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Vítima em coma, medo e tensão: ambiente pesado cerca Roma x Liverpool

Clive Brunskill/Getty Images
Imagem: Clive Brunskill/Getty Images

Caio Carrieri

Colaboração para o UOL, em Manchester (ING)

02/05/2018 04h00

A fase espetacular de Mohamed Salah, do Liverpool, divide espaço na imprensa britânica com o ambiente de preocupação que cerca o segundo jogo da semifinal da Liga dos Campeões entre os Reds e a Roma, no Estádio Olímpico da capital italiana, às 15h45 no horário de Brasília.

Isso porque, minutos antes de a bola rolar na semana passada no Anfield, de onde os donos da casa saíram vitoriosos por 5 a 2 na partida de ida, uma briga envolvendo torcedores dos dois times deixou um aficionado do Liverpool em coma. O irlandês Sean Cox, 53 anos, está hospitalizado desde então, e os italianos Fillippo Lombardi e Daniele Sciusco foram detidos e identificados como responsáveis pelas agressões com cintos. As autoridades ligam a dupla ao Fedayn, famoso grupo de ultras da Roma. Durante o triunfo sobre o Chievo, no último sábado, pelo Campeonato Italiano, o setor sul do Estádio Olímpico, onde ficam os aficionados mais radicais, gritou pela liberdade de Lombardi e Sciusco.

Nesta terça, o elenco da Roma treinou com a mensagem "Força, Sean" estampada no uniforme.

Por conta do grave incidente em Liverpool, ambos os clubes, a Uefa, responsável pela Liga dos Campeões, e autoridades dos governos britânico e italiano se mobilizaram para evitar qualquer tipo de represália antes ou depois do jogo de volta. Após reuniões envolvendo todas as partes, um esquema especial de logística e segurança receberá os cerca de 5 mil torcedores ingleses esperados em Roma.

Torcida da Roma - Paolo Bruno/Getty Images - Paolo Bruno/Getty Images
Imagem: Paolo Bruno/Getty Images

Com o apoio da polícia italiana, o Liverpool vem utilizando as suas mídias digitais para enfatizar a importância de os visitantes seguirem o planejamento elaborado. Ônibus gratuitos e com proteção policial serão disponibilizados para os fãs dos Reds no centro da Cidade Eterna no trajeto de ida e volta do estádio. “Não façam o caminho a pé em hipótese alguma”, clama um trecho do comunicado.

O documento também sinaliza a Ponte Duca d’Aosta, próxima ao estádio e que cruza o Rio Tibre, como caminho a ser evitado. O local já serviu como ponto de emboscada a torcedores ingleses no passado.

Também decidiram proibir a venda, o consumo e a posse de bebidas alcoólicas na região central de Roma e no perímetro do palco do confronto entre uma hora antes do apito inicial até a manhã de quinta-feira. O efetivo será de 1.500 policiais.

O presidente da Roma, James Pallotta, criticou com veemência “algumas pessoas estúpidas que destroem nossa história e o nosso legado”, em alusão aos agressores presos em Liverpool. “Isso não é um problema apenas de Roma, esse caso também é da Itália e das autoridades que devem agir para que não tenhamos uma reputação de torcedores ruins. Mas são apenas alguns idiotas que querem nos derrubar”, disse aos canais do clube.

Do lado adversário, o técnico Jürgen Klopp se solidarizou com a vítima e fez um apelo antiviolência.

“Só peço para que todos tenham responsabilidade. É um jogo de futebol, nada mais ou nada menos do que isso”.

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