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Mauro Cezar Pereira

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Tite aceitou beijo de Del Nero seis meses depois de apoiar sua saída da CBF

Apresentado como técnico da seleção em 2016, Tite ganhou um beijo de Del Nero  - Reprodução CBF TV
Apresentado como técnico da seleção em 2016, Tite ganhou um beijo de Del Nero Imagem: Reprodução CBF TV
Mauro Cezar Pereira

Mauro Cezar Pereira nasceu em Niterói (RJ) e é jornalista desde 1983, com passagens por vários veículos, como as Rádios Tupi e Sistema Globo. Escreveu em diários como O Globo, O Dia, Jornal dos Sports, Jornal do Brasil e Valor Econômico; além de Placar e Forbes, entre outras revistas. Na internet, foi editor da TV Terra (portal Terra), Portal AJato e do site do programa Auto Esporte, da TV Globo. Trabalhou nas áreas de economia e automóveis, entre outras, mas foi ao segmento de esportes que dedicou a maior parte da carreira. Lecionou em faculdades de Jornalismo e Rádio e TV. Colunista de O Estado de S. Paulo e da Gazeta do Povo, desde 2004 é comentarista dos canais ESPN.

04/06/2021 18h38

A folha corrida da CBF, ou melhor, de quem por ela passa na função de comando, segue crescendo. Entre os escândalos envolvendo a cartolagem cebeefiana há ex-presidente preso em Nova York e os que fincaram pés no Brasil para não ter que lhes fazer companhia.

Agora uma funcionária acusa o atual mandatário, Rogério Caboclo, de "assédio sexual e moral por atos cometidos desde abril de 2020", como o UOL publicou nesta sexta-feira. Era só o que faltava. E é sob essa comando que são definidos os rumos do futebol brasileiro, e o seu bizarro calendário.

Quando algo de negativo ocorre na entidade já não nos surpreendemos. Mas quem se conecta à CBF corre o risco de se ver, mesmo que indiretamente, envolvido em situações no mínimo constrangedoras. Seria por isso o crescimento dos rumores sobre um possível pedido de demissão de Tite?

Mas vale lembrar que o técnico, quando contratado e apresentado na função, aceitou o beijo do então presidente, Marco Polo Del Nero (veja no vídeo abaixo a 1 minuto e 45). Isso seis meses depois de assinar um manifesto, em dezembro de 2015, que pedia a saída do cartola, liderado pela ONG Atletas pelo Brasil e pelo Bom Senso Futebol Clube. Era o movimento "Ocupa CBF".

Camaleônico, o técnico deixou para trás os motivos que o levaram a assinar pela saída de Del Nero e a ele se submeteu como funcionário cebeefiano. Direito dele, claro. Mesmo sendo, naquele momento, visto como o melhor treinador brasileiro, empregado no Corinthians e com o mercado ao seu dispor. O sonho da seleção falou mais alto.

Não há nada contra Tite, e podemos gostar, ou não, dele como treinador (acho muito bom), ou de seu dialeto característico (chatíssimo). Mas o beijo de Del Nero poderia ser evitado em 2016. Ele não o fez. Pelo contrário, emprestou seu enorme prestígio de então a um dirigente que enfrentava uma crise, com a seleção mal nas eliminatórias, via seu nome ligado às investigações do FBI e posteriormente seria banido do futebol por decisão da Fifa, em 2018.

Veja o beijo de Del Nero em Tite na apresentação, a 1 minuto e 45 do vídeo

Talvez, agora, prefira desapegar do cargo por não querer, mesmo que indiretamente, ver-se conectado à CBF e seus podres. Por que é impossível ser "isentão" associando-se a ela. Vale para quem ocupa cargos de mínima relevância em meio a escândalos como o que se apresenta.

E também para jornalistas, quando compõem, fecham os olhos e/ou a boca diante do que se passa de ruim, mas discursam de forma que eloquente quando o Brasil cai na Copa do Mundo. Ou mais uma bomba que cheira mal explode no universo da entidade.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL