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Marcel Rizzo


Sem vestiário e atletas separados: volta a treino exigirá adaptação em CTs

Centro de treinamento do Palmeiras, na Barra Funda, que recebeu grama sintética para 2020 - José Edgar de Matos/UOL Esporte
Centro de treinamento do Palmeiras, na Barra Funda, que recebeu grama sintética para 2020 Imagem: José Edgar de Matos/UOL Esporte
Marcel Rizzo

Marcel Rizzo - Formado em jornalismo em 2000 pela PUC Campinas, passou pelas redações do Lance!, Globoesporte.com, Jornal da Tarde, Portal iG e Folha de S. Paulo, no qual editou a coluna Painel FC. Cobriu Copas do Mundo, Olimpíada e dezenas de outros eventos esportivos.

Colunista do UOL

20/04/2020 11h50

Classificação e Jogos

Os clubes terão que fazer importantes modificações de procedimentos e estruturas dos CTs (centros de treinamento) para que os jogadores possam voltar a trabalhar. É o que prevê documento com o protocolo médico para combate ao novo coronavírus que a CBF deve oficializar nesta semana.

Haverá, num primeiro momento, recomendação para não se usar vestiários — que os atletas cheguem de casa já vestidos para treinar e que saiam ainda uniformizados para tomar banho e lavar as roupas em suas casas. Mesmo assim, o protocolo vai prever que os clubes criem espaços controlados, desinfetados, para que os atletas acessem o campo após pararem os carros. Alguns clubes talvez tenham que adequar seus CTs com novos acessos.

As academias não poderão ser usadas, assim como refeitórios. Os trabalhos físicos terão que ser feitos no gramado e alguns clubes avaliam que vão precisar comprar materiais específicos para isso. Um detalhe importante: os jogadores deverão ser separados em grupos, de cinco a sete atletas, para evitar exposição entre muitas pessoas.

Isso deve significar que, no início, clubes com menor estrutura nos CTs possam ser obrigados a criar horários de treinos diferenciados para cada atleta. Um dirigente de clube ouvido pelo blog disse que a ideia seria dividir o elenco por grupos levando em conta as posições (goleiros, defensores, atacantes) em horários distintos de trabalho. Coletivos ou treinos táticos 11 conta 11, num primeiro momento, estariam descartados.

A ideia é que todos do elenco, comissão técnica e funcionários que frequentem o CT sejam testados para covid-19. A princípio a compra desses testes seria responsabilidade dos clubes, mas não está descartado que CBF e federações ajudem. As entidades estaduais têm interesse no retorno aos treinos para finalizar seus campeonatos, que por causa da pandemia foram paralisados na reta final. Haverá indicação também para testes de familiares.

O documento da CBF vai deixar claro que os trabalhos só podem retornar com a autorização das autoridades de saúde. Cada estado está usando protocolos diferentes: São Paulo, por exemplo, colocou o isolamento social e fechamento de setores não essenciais do comércio até 10 de maio. Do Rio termina dia 30 de abril, mas pode ser estendido. O Ceará também prorrogou sua quarentena, que terminava nesta segunda (20), até o dia 5 de maio. Até lá os jogadores não podem treinar usando as dependências dos clubes.

Liberação de treinos, quando ocorrer, não significará também que um retorno dos jogos possa estar perto já que controlar o ambiente em uma partida será muito mais difícil do que em treinamentos. Para os Estaduais a ideia de sede fixa com jogadores concentrados em local controlado, como hotéis, continua forte. O único consenso neste momento é que os confrontos serão sem público nos estádios, provavelmente durante toda a temporada.

Marcel Rizzo