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Marcel Rizzo

Covid faz Fifa congelar plano de aumentar premiação do Mundial de Clubes

Lewandowski, do Bayern de Munique, time que estará no Mundial do Qatar - GettyImages
Lewandowski, do Bayern de Munique, time que estará no Mundial do Qatar Imagem: GettyImages
Marcel Rizzo

Marcel Rizzo - Formado em jornalismo em 2000 pela PUC Campinas, passou pelas redações do Lance!, Globoesporte.com, Jornal da Tarde, Portal iG e Folha de S. Paulo, no qual editou a coluna Painel FC. Cobriu Copas do Mundo, Olimpíada e dezenas de outros eventos esportivos.

Colunista do UOL

26/11/2020 04h00

A crise financeira gerada pela Covid-19, que diminuiu receitas de campeonatos com adiamentos de datas e limitações para venda de ingressos e lugares em áreas VIPs dos estádios, deve fazer a Fifa cancelar plano que tinha para aumentar a premiação do Mundial de Clubes-2020.

A edição de 2020, no Qatar, foi adiada de dezembro para fevereiro de 2021 (1º a 11) e neste momento a bonificação, que há anos é considerada baixa pelos clubes participantes, deve ser mantida. A entidade avaliava aumentar os valores para todos os participantes, do campeão ao sétimo colocado.

Em 2019, o Liverpool recebeu US$ 5 milhões (R$ 26,7 milhões em cotação atual) pelo título do torneio também disputado no Qatar. O vice Flamengo levou US$ 4 milhões (R$ 21 mi hoje, mas cerca de R$ 16,8 milhões em dezembro do ano passado).

São quantias bem abaixo do que pagam os campeonatos continentais. Os ingleses, por exemplo, levaram R$ 228 milhões no total por seu título europeu da temporada 2018/2019 e os brasileiros R$ 80 milhões na Libertadores.

A Fifa, entretanto, não tinha planos de aumentar proporcionalmente muito a premiação ao campeão e ao vice, mas sim dar mais dinheiro a times que se classificam em posições abaixo e que também reclamam de viajar, muitas vezes em meio à temporada, para receber quantias consideradas baixíssimas.

A ideia era que o campeão recebesse US$ 6 milhões (R$ 32 milhões), ou seja, US$ 1 mi a mais, ou 20%, do que em 2019. O vice teria US$ 5 milhões e não US$ 4 mi. O aumento mais considerável seria do quinto ao sétimo, que receberiam os três US$ 2,5 milhões (R$ 13,3 milhões). Hoje o sétimo colocado ganha US$ 500 mil (R$ 2,6 milhões), o sexto US$ 1 milhão (R$ 5,3 milhões) e o quinto US$ 1,5 milhão (R$ 8 milhões), o que já gerou muita reclamação.

Uma ideia de também bonificar o campeão com mais US$ 4 milhões, que seriam pagos por meio do que a Fifa recebe de direitos de transmissão, e que deixaria um pouco mais atrativa a premiação, deve ser engavetada.

Apesar de o torneio começar em pouco mais de dois meses, tudo isso ainda será conversado. Mas seria surpresa se a Fifa decidisse pelo aumento já que a receita que projetava para o torneio, de mais de US$ 23 milhões, deve ser reduzida com a incerta venda de ingresso e de pacotes de hospitalidade (áreas VIP, como camarotes). A direção da Fifa sabe que longos deslocamentos de milhares de pessoas, como fizeram os flamenguistas em 2019 por exemplo, será bem improvável por causa da pandemia.

A Fifa decidiu na semana passada as datas do Mundial, de 1º a 11 de fevereiro, adiando de dezembro já que a maioria dos torneios continentais ainda está em andamento.

O representante da África será decidido nesta sexta (27), em final única entre os egípcios Zamalek e Al-Ahly. Ásia e Concacaf (Américas do Norte, Central e Caribe) terão campeões em dezembro e a Libertadores só em 30 de janeiro, ou seja, dois dias antes do início do Mundial — o Sul-Americano estreia somente na semifinal, em 7 de fevereiro.

Bayern de Munique, campeão europeu, o Al-Duhail, do Qatar, representante do país-sede, e o Auckland City, da Nova Zelândia, são os três dos sete times já confirmados. Como a Oceania cancelou sua Liga dos Campeões nas quartas de final e não terá um campeão, a confederação precisou fazer uma indicação e optou pelo Auckland que tinha a melhor campanha até a paralisação.

Seis times brasileiros ainda estão na Libertadores e podem chegar ao Qatar em fevereiro: Athletico, Grêmio, Flamengo, Inter, Palmeiras e Santos.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.