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Oscar Roberto Godói


Nenhum jogo é mais difícil para o árbitro que um amistoso

Gabriel Jesus bate para o gol no amistoso Brasil x Honduras no Beira-Rio - Pedro H. Tesch/AGIF
Gabriel Jesus bate para o gol no amistoso Brasil x Honduras no Beira-Rio Imagem: Pedro H. Tesch/AGIF
Oscar Roberto Godói

Jornalista e ex-árbitro, esteve sob a chancela da Fifa de 1993 a 2000.

10/06/2019 13h34

Disciplinarmente escrevendo, jogo de futebol amistoso é uma das piores situações que o árbitro enfrenta. Costumo brincar, quando sou convidado para algum evento, dizendo que: se é festa ou amistoso entre amigos, não precisa de árbitro. É ou não é?

Certa vez, em Maringá-PR, fui escalado para apitar jogo da seleção brasileira olímpica contra o Chile, preparativo para a Olimpíada. Antes do jogo recebi a visita do Candinho, auxiliar do Luxemburgo, pedindo para que não expulsasse e sim, pedisse a substituição de quem merecesse o cartão vermelho. Felizmente, não precisei intervir.

O árbitro do jogo Brasil x Honduras poderia ter evitado o cartão vermelho mostrado para Quito. Não houve maldade, violência e, melhor, o hondurenho fez de tudo para não atingir com gravidade o adversário. O Brasil também não precisava daquele pênalti em Richarlison. A não ser que, tivesse recebido recomendação para olhar a nossa seleção com carinho. Lamentável!

Parece que estamos encontrando a maneira correta de como o VAR deve ser utilizado no futebol brasileiro. Precisa, ainda, que em determinadas situações a irregularidade seja observada com rapidez para que um gol não seja marcado a favor da equipe que será punida.

No jogo Santos x Atlético Mineiro, os operadores do VAR demoraram para informar o árbitro Dewson Freitas que o Santos tinha um possível pênalti a seu favor. O jogo foi paralisado com escanteio a favor dos mineiros. Penalti de Fábio Santos corretamente marcado.

Acertada a decisão da arbitragem em expulsar o jogador Osvaldo, do Fortaleza, pela entrada violenta no tornozelo do gremista Léo Moura. Jogadores e técnicos não entenderam, ainda, que o VAR pode e está sendo utilizado para expulsões em bolas divididas.

No jogo do Palmeiras contra o Athletico-PR a arbitragem eletrônica corrigiu a interpretação inicial. O árbitro expulsou Nikão por ter atingido com o pé o rosto do goleiro Weverton. Foi acidental, sem intenção ou violência. Nem o cartão amarelo deveria ter sido mostrado.

Corretas as decisões da arbitragem em marcar o pênalti de Márcio Azevedo em Dudu e de considerar lance legal a bola que tocou no braço de Paulo André, mesmo com o zagueiro se beneficiando do toque.

O que os árbitros precisam punir com rigor é o comportamento dos jogadores quando solicitam, com gestos, a utilização do VAR. Ninguém pode mandar o árbitro recorrer ao VAR. Jogadores e técnicos sabem que todo lance de expulsão ou possível pênalti o árbitro recebe informação dos árbitros encarregados do VAR.

Então, cartão nos jogadores e, principalmente, nos técnicos que não conseguem orientar suas equipes só de dentro da área técnica. Time bem treinado não precisa de técnico entrando em campo para ser ouvido ou entendido.

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