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Renato Maurício Prado

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Discutir volta da torcida no pior momento da pandemia é coisa de energúmeno

O Brasil vive o pior momento da pandemia e o futebol ainda não parou - Visionhaus/Getty Images
O Brasil vive o pior momento da pandemia e o futebol ainda não parou Imagem: Visionhaus/Getty Images
Renato Mauricio Prado

Renato Mauricio Prado é jornalista e trabalhou no Globo, Placar, Extra, Rádio Globo, CBN, Rede Globo, SporTV e Fox Sports. Assina atualmente uma coluna diária no Jornal do Brasil. A primeira Copa que cobriu in loco foi a da Argentina, em 1978.

06/03/2021 11h04

Quando a CBF determinou, em março do ano passado, a paralisação do futebol no Brasil, por causa da pandemia de coronavírus, o país tinha menos de cinco mil infectados e 165 mortes. Vivendo, atualmente, o pior momento da doença (já são mais de 262 mil vidas perdidas e médias diárias próximas a 2 mil cadáveres a cada 24 horas), o velho e violento esporte bretão segue sendo praticado nos gramados tupiniquins como se não houvesse o amanhã e, acredite se quiser, há dirigentes discutindo a volta dos torcedores aos estádios.

A macabra iniciativa, como não podia deixar de ser, parte de uma das mais nefastas Federações do Brasil: a do Rio de Janeiro, que acaba de ver rebaixados para a segunda divisão dois de seus quatro grandes clubes. O movimento, iniciado com uma reunião virtual com médicos dos clubes do estado, tem como artífices o presidente da Ferj, Rubens Lopes (aquele que consegue o prodígio de fazer o carioca ter saudades de seu antecessor, Eduardo Viana, o Caixa D'Água) e o presidente do Flamengo, Rodolfo Landim, maior incentivador da volta do futebol, em agosto de 2020, pouco mais de 90 dias após a paralisação. Todos os clubes do Rio já aprovaram a decisão. E planejam colocá-la em prática já no Fla-Flu do próximo dia 14.

Na reportagem de Diogo Dantas, no Globo, os defensores da sinistra ideia falam em liberar a entrada de pequenos grupos de torcedores, selecionados pelos clubes e que tenham IgG positivo para o coronavírus (teoricamente, portanto, já imunizados). Tudo, segundo eles, para que os protocolos do "Jogo Seguro" já estejam ajustados para quando o público for liberado pelas autoridades.

Não é à toa que o Carioquinha é apelidado de "Me Engana Que Eu Gosto". Sem teste de IgG algum, a Federação já permite que grupos enormes de dirigentes e torcedores (apaniguados e aliados) acompanhem os jogos nos estádios, nos brindando com toda a sorte de exemplos de má educação e falta de fair play esportivo. O que se quer agora é ampliar o leque.

E se alguém se contaminar (e vai se contaminar), se contaminou. Seguindo à risca a cartilha do "deixemos de frescura e de mimimi". Pobre Brasil.

Cancelem a Copa América

Manchester City e Liverpool não querem liberar seus jogadores para as seleções, caso eles tenham que cumprir a quarentena obrigatória de 10 dias, ao retornar dos países que estão na lista vermelha do Reino Unido (o Brasil está). Outros devem segui-los e por causa disso e do agravamento da pandemia em todo o continente as eliminatórias sul-americanas não deverão ser retomadas no final deste mês e início de abril, como programado.

Artigo de Danilo Lavieri, aqui no UOL, sugere usar datas da Copa América para realocar os jogos das eliminatórias sul-americanas. Faz todo o sentido. Em meio à pandemia e a um calendário insano é um absurdo, um despautério realizar esse caça-níquel de qualidade pra lá de discutível. É hora de lançar o #cancelemcopaamerica.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Renato Maurício Prado