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Bahia eleva receita em R$ 70 mi em dois anos e encosta em times do Sudeste

Rodrigo Mattos

Nascido no Rio de Janeiro, em 1977, Rodrigo Mattos estudou jornalismo na UFRJ e Iniciou a carreira na sucursal carioca de ?O Estado de S. Paulo? em 1999, já como repórter de Esporte. De lá, foi em 2001 para o diário Lance!, onde atuou como repórter e editor da coluna De Prima. Mudou-se para São Paulo para trabalhar na Folha de S. Paulo, de 2005 a 2012, ano em que se transferiu para o UOL. Juntamente com equipe da Folha, ganhou o Grande Prêmio Esso de Jornalismo 2012 e o Prêmio Embratel de Reportagem Esportiva 2012. Cobriu quatro Copas do Mundo e duas Olimpíadas.

16/01/2020 04h00

Com propostas do Fluminense e Vasco, o atacante Rossi preferiu fechar com o Bahia. O movimento é um retrato de como o crescimento financeiro do clube baiano levou o clube a competir e ganhar jogadores de grandes times do Sudeste. Explicação: a agremiação conseguiu dobrar a receita e tem suas dívidas controladas o que lhe permite pagar em dia.

Na análise dos orçamentos do futebol brasileiro, o Bahia ficará provavelmente em 14o em receita com uma projeção de R$ 179 milhões. É pouco superior ao que foi obtido no ano passado. Mas tem um acréscimo de R$ 76 milhões em relação a 2017.

E como que isso aconteceu? O aumento de receita ocorreu principalmente em itens como sócio-torcedor, venda de jogador e televisão - e em menor proporção licenciamento de produtos. A projeção de sócio é de R$ 27 milhões de receita com uma expansão para 50 mil torcedores, quase o triplo de três anos atrás. Ao mesmo tempo, as negociações de atletas que saltaram de R$ 3 milhões em 2017 para R$ 35 milhões no ano passado. A TV responde por um terço da receita total, proporção similar aos europeus menos dependentes de direitos de imagem.

Se comparados com os times do Rio de Janeiro, a receita continua abaixo, embora a diferença tenha reduzido bastante. O Vasco projeta receitas de R$ 300 milhões, o Fluminense sempre arrecada acima de R$ 200 milhões, embora não tenha divulgado orçamento. A questão é que o Bahia tem mais dinheiro livre para investir no futebol.

"Temos nossas dívidas todas parceladas. E, fora do futebol, é todo mundo chão de fábrica com poucos salários acima de R$ 15 mil. Não temos mais clube social", contou o presidente do Bahia, Guilherme Belintani. "No Bahia, a folha é o que podemos pagar. Não contratamos a mais. Se aumentar a receita, aumenta a folha."

A dívida do Bahia tem um custo anual de R$ 25 milhões, e as penhoras são raras porque estão negociadas. Com isso, o clube pode dar a garantia de pagar em dia. Na opinião do presidente do Bahia, esse é o principal fator para atrair jogadores que antes iam para outros grandes times. Para Belintani, o Bahia atualmente não consegue concorrer por jogador com os quatro grandes de São Paulo, os dois de Porto Alegre, o Athletico-PR, o Atlético-MG e o Flamengo.

A folha salarial do Bahia, em valores, tem patamar similar a do Vasco e do Fluminense. Para o próximo ano, o time baiano deve gastar R$ 3,5 milhões por mês na carteira, valores próximos aos dos dois times cariocas. Ao se despedir do Vasco, no entanto, Rossi mencionou "promessas não cumpridas" logo depois de a diretoria cruzmaltina deixar de cumprir um prazo de pagamento de salários atrasados.

Blog do Rodrigo Mattos