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Marcel Rizzo


Como futebol pesou para COI manter Olimpíada de Tóquio entre julho e agosto

Tóquio terá prejuízo com o adiamento da Olimpíada de 2020 para 2021 - divulgação
Tóquio terá prejuízo com o adiamento da Olimpíada de 2020 para 2021 Imagem: divulgação
Marcel Rizzo

Marcel Rizzo - Formado em jornalismo em 2000 pela PUC Campinas, passou pelas redações do Lance!, Globoesporte.com, Jornal da Tarde, Portal iG e Folha de S. Paulo, no qual editou a coluna Painel FC. Cobriu Copas do Mundo, Olimpíada e dezenas de outros eventos esportivos.

Colunista do UOL

30/03/2020 14h20

O Comitê Olímpico Internacional (COI) e o governo japonês decidiram manter os Jogos Olímpicos de Tóquio, agora em 2021, para a mesma época que ocorreria em 2020, entre o final de julho (23) e o início de agosto (8). Não haverá, portanto, coincidência com o calendário do futebol europeu, algo que pesou muito. A Olimpíada foi adiada em um ano, originalmente seria de 24 de julho a 9 de agosto de 2020, por causa da pandemia do novo coronavírus.

A interferência do futebol na decisão não tem relação com o evento masculino, que limita a idade em 23 anos para a maioria dos atletas para não concorrer com a Copa do Mundo, mas sim por uma pressão dos patrocinadores dos Jogos. As empresas, que já perderam dinheiro de ativações que estavam em andamento com o adiamento de 2020 para 2021, não gostariam de ter concorrência de campeonatos de futebol durante a Olimpíada.

Havia uma possibilidade de os Jogos ocorrerem entre abril e maio, primavera no Japão. Isso, porém, coincidiria com a reta final dos torneios europeus de futebol e com a preparação para a Eurocopa, que também foi adiada para 2021, entre junho e julho. Mantendo a data entre julho (23) e agosto (8), a Olimpíada começará logo após o fim da Euro, como ocorreria em 2020, e nas férias do futebol na Europa. Não haverá concorrência e o mundo estará de olho apenas em Tóquio e, claro, nas marcas que patrocinam a competição.

Estima-se que o COI vai faturar US$ 3 bilhões (R$ 15 bilhões) com patrocinadores para Tóquio-2020 (apesar da mudança de data a marca continua sendo essa). São 15 patrocinadores locais para a competição, empresas japonesas, além dos 14 parceiros mundiais, marcas conhecidas como Coca-Cola, Visa, Samsung, Panasonic e Bridgestone.

O comitê internacional vai analisar nos próximos meses se muda o regulamento do futebol masculino nos Jogos, aumentando de 23 para 24 anos a idade limite para que atletas que estariam aptos a atuar em 2020 também possam jogar em 2021.

Há, porém, resistência de cartolas que argumentam que no caso do futebol a vaga é da federação, não de atletas específicos como em outras modalidades que o COI já avisou que manterá aqueles já classificados, portanto o limite de 23 anos deveria ser mantido. A Fifa, que não gosta muito de concorrência com a Copa do Mundo, que será em 2022, participará dessa decisão.

A pandemia do novo coronavírus paralisou os principais campeonatos de futebol do mundo. Ainda não se sabe qual será, ao final do surto, a consequência dessas paralisações já que alguns torneios da temporada 2019/2020, na Europa, podem nem terminar. Por isso a avaliação dos patrocinadores dos Jogos Olímpicos é que a atenção do público ao futebol no ano que vem será muito maior justamente por essa carência futebolística e uma concorrência de datas seria catastrófica para o evento em Tóquio.

Há ainda um ajuste a ser feito, importante: a Eurocopa de futebol feminino está programada agora para ocorrer na mesma época dos Jogos Olímpicos, de 7 de julho a 1º de agosto, na Inglaterra. A tendência é que a Uefa adie essa competição, até porque a Euro masculina também passou a coincidir datas com o torneio entre as mulheres após o adiamento para 2021 (será de 11 de junho a 11 de julho).

Marcel Rizzo