal era de R$ 101 milhões em 2018. Com a aceleração dos investimentos no futebol, no ano da contratação, saltou para R$ 132 milhões. É o mesmo patamar da última temporada. Os gastos com direitos de imagem —também contratos de jogadores— aumentaram levemente no período.

Como se viu em campo, não houve ganho esportivo significativo. No Brasileiro, o time tinha ficado em 5º no campeonato de 2018. Caiu para 6º no ano seguinte, já com Daniel Alves em metade da campanha. E chegou em 4º na temporada de 2020. Neste ano, o jogador atuou apenas seis vezes no Brasileiro com quase um turno jogado por ter ido para a Olimpíada. O único título de sua passagem é o Paulista.

Sobrou o legado da dívida. O valor é superior a R$ 10 milhões, mas não foi possível precisar o montante. Segundo André Plihal, da ESPN, o total é de R$ 15 milhões. Ainda não há uma solução para a questão.

A decisão de saída do atleta teve relação com não aceitar a proposta de pagamento do São Paulo pelo débito. O clube agora terá de negociar um novo valor para poder fechar uma rescisão. Sem o rompimento de contrato, a dívida aumentará e Daniel Alves não poderá jogar por outro clube. Não será fácil convencer uma agremiação a aceitar as condições que ele acertou no São Paulo pelo custo benefício verificado nestes dois anos.

Rodrigo Mattos