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Mauro Cezar Pereira


Mata-mata no Brasileirão permitiria à Globo pagar menos aos clubes

Mauro Cezar Pereira

Mauro Cezar Pereira nasceu em Niterói (RJ) e é jornalista desde 1983, com passagens por vários veículos, como as Rádios Tupi e Sistema Globo. Escreveu em diários como O Globo, O Dia, Jornal dos Sports, Jornal do Brasil e Valor Econômico; além de Placar e Forbes, entre outras revistas. Na internet, foi editor da TV Terra (portal Terra), Portal AJato e do site do programa Auto Esporte, da TV Globo. Trabalhou nas áreas de economia e automóveis, entre outras, mas foi ao segmento de esportes que dedicou a maior parte da carreira. Lecionou em faculdades de Jornalismo e Rádio e TV. Colunista de O Estado de S. Paulo e da Gazeta do Povo, desde 2004 é comentarista dos canais ESPN.

23/03/2020 16h30

Nos bastidores do futebol há quem se movimente pela troca do sistema de disputa do Campeonato Brasileiro da primeira divisão. A ideia seria encaixar os jogos da Série A no menor número de datas disponíveis após a quarentena imposta à população devido à pandemia de coronavírus. Mas essa possibilidade custaria caro aos clubes, pois a TV Globo teria o direito de pagar menos pelos direitos de transmissão.

O blog apurou, e confirmou com times da Série A, que a rede de televisão é protegida nos contratos em vigor por cláusulas que reduziriam as cifras em caso de diminuição de partidas no certame. Em pontos corridos são 38 rodadas de dez pelejas cada, totalizando 380. Se adotado o modelo de 2002, último ano do Brasileiro com mata-mata, seriam 190 jogos na fase de classificação, mais 14 nos duelos eliminatórios, totalizando 204.

A eventual diferença de 176 cotejos não deverá ser bem aceita pela Globo, que mostra os jogos em TV aberta, os de 12 times na fechada, mais o pay-per-view (PPV). O grupo Turner mantém contrato com oito agremiações atualmente na Série A para transmissão na televisão paga em 2020. A troca, não só reduziria a oferta de jogos a serem transmitidos, como causaria prejuízos inevitáveis, inclusive aos próprios clubes.

Embora a Globo ainda não tenha tomado posição a respeito, fato é que nos últimos quatro anos o PPV se desenvolveu. O formato de pontos corridos, adotado em 2003, foi fundamental para alavancar a venda das partidas pela TV. A redução de pelejas geraria reclamações dos assinantes. Imagine a reação do torcedor que paga para ver 38 jogos de seu time e que, repentinamente, teria assegurados apenas 19, a metade.

Para venda de tíquetes de temporada e sócio torcedor não existe modelo melhor do que o de pontos corridos. Ligas europeias, disputadas em tal formato, são, na maioria das vezes, mais rentáveis do que os certames internacionais, que eliminam a maior parte dos participantes pelo caminho. Mesmo assim, comenta-se nos bastidores sobre pressões pela mudança, feita sobre a CBF por federações preocupadas em terminar seus Estaduais.

Seria um desastre, já que os contratos têm ferramentas para cuidar de situações assim e há descontos previstos. A avaliação da Globo seria feita dentro do conjunto da obra, com TV aberta, fechada, pay-per-view e suas quotas comerciais do futebol. Consequentemente, os patrocinadores que compraram 38 rodadas não deverão concordar com 19 mais de três mata-mata. O mesmo valeria para os parceiros comerciais dos clubes.

Mauro Cezar Pereira