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Invasão afunda o Corinthians na crise. Em campo e fora dele

Remendo feito na cerca usada pelos torcedores para invadir o CT no último sábado - Gustavo.com>/UOL
Remendo feito na cerca usada pelos torcedores para invadir o CT no último sábado Imagem: Gustavo.com>/UOL

Gustavo Franceschini

Do UOL,em São Paulo

03/02/2014 06h00

Há uma semana, o Corinthians se via em processo de reconstrução e tinha vencido dois de seus três jogos no ano. Poucos dias mudaram a análise completamente, e a invasão ao CT do último sábado jogou o clube em uma crise dentro e fora de campo, e a solução dos problemas pode determinar boa parte da temporada.

Para a torcida, o maior reflexo é em campo. A equipe demonstrou alguma evolução em relação ao fim de 2013 nos primeiros jogos, mas a goleada de 5 a 1 para o Santos deflagrou a crise. A defesa é a segunda pior do campeonato, com nove gols contra, o ataque ainda não avançou o suficiente em relação ao fim da era Tite e a torcida ainda vê o time sem a postura adequada em campo.

Todos esses fatores construíam um cenário de difícil mudança, que ficou pior após a invasão. Os jogadores saíram do episódio traumatizados com o ocorrido. Guerrero chegou a ser estrangulado e todos viveram horas de desespero, trancados em salas e no vestiário do CT atrás de barricadas de armário, por vezes sem  contato com o lado externo.

A pressão pode afetar o desempenho dos atletas e também torna mais difícil criticá-los. Neste domingo, por exemplo, a proximidade da invasão fez com que a atuação do time na derrota para a Ponte ficasse em segundo plano. O plano que a comissão técnica tinha para reerguer a equipe até sábado mudou, e os responsáveis devem definir nos próximos dias qual é o próximo caminho a ser adotado.

Essa iminência de uma decisão também paira sobre a diretoria. Apesar de terem concedido entrevistas exclusivas de maneira dispersa, os cartolas ainda não se posicionaram sobre o assunto além das notas oficiais divulgadas. O fim de semana foi de muitas reuniões e definições de procedimento que serão colocados em prática a partir desta segunda.

O Corinthians entregará as imagens do seu circuito de segurança para a investigação dos culpados. Com isso, dá uma satisfação ao elenco e à opinião pública, que espera uma atitude firme dos cartolas. Encontrar os culpados, no entanto, não vai resolver todos os problemas. A disputa política interna do clube, que já está quente há meses, ficou ainda mais acirrada.

Com Gobbi isolado dentro da situação corintiana, a atual administração é questionada por não ter mantido uma relação amigável com as organizadas que evitasse o episódio do último sábado. Quem aprova o mandato do presidente, por sua vez, condena justamente o inverso, ou seja, a liberdade que as facções tiveram na gestão de Andrés Sanchez.

“Se o time estivesse jogando não tinha invasão”, escreveu André Luiz Oliveira, braço direito do ex-presidente e crítico da gestão de Mário Gobbi. “Amigos, quem não quer ter pressão vai cuidar dos netos como estou fazendo hoje”, disse ele, ex-diretor administrativo do clube, ao comentar um post em sua página de Facebook, enquanto discutia com torcedores corintianos na rede social. 

Se errar na condução de algum ponto da crise atual, o Corinthians pode comprometer sua temporada. Em campo, a já traumática renovação pode ser bruscamente interrompida, e o clube não tem dinheiro em caixa para resolver a situação com contratações. Sem capital político, a direção também precisa conter a insatisfação para ter tranquilidade em seu último ano antes da eleição que promete ser a mais acirrada dos últimos anos.

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