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Marcel Rizzo

REPORTAGEM

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Associação de árbitros critica CBF e teme erros do VAR nas Séries B, C e D

Tecnologia do VAR será usada nas divisões inferiores do futebol brasileiro - Julio Zerbatto/MyPhoto Press/Folhapress
Tecnologia do VAR será usada nas divisões inferiores do futebol brasileiro Imagem: Julio Zerbatto/MyPhoto Press/Folhapress
Marcel Rizzo

Marcel Rizzo - Formado em jornalismo em 2000 pela PUC Campinas, passou pelas redações do Lance!, Globoesporte.com, Jornal da Tarde, Portal iG e Folha de S. Paulo, no qual editou a coluna Painel FC. Cobriu Copas do Mundo, Olimpíada e dezenas de outros eventos esportivos.

Colunista do UOL

26/07/2021 11h00

A Associação Nacional dos Árbitros de Futebol (Anaf) criticou a decisão da CBF de colocar o VAR nas Séries B, C e D ainda em 2021. Para a entidade, antes da execução do plano é preciso ampliar a preparação da arbitragem brasileira para evitar que "profissionais fiquem vulneráveis a erros em campo".

Usado desde 2019 na Série A, o árbitro de vídeo sofre com críticas no Brasil, principalmente por critérios usados em lances subjetivos (como pênaltis) e na demora para se chegar a uma conclusão em algumas jogadas, até objetivas como as de impedimento. Na quinta-feira (22), a CBF anunciou o uso do VAR em todo o segundo turno da Série B e nas fases finais da C e da D — um total de 230 jogos.

Para a diretoria da Anaf, não há árbitros que trabalham costumeiramente nas divisões inferiores em quantidade e preparados para comandar a tecnologia. São de dois a três profissionais que ficam na cabine, a depender da partida, o VAR principal e dois auxiliares. O árbitro de campo precisa também de treinamento para a comunicação eficiente com aqueles que estão no VOR (a sala do VAR) e para o uso do monitor que fica ao lado do gramado e que é acionado para a análise de lances subjetivos.

"Não está em discussão a importância do VAR, mas o seu uso eficiente. O anúncio da expansão do 'árbitro de vídeo' para o returno da Série B e para as retas finais das Séries C e D nos trouxe preocupação e nos fez refletir e questionar: por que aplicar o VAR sem a devida preparação dos árbitros e assistentes que atuam nestas divisões? Podemos chamar isso de 'planejamento'?", questionou a direção da associação.

A CBF não se posicionou até o momento, mas a coluna apurou que a decisão de colocar o VAR nas divisões inferiores não será revista. A confederação brasileira tem hoje 298 árbitros habilitados a trabalhar com o VAR, seja no campo ou na cabine. Trinta e quatro deles são considerados especialistas em operar a tecnologia no VOR e, apesar de também trabalharem no campo, são prioritariamente escalados como VAR.

"Estamos tirando do papel uma reivindicação que os clubes disputantes dessas séries faziam há tempos. É mais um aperfeiçoamento muito importante da CBF às competições nacionais. Isso trará mais justiça ao jogo e mais segurança aos árbitros. As Séries B, C e D mobilizam torcedores, comunidades, cidades e mereciam muito este investimento", disse o presidente interino da CBF, Antônio Carlos Nunes.

Uma outra reclamação da Anaf foi a de que a decisão limitará ainda mais a convocação de profissionais do Norte e Nordeste nas escalas, já que estão, segundo a associação, menos preparados para o uso do VAR do que aqueles do Sul e Sudeste. Na lista dos 34 especialistas da CBF, 25 são do Sul e Sudeste, quatro do Centro-Oeste (de Goiás) e cinco do Nordeste. Não há árbitro do Norte entre a elite do VAR brasileiro.

A decisão foi comemorada pela Associação Nacional de Clubes de Futebol (ANCF), que pleiteou o "custo zero" para as equipes. Segundo informações recebidas pelo UOL Esporte, a CBF bancará o valor operacional da ferramenta. O presidente da ANCF, Francisco José Battistotti, que preside o Avaí, destacou que a implantação do árbitro de vídeo "traz mais segurança aos envolvidos nos jogos e consequentemente as partidas são conduzidas com maior tranquilidade havendo menos lances com decisões polêmicas".