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Coronavírus vai decidir sede da Copa feminina-2023. E Fifa tem seu favorito

Presidente da Fifa, Gianni Infantino, articula sede da Copa feminina de 2023 em meio à pandemia do novo coronavírus - JORGE CABRERA
Presidente da Fifa, Gianni Infantino, articula sede da Copa feminina de 2023 em meio à pandemia do novo coronavírus Imagem: JORGE CABRERA
Marcel Rizzo

Marcel Rizzo - Formado em jornalismo em 2000 pela PUC Campinas, passou pelas redações do Lance!, Globoesporte.com, Jornal da Tarde, Portal iG e Folha de S. Paulo, no qual editou a coluna Painel FC. Cobriu Copas do Mundo, Olimpíada e dezenas de outros eventos esportivos.

Colunista do UOL

10/06/2020 13h50

A pandemia já vai influenciar na primeira decisão geográfica da Fifa após o novo coronavírus, a escolha da sede da Copa do Mundo feminina de 2023. A passagem menos traumática de Nova Zelândia e Austrália pela Covid-19 coloca a candidatura em conjunto como favorita a receber o Mundial daqui pouco mais de três anos. A entidade anunciará o vencedor no dia 25 de junho.

O blog apurou que, dentro da Fifa, é dado como certo que os dois países da Oceania ganharão o direito de receber a Copa, batendo Japão e Colômbia — o Brasil desistiu de sua candidatura na segunda-feira porque não conseguiu garantias necessárias do governo federal e para agradar a Conmebol, que queria apenas um concorrente da América do Sul.

A Nova Zelândia anunciou nessa semana ter erradicado a doença e já tem vida praticamente normal - foram 1.504 casos e apenas 22 mortes por lá. A Austrália sofreu um pouco mais, mas teve números baixos comparados com outros países populosos: foram 7.276 casos e 102 mortes, portanto 16 óbitos por milhão de habitante. No Brasil, por exemplo, esse número de morte por milhão de habitante está em 181.

A questão da Copa de 2023, entretanto, não passa por casos confirmados ou mortes já que daqui a três anos se espera haver remédio e vacina que impeçam a contaminação e evolução da Covid-19. O ponto é econômico.

A avaliação na Fifa é que Austrália e Nova Zelândia terão uma retomada dos negócios menos traumática do que Colômbia e Japão. Os japoneses, por exemplo, ainda têm outro problema a resolver, que é a Olimpíada de 2020, adiada para 2021. Serão gastos milhões de dólares nessa readequação, que pode inviabilizar o investimento necessário na Copa feminina.

Essa quase certeza de que os dois países da Oceania (na geografia da Fifa a Austrália faz parte da Confederação Asiática) poderão organizar uma Copa menos traumática financeiramente aparece em relatório produzido pelos inspetores que visitaram os países para avaliar os dossiês das candidaturas.

Por exemplo: a candidatura de Austrália e Nova Zelândia foi a única que apresentou garantias de que o governo pode meter a mão no bolso para ajudar na organização, em valor que pode chegar a US$ 75 milhões (R$ 367 milhões). Japão e Colômbia não deram essa garantia — e nem o Brasil, ponto aliás que foi usado como explicação pela CBF para a retirada da disputa.

A proposta colombiana é considerada a mais fraca das três, apesar de a Conmebol avaliar que pode conseguir votos da Europa e da Concacaf (a confederação das Américas do Norte e Central). Diferentemente da escolha da sede da Copa masculina, que para dificultar a corrupção tem voto direto das 211 associações filiadas, o local do Mundial feminino é decidido pelo Conselho da Fifa, que possui 37 membros — o Brasil tem voto com Fernando Sarney.

No relatório apresentado pelos inspetores da Fifa, a Colômbia apareceu com risco médio e alto de problemas em 12 dos 17 itens avaliados, como estádios, acomodações, transporte e segurança. Austrália/Nova Zelândia teve apenas um médio (em documentação governamental) e o Japão dois (documento governamental e sustentabilidade).

De um total de 500 pontos que os inspetores deram nas avaliações de infraestrutura, segurança e parte comercial, Austrália e Nova Zelândia tiveram a maior nota, 412. O Japão somou 392 e a Colômbia 280,5.

A recessão que deve atingir o mundo nos próximos anos devido à pandemia vai alterar os processos de candidaturas para sedes de torneios da Fifa e a Copa feminina será apenas o primeiro caso. O que já ligou um sinal de alerta na Conmebol para a candidatura quádrupla de Argentina/Uruguai/Chile/Paraguai para a Copa do Mundo dos homens de 2030. A recuperação econômica do continente será importante para viabilizar a ideia de um novo Mundial na América do Sul.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.