PUBLICIDADE
Topo

Blog do Perrone

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Daniel Alves deixa SPFC com rótulo de 'dinizista' em vez de virar ídolo

Daniel Alves durante treinamento da seleção brasileira no CT Joaquim Grava - Lucas Figueiredo/CBF
Daniel Alves durante treinamento da seleção brasileira no CT Joaquim Grava Imagem: Lucas Figueiredo/CBF
Conteúdo exclusivo para assinantes
Perrone

Ricardo Perrone é formado em jornalismo pela PUC-SP, em 1991, cobriu como enviado quatro Copas do Mundo, entre 2006 e 2018. Iniciou a carreira nas redações dos jornais Gazeta de Pinheiros e A Gazeta Esportiva, além de atuar como repórter esportivo da Rádio ABC, de Santo André. De 1993 a 1997, foi repórter da Folha Ribeirão, de onde saiu para trabalhar na editoria de esporte do jornal Notícias Populares. Em 2000, transferiu-se para a Folha de S.Paulo. Foi repórter da editoria de esporte e editor da coluna Painel FC. Entre maio de 2009 e agosto de 2010 foi um dos editores da Revista Placar.

19/09/2021 04h00

Em 2019, o São Paulo trouxe Daniel Alves para que ele ajudasse a reconduzir o clube ao caminho dos títulos e se transformasse em ídolo no seu time de coração. Um audacioso projeto de marketing viabilizaria a permanência do astro no Tricolor. Na última quinta (16), um acordo para a rescisão contratual encerrou a trajetória do meia e lateral pelo Morumbi.

Entre as marcas da passagem de Dani estão a histórica conquista do Paulista de 2021 e fracassos nos projetos de marketing e de transformação do jogador em ídolo tricolor. Daniel ainda deixa o clube com o rótulo de "dinizista" colado por torcedores e até por gente do clube para lembrar de forma crítica a importância do atleta na contratação do ex-treinador e sua relação com ele.
Em consulta feita pela diretoria a atletas, Dani opinou favoravelmente à contratação de Diniz, hoje rejeitado por grande parte da torcida. No entanto, o jogador nega que tenha sido mentor da contratação. Numa demonstração de como o episódio é lembrado, cartola tricolor disse ao blog, ironicamente, que a contratação de Diniz é o legado deixado por Daniel Alves ao São Paulo.
Este blogueiro também ouviu de interlocutor do jogador que ser taxado pejorativamente de "dinizista" por torcedores ajudou a aborrecer o atleta. Dani não esconde admirar e ter amizade com o ex-treinador são-paulino. Pelo contrário. Costuma defender o trabalho do técnico e falar da amizade entre ambos. Ele já chegou a dizer "quem dera se todo ser humano tivesse um Diniz na sua vida".
Depois da conquista do título paulista, ele deu entrevista lembrando a importância de Diniz, que já tinha deixado o clube.
"Eu sou suspeito para falar porque o cara virou um irmão meu, mas metade disso aqui o Diniz tem muito, porque o trabalho que ele fez e a potencialização que ele gerou nos jogadores aqui dentro é muito grande. Eu costumo dizer que a vitória às vezes não é um título, é você pegar as pessoas embaixo e colocar elas em cima. Esse é o grande mérito dele e desde aqui eu agradeço: te amo pra c... Você é f...", declarou.
O último título estadual do São Paulo tinha sido em 2005 e a última conquista importante do clube havia sido em 2012 com o triunfo na Sul-Americana.
O sucesso na empreitada no Paulista não ajudou Dani na concretização do projeto montado pela diretoria anterior para que ele se transformasse no grande novo ídolo do clube. Um combo formado por derrocada da equipe no Brasileirão de 2020, exaltação a Diniz, culpado por grande parte da torcida pela perda do título nacional, cobranças de torcedores nas redes sociais e, mais recentemente, a decisão de ir para os Jogos Olímpicos de Tóquio e críticas públicas ao clube ajudaram a impedir que ele alcançasse o status pretendido pelo Tricolor.
Em campo, segundo dados publicados pela assessoria de imprensa de Daniel Alves no Twitter, o jogador fez 15 assistências e 10 gols em 95 jogos oficiais pelo São Paulo.
O fato de o clube não ter conseguido honrar seus compromissos financeiros com o jogador também não ajudou, no mínimo.
Nesse ponto entra o fracasso do projeto de marketing. Quando acertaram a contratação, Raí e Alexandre Pássaro davam como certo que os custos seriam pagos por patrocinadores atraídos pela presença da nova estrela. A ajuda de um grupo de publicitários, uma espécie de comitê paralelo de marketing, dava confiança aos cartolas de que o projeto decolaria.
Na ocasião a direção chegou a dar como certa a chegada de um patrocinador que apoiaria a operação. Era dito pelos cartolas que, financeiramente, a operação era segura para os cofres são-paulinos. O tempo passou, e as projeções otimistas não se confirmaram. A bolha estourou, e as remunerações do jogador começaram a atrasar.
A atual diretoria aponta o fracasso do projeto de marketing, a queda de receitas por conta da pandemia de covid-19 e, na opinião dela, um contrato desfavorável para o clube, com valores considerados "impagáveis" como motivos para a dívida, que chegou a aproximadamente R$ 18 milhões.
Depois de muita tensão e mágoas acumuladas entre as partes, o martelo foi batido. O São Paulo topou pagar cerca de R$ 25 milhões para rescindir o contrato amigavelmente. O saldo que sobrar do pagamento de verbas rescisórias será parcelado em 60 meses, a partir de 2022.

Blog do Perrone