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Marcel Rizzo


Fifa diz esperar que Globo pague contrato assinado e caso deve ir à Suíça

Estádio Cidade da Educação, no Qatar. Copa de 2022 está no pacote da Globo - Divulgação/Fifa
Estádio Cidade da Educação, no Qatar. Copa de 2022 está no pacote da Globo Imagem: Divulgação/Fifa
Marcel Rizzo

Marcel Rizzo - Formado em jornalismo em 2000 pela PUC Campinas, passou pelas redações do Lance!, Globoesporte.com, Jornal da Tarde, Portal iG e Folha de S. Paulo, no qual editou a coluna Painel FC. Cobriu Copas do Mundo, Olimpíada e dezenas de outros eventos esportivos.

Colunista do UOL

24/06/2020 08h54

A Fifa espera que TV Globo cumpra os compromissos assinados referentes aos pagamentos do contrato de direitos de transmissão para o período de 2015 a 2022. A posição da entidade enviada ao blog mostra que o acordo entre a emissora e a federação internacional deve se transformar em uma briga jurídica que pode afetar até a transmissão da Copa do Mundo de 2022.

O Grupo Globo conseguiu nesta terça-feira (23) uma liminar na 6ª Vara Empresarial da Justiça do Estado do Rio de Janeiro para não pagar de forma imediata o valor de US$ 90 milhões (R$ 463 milhões, no câmbio atual), previsto no contrato de direitos de transmissão celebrado com a Fifa.

O pagamento deveria acontecer no próximo dia 30 de junho. A emissora espera renegociar os valores do vínculo em razão da pandemia do novo coronavírus, que comprometeu o calendário do futebol internacional. O contrato em questão contempla a Copa do Mundo de 2022, no Qatar.

Ao blog, um porta-voz da Fifa afirmou que a entidade "não considera apropriado comentar discussões que podem estar sujeitas a procedimentos legais". O caso deve parar na Corte Arbitral da Suíça para definir se é necessária a renegociação dos valores e modelo de pagamento, com a Globo quer, ou se fica como está. A rescisão ainda é improvável.

"Sempre procuramos apoiar nossos parceiros por meio de um diálogo construtivo e continuamos a fazê-lo nas dificuldades que todos enfrentam durante a pandemia de Covid-19", continuou a Fifa.

A Globo alega que a pandemia do novo coronavírus fez todos os grupos de mídia passarem por dificuldades financeiras. Além disso, o grupo de comunicação brasileiro alega que competições da Fifa que estavam previstas para 2020 foram canceladas e que isso causou prejuízo.

Entre os eventos previstos para este ano estavam o Mundial de futsal e as Copas do Mundo feminina Sub-17 e Sub-20 - todos eles adiados para o próximo ano. O torneio olímpico de futebol que seria realizado nos Jogos de Tóquio-2020 também é organizado pela Fifa, mas o contrato não contempla a sua exibição.

O processo foi interpretado no último dia 16 e foi julgado em caráter de urgência. Ele corre em segredo de Justiça, mas o UOL Esporte obteve acesso à liminar favorável para a Globo, assinada pela juíza Maria Cristina de Lima Brito. A magistrada concedeu liminar enquanto o contrato não é julgado na Justiça da Suíça, onde foi celebrado.

Caso o Banco Itaú, responsável pela intermediação do pagamento, debite o valor à Fifa, tanto a entidade quanto a instituição financeira receberão multa de R$ 1 milhão por dia de descumprimento.

O blog apurou que a ação aberta pela Globo no Brasil surpreendeu os executivos da Fifa, que esperavam resolver as diferenças por meio de negociações. Não há, no momento, previsão de rescisão por parte da entidade que comanda do futebol, mas isso não é descartado caso de fato o caso chegue aos tribunais da Suíça, país onde está a sede da Fifa.

Procurada oficialmente pelo UOL Esporte para falar sobre o processo, a Globo afirmou que "não comenta casos sob júdice"."A Fifa espera que os compromissos firmados pela Globo sejam respeitados e está confiante que uma solução será encontrada', finalizou o porta-voz da entidade.

Marcel Rizzo