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Oscar Roberto Godói


Vamos torcer para que os árbitros competentes assumam a responsabilidade

D"Alessandro, do Internacional, recebe cartão vermelho durante partida contra o Palmeiras pela Copa do Brasil  - Jeferson Guareze/AGIF
D'Alessandro, do Internacional, recebe cartão vermelho durante partida contra o Palmeiras pela Copa do Brasil Imagem: Jeferson Guareze/AGIF
Oscar Roberto Godói

Jornalista e ex-árbitro, esteve sob a chancela da Fifa de 1993 a 2000.

19/07/2019 13h56

Passados quase dois anos da utilização oficial do VAR no futebol mundial, não dá para aceitar tantos erros graves de interpretação das imagens como estamos vendo no Brasil. Rodada por rodada, jogo por jogo, temos decisões absurdas e muito divergentes em lances semelhantes. Nossos árbitros e assistentes estão deixando de marcar faltas e impedimentos visíveis em campo e transferindo a responsabilidade para quem está operando os equipamentos.

Quem já viu ou ouviu um árbitro, e não faz muito tempo, justificar seu erro dizendo que "era humano e não tinha a televisão para lhe ajudar"? Hoje, erram grosseiramente olhando o monitor. Temos uma conferência de árbitros para decisões que estão em desacordo com as regras. É incompetência ou obediência? A Fifa complicou ou a CBF não mudou de comportamento mesmo trocando o comandante da arbitragem?

Nos jogos que definiram os semifinalistas da Copa do Brasil, tivemos um show de incompetência e omissão dos árbitros que, covardemente, não tomaram decisões no tempo real. Como o árbitro Flávio Rodrigues de Souza-SP não viu a falta que Lucas Romero fez no atleticano Fábio Santos antes do contra-ataque que terminou no gol de empate do Cruzeiro, 1 a 1.

Enquanto o árbitro olhava o monitor, os jogadores se desentenderam por causa de um copo arremessado para o campo por um torcedor. O gol foi cancelado, David do Cruzeiro e Alerrandro do Atlético foram expulsos e o jogo reiniciado com falta para o Atlético. Tudo isso por causa da "cegueira" do árbitro.

Assistindo a Internacional x Palmeiras, fiquei imaginando como o árbitro Rafael Traci-SC deixaria o Beira Rio se o Inter fosse eliminado? O árbitro não viu irregularidade no gol marcado por Cuesta, 2 a 0, classificando o Inter.

Como o árbitro não viu nada na cobrança do escanteio? E como, ao olhar o monitor, cancelou o gol marcando falta para o Palmeiras de Moledo em Felipe Melo? Tivemos três irregularidades enquanto a bola viajava para a área: empurrão do Moledo em Felipe, Moledo agarrado por Gomez e apoio do braço de Cuesta em Felipe. Era só escolher o que marcar, a favor do Palmeiras ou do Inter.

A "cegueira" do árbitro provocou revolta nos palmeirenses querendo falta e pressão dos colorados exigindo a validade do gol. D'Alessandro foi expulso, o gol, anulado e o árbitro, ameaçado e pressionado por tudo e por todos. Traci se fez de surdo. Ele já havia cancelado, apoiado no VAR, um pênalti a favor do Palmeiras em Felipe Melo. Talvez, por isso, tenha tido o mesmo comportamento. Será?

O VAR foi a muleta utilizada pelo árbitro Bráulio Machado-SC para cancelar o pênalti que marcou a favor do Grêmio no jogo contra o Bahia. A falta cometida pelo lateral Moisés foi fora da área. O assistente poderia ter ajudado e o VAR não seria utilizado.

A bola que tocou no antebraço de Nino Paraíba, dentro da área, foi corretamente interpretada como lance normal. Fico imaginando a revolta do pessoal da Chapecoense. No jogo contra o Atlético-MG, a bola bateu no cotovelo do zagueiro Douglas e o árbitro marcou pênalti.

Chega! Vamos torcer para que os incompetentes tenham aprendido e que os árbitros competentes tenham coragem e assumam a responsabilidade sem medo do VAR.

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