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Marcel Rizzo

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Medo de perder R$ 200 mi faz clubes aceitarem jogar Paulistão fora de SP

Weverton durante a partida entre São Bento e Palmeiras, em Volta Redonda - Cesar Greco
Weverton durante a partida entre São Bento e Palmeiras, em Volta Redonda Imagem: Cesar Greco
Marcel Rizzo

Marcel Rizzo - Formado em jornalismo em 2000 pela PUC Campinas, passou pelas redações do Lance!, Globoesporte.com, Jornal da Tarde, Portal iG e Folha de S. Paulo, no qual editou a coluna Painel FC. Cobriu Copas do Mundo, Olimpíada e dezenas de outros eventos esportivos.

Colunista do UOL

26/03/2021 10h52Atualizada em 26/03/2021 16h31

Os clubes temem perda ou congelamento no pagamento do contrato de direitos de transmissão da Globo para o Paulistão, em contrato que vale R$ 200 milhões somente em 2021 para todas as plataformas (TVs aberta e fechada, streaming e pay-per-view). Por esse motivo, principalmente, os 16 participantes aceitaram atuar em outros estados com jogos marcados em cima da hora. Mirassol 0 x 1 Corinthians e São Bento 1 x 1 Palmeiras foram realizados em Volta Redonda (RJ), respectivamente terça (23) e quarta (24).

Em caso extremo, de cancelamento definitivo da competição, os clubes teriam que devolver à emissora cerca de R$ 80 milhões que já foram pagos pela edição 2021 do Paulistão. Corinthians, Palmeiras, Santos e São Paulo recebem R$ 30 milhões por temporada do acordo que acaba este ano. Já os menores, em média, ganham R$ 7 milhões — valor variável a cada um devido a partidas que passam em TV aberta e fechada. Isso totaliza cerca de R$ 200 milhões.

É improvável que ocorra em São Paulo o que já foi definido no Rio Grande do Norte, que encerrou seu torneio sem finalização, mas uma paralisação mais longa fará com que o restante a ser pago fique congelado.

O governo de São Paulo proibiu os jogos de futebol em São Paulo inicialmente até o fim de março por causa do aumento no número de casos e mortes por covid-19 na segunda onda da pandemia no Brasil. Nesta sexta (26) foi anunciada a prorrogação do decreto até 11 de abril, o que vai impactar novamente nas datas do campeonato, que tem final prevista para 23 de maio.

Como CBF (Confederação Brasileira de Futebol) e Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol) não pretendem modificar as datas de seus torneios, como o Brasileirão ou a Libertadores, a Federação Paulista de Futebol tem duas opções para não atrasar a competição: marcar jogos do grandes, que têm compromissos pelos outros campeonatos, em estados diferentes ou futuramente apertar o calendário, o que fará as equipes atuarem até três vezes por semana, com pouco mais de 48 horas de diferença entre os confrontos.

Em 2020, com o campeonato parado de março a julho, a Globo congelou a cota e foi pagando a conta gotas até o fim da competição. Em 2021, por causa da extensão da crise econômica, a emissora já sinalizou que nem essas parcelas menores poderão ser desembolsadas caso haja paralisação.

Há pressão também de patrocinadores da emissora, que pagam milhões por ano. A Globo tem nesses primeiros meses da temporada 2021 do futebol o Paulistão como seu principal produto, junto com a Copa do Brasil, já que não tem mais o Carioca (não renovou e hoje é da Record) e nem a Libertadores (distrato feito judicialmente).

Inicialmente, a Globo havia optado por não transmitir jogos às quartas-feiras nesse começo de Paulistão, para valorizar o reality Big Brother Brasil (BBB), mas mudou de posição com a chance de paralisação longa e transmitiu o jogo entre São Bento e Palmeiras realizado em Volta Redonda. A emissora pediu, inclusive, que a partida mudasse das 21h30 para 22h porque o Jornal Nacional de quarta-feira teve duração maior por causa da marca atingida de 300 mil mortes por covid-19 no Brasil.