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Marcel Rizzo


Futebol sem torcida em 2020 dará prejuízo milionário a clubes brasileiros

Maracanã pode até ter jogo em 2020, mas não deve ter torcedores presentes - Getty Images
Maracanã pode até ter jogo em 2020, mas não deve ter torcedores presentes Imagem: Getty Images
Marcel Rizzo

Marcel Rizzo - Formado em jornalismo em 2000 pela PUC Campinas, passou pelas redações do Lance!, Globoesporte.com, Jornal da Tarde, Portal iG e Folha de S. Paulo, no qual editou a coluna Painel FC. Cobriu Copas do Mundo, Olimpíada e dezenas de outros eventos esportivos.

Colunista do UOL

13/04/2020 11h00

Entre as poucas certezas que se tem sobre o que acontecerá com o futebol quando a paralisação por causa do novo coronavírus acabar é a de que os jogos voltarão com os portões fechados. E isso significará perdas milionárias aos clubes brasileiros.

O tema foi abordado em reunião na semana passada entre a cartolagem e há uma previsão de que até o fim de 2020 não serão permitidas grandes aglomerações no Brasil, ou seja, esqueça estádios com público presente.

Como mostrou o blog, há apenas projeções de como pode ser o retorno ao futebol já que o isolamento social não tem data para acabar no país. Como não é necessário deslocamento por avião, terminar os Estaduais será mais fácil do que começar o Brasileiro ou retomar a Libertadores quando os agentes de saúde afrouxarem as quarentenas. Sem público no estádio, claro, o que fará os clubes perderam receitas importantes dos orçamentos para 2020.

O Flamengo, por exemplo, previa ganhar R$ 108 milhões com bilheteria e operação de estádio este ano com participações no Campeonato Carioca, Série A, Libertadores, Recopa e Copa do Brasil. E era uma projeção conservadora, já que em 2019 o faturamento foi de R$ 109 milhões.

O blog apurou que até o futebol parar, em março, o clube não tinha levantado ainda nem 10% desse valor, já que o início do ano, com foco no Estadual, é sempre mais lento para o caixa previsto com bilheteria.

Há ainda a possibilidade de perda financeira com sócios-torcedores, já que a maior parte dos fãs se associam para terem desconto e prioridade na compra de ingressos. No caso do Flamengo, a previsão orçamentária para 2020 com sócio-torcedor era de R$ 96 milhões, valor que cairá consideravelmente sem poder associar o programa a venda de entradas.

O Palmeiras tinha uma previsão, somada, de faturar R$ 119 milhões com bilheteria e sócio-torcedor. Uma projeção até conservadora — no clube estimava-se aumentar em até 30% esses valores caso avançasse até as semifinais da Libertadores, final da Copa do Brasil e disputasse o título da Série A até o fim do campeonato.

Em alta de faturamento nos últimos anos, o Bahia verá frustrada com a Covid-19 um orçamento turbinado. Somente de bilheteria, o clube de Salvador previa receita de R$ 20 milhões, mais R$ 28 mi de sócio-torcedor. São valores maiores do que projetaram clubes do Sul que historicamente sempre tiveram orçamentos superiores, como Santos (R$ 15 mi de bilheteria em 2020), Inter (18 mi de ingressos vendidos) e Vasco (R$ 11 mi).

Esses valores de bilheteria e com sócio-torcedor já estão perdidos, na avaliação de dirigentes. Mas ainda há como salvar cotas de direito de transmissão e patrocínio, que podem ser pagos se os campeonatos ocorrerem mesmo sem torcedores nos estádios. Essa é a esperança dos clubes.

Projeção de alguns clubes com receita de bilheteria e sócio-torcedor em 2020 (em milhões de R$)

Flamengo - 108 (bilheteria e operação de estádio) - 96 (sócio-torcedor)
Corinthians - 71 (bilheteria) - 13 (sócio-torcedor)
Palmeiras - 64 (bilheteria) - 55 (sócio-torcedor)
São Paulo - 53 (bilheteria) - 15 (sócio-torcedor)
Bahia - 20 (bilheteria) - 28 (sócio-torcedor)
Atlético-MG - 19 (bilheteria) - 22 (sócio-torcedor)
Inter - 18 (bilheteria)
Santos - 15 (bilheteria)
Vasco - 11 (bilheteria)
Botafogo - 11 (bilheteria) - 9 (sócio-torcedor)

Marcel Rizzo