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Retirada da Globo do Carioca poderá significar um golpe fatal nos Estaduais

São Januário antes de Vasco x Madureira: Globo desistiu de transmitir no dia do jogo - Reprodução/YouTube
São Januário antes de Vasco x Madureira: Globo desistiu de transmitir no dia do jogo Imagem: Reprodução/YouTube
Mauro Cezar Pereira

Mauro Cezar Pereira nasceu em Niterói (RJ) e é jornalista desde 1983, com passagens por vários veículos, como as Rádios Tupi e Sistema Globo. Escreveu em diários como O Globo, O Dia, Jornal dos Sports, Jornal do Brasil e Valor Econômico; além de Placar e Forbes, entre outras revistas. Na internet, foi editor da TV Terra (portal Terra), Portal AJato e do site do programa Auto Esporte, da TV Globo. Trabalhou nas áreas de economia e automóveis, entre outras, mas foi ao segmento de esportes que dedicou a maior parte da carreira. Lecionou em faculdades de Jornalismo e Rádio e TV. Colunista de O Estado de S. Paulo e da Gazeta do Povo, desde 2004 é comentarista dos canais ESPN.

03/07/2020 04h00

A Rede Globo de Televisão, hoje Grupo Globo, com o conglomerado que reúne outras mídias e canais fechados, passou décadas ao lado do poder instituído no futebol brasileiro. São temporadas e mais temporadas exibindo dos jogos de mata-mata às 38 rodadas do Campeonato Brasileiro. Em geral com exclusividade, mas a parceria com os dirigentes que comandam o esporte sempre foi além, a ponto de comprar, regularmente, direitos de transmissão de enfadonhos Estaduais.

Alguém acha que os executivos da companhia ficam excitados com pelejas do naipe de Votuporanguense x Santos ou Entrerriense x Botafogo, Lajeadense x Internacional ou Tupynambás x América? Imaginam que vão romper recordes de audiência com esses confrontos? Fossem jogos definidos pelos duelos eliminatórios de uma Copa do Brasil, que obriga o time pequeno a subir degrau por degrau até encarar os grandes, perfeito. Foi assim que o Santo André ganhou o torneio e o XV de Campo Bom foi à semifinal.

Mas não. Os duelos desiguais dos Estaduais são agendados pela política que dá poder às Federações Estaduais, interessadas na continuação desse calendário que a elas concede muito mais datas do que seus campeonatos merecem. E, claro, com tantos jogos deficitários, incapazes de atrair o público, apenas as quotas pela transmissão fazem com que tais certames sejam minimamente viáveis sob o ponto de vista econômico. Se a televisão sai de cena, o que será desses outrora importantes e hoje desinteressantes torneios?

Quando a Globo avisa que vai pagar o que resta aos clubes do campeonato carioca que a ela venderam direitos, mas ainda assim não exibirá mais as partidas, podemos estar diante do começo do fim. Sem ela, caso não apareça uma concorrente interessada em desembolsar cifras parecidas como as da atual temporada, por que disputar o Estadual do Rio de Janeiro? Ainda mais por tanto tempo, mais de três meses! O rompimento, se definitivo for, poderá decretar um novo encaminhamento para o futebol no país.

Sim, porque se a Globo desgarrar-se de um campeonato local, depois outro, outro e mais outro, o que farão as Federações? Desafiado por um clube sem que a entidade futebolística do Estado nada tenha conseguido fazer, será que o grupo de comunicação continuará pagando pelo pacote que embute tantos jogos irrelevantes dessas competições? Ou fará a opção de adquirir apenas os direitos dos produtos mais atraentes, como a Copa do Brasil e a Série A? A maré provocada pela briga com o Flamengo pode levar a novos caminhos.

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Mauro Cezar Pereira