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Marcel Rizzo


Fifa vai perder US$ 200 mi em 2021 com adiamento do novo Mundial de Clubes

Presidente da Fifa, Gianni Infantino, enviou relatório financeiro para o Conselho - JORGE CABRERA
Presidente da Fifa, Gianni Infantino, enviou relatório financeiro para o Conselho Imagem: JORGE CABRERA
Marcel Rizzo

Marcel Rizzo - Formado em jornalismo em 2000 pela PUC Campinas, passou pelas redações do Lance!, Globoesporte.com, Jornal da Tarde, Portal iG e Folha de S. Paulo, no qual editou a coluna Painel FC. Cobriu Copas do Mundo, Olimpíada e dezenas de outros eventos esportivos.

Colunista do UOL

29/06/2020 04h00

A pandemia do novo coronavírus afetou as contas da Fifa, a poderosa federação que comanda o futebol pelo mundo. A projeção de receita para 2020 caiu quase 50% e a estimativa é de fechar o ano com prejuízo de US$ 794 milhões (R$ 4,34 bilhões).

Em relatório apresentado ao seu Conselho na quinta-feira (25), a entidade também refez o orçamento de 2021 com queda de faturamento principalmente por causa do adiamento do novo Mundial de Clubes, aquele turbinado com 24 participantes e que estava previamente marcado para junho e julho do ano que vem na China.

Segundo o documento, o departamento financeiro da Fifa prevê a perda de US$ 200 milhões (R$ 1,1 bilhão) na receita de 2021 atrelada ao adiamento da competição, que ocuparia o espaço da encerrada Copa das Confederações. O presidente da federação internacional, Gianni Infantino, disse na quinta que foi necessário o adiamento para ajustes no calendário — a Eurocopa e a Copa América, adiadas de 2020 para 2021, serão realizadas entre junho e julho de 2021, no período que estava previsto para o novo Mundial de Clubes.

"Não temos data para realizar esse torneio, pode ser 2022 ou até 2023", disse Infantino.

A projeção para 2021 é que a Fifa tenha novo prejuízo, mas inferior ao de 2020. A receita prevista é de US$ 742 milhões (R$ 4,32 bilhões) e os gastos de US$ 1,26 bilhão (R$ 6,8 bilhões), o que daria o prejuízo de US$ 518 milhões (R$ 2,83 bilhões).

Antes mesmo da pandemia, a entidade já previa prejuízos entre 2019 e 2021 — a covid-19 só piorou esses números, na verdade. A Fifa trabalha por ciclos financeiros de quatro anos, justamente períodos entre a sua galinha de ovos de ouro, as Copas do Mundo. Com lucro estimado para 2022 de US$ 1,69 bilhão (R$ 9,2 bilhões), por causa do Mundial do Qatar, a previsão da entidade é mesmo com a pandemia fechar o ciclo 2019-2022 com lucro de US$ 100 milhões (R$ 546 milhões) — o valor final pode ficar um pouco abaixo disso após o pagamento de impostos.

O balanço de 2019 ainda não foi divulgado, com o adiamento do Congresso da entidade, que vota as contas, de junho para setembro — a reunião será virtual. Mas uma prévia dos números já foi apresentada aos membros do Conselho na semana passada com prejuízo de US$ 280 milhões (R$ 1,5 bilhão). Esse número ainda pode mudar um pouco até ser apresentado às associações em setembro devido a pagamento de impostos.

Mesmo com os prejuízos previstos por três anos seguidos, mas escorada na projeção de lucro bilionário com a Copa do Mundo do Qatar, a Fifa anunciou semana passada ajuda às 211 confederações filiadas por causa da pandemia. Cada confederação poderá receber até US$ 3 milhões (R$ 16 milhões), sendo que US$ 500 mil (R$ 2,7 milhões) é de uso exclusivo para o futebol feminino.

As associações poderão também solicitar um empréstimo, a juro zero, que pode chegar a US$ 5 milhões (R$ 27 milhões) dependendo da receita anual de cada entidade nacional. A Fifa cobrará uma prestação de contas para saber se os valores estão sendo utilizados para minimizar estragos financeiros causados pela pandemia.

Marcel Rizzo