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Galvez nasceu como time da PM e sofreu com dengue antes de comover Brasil

Karla Torralba

Do UOL, em São Paulo

15/01/2019 04h00

O Galvez, que emocionou o Brasil por não ter passagens para voltar de São Paulo para o Acre e recebeu ajuda preciosa do Palmeiras para voltar para casa, nasceu apenas com jogadores policiais militares, em 2013. O clube cresceu, disputa a Série D do Brasileirão, e hoje a categoria de base desfruta o sucesso na Copa São Paulo sob o comando de um ex-subtenente da PM.

"A recepção foi como jogador de futebol de verdade", relembrou o meia Pedro Luca do Galvez sobre o período da equipe na Copa São Paulo de futebol júnior, em Capivari (SP). 

A fala tem a ver com a realidade bem diferente que os garotos vivem no Acre conciliando estudos, trabalho e treinamentos. "Quando chegar no Acre é outra coisa, outra realidade. Vai voltar tudo ao normal. A nossa vida é uma vida de gente normal mesmo. Tem estudos, alguns trabalham, uma rotina normal mesmo", sorriu o atleta.

Hoje a direção do Galvez tem um Cabo; o presidente é Coronel e diretores da base, do profissional e financeiro também são PMs. A equipe principal disputará a Série D do Brasileirão em 2019, além da Copa do Brasil, do Estadual e da Copa Verde. 

O "ex-subtenente treinador" é Oziel Moreira, mas pode chamar de "Rei da Base". Ele é o técnico que comandou os meninos do Galvez até a terceira fase da Copa São Paulo e tem um longo currículo de títulos quando o assunto é a garotada. 

 "Eu sou conhecido por Rei da Base do Acre, tudo mundo me conhece. No Acre eu já ganhei título do sub-11 ao sub-20. Consegui ser campeão estadual duas vezes em um dia. Era sub-15 e 11. Foi no mesmo horário, um foi mais cedo, 8h e outro foi 9h30. Eu trabalhei com um, quando acabou, comemorei e fui para campo para acompanhar o outro. Em um dia fui duas vezes campeão, isso foi em 2017", contou Oziel Moreira durante o "dia de estrela" do Galvez, na segunda (14), no Allianz Parque. 

Weverton - Fabio Menotti/Ag. Palmeiras/Divulgação - Fabio Menotti/Ag. Palmeiras/Divulgação
Imagem: Fabio Menotti/Ag. Palmeiras/Divulgação
Os meninos puderam conhecer jogadores do Palmeiras e depois fizeram um tour pelo Allianz Parque com direito a vários jornalistas disputando espaço para entrevistá-los e fazer fotos dos garotos no gramado. "É inacreditável ver o que está acontecendo conosco hoje. Saímos do Acre desacreditados, pensaram que a gente ia dar 3 pontos para cada um. E está acontecendo tudo isso", ressaltou o goleiro Gabriel, fã de Weverton, do Palmeiras, nascido no Acre. 

"Foi o momento mais legal, quando soubemos que o Palmeiras ia ajudar a gente. Também teve um gol especial, contra o Capivariano, que foi o meu primeiro na Copinha", disse Erick, artilheiro da equipe. 

O Galvez chegou à Rio Branco, no Acre, na madrugada de terça (15). 

Time teve virose, dengue e caxumba antes de disputar Copinha

Antes do dia de sonho dos garotos, foram quase seis meses de preparação em um campo de terra. Durante os treinamentos, imprevistos relacionados à saúde quase acabaram com o sonho de fazer bonito na Copinha. O Galvez sofreu com um surto de caxumba que atingiu seis jogadores, dengue e virose. A dengue pegou um jogador e o próprio treinador Oziel. 

"Não foi só o surto de caxumba. Fizemos um outro jogo, em outro município e quando voltamos, o Oziel e outro jogador pegaram dengue, depois deu surto de virose nos meninos. Isso prejudicou", explicou o auxiliar técnico Marco Aurélio Oliveira dos Santos. 

Por causa da saúde, o Galvez tinha 19 jogadores no elenco. Os dois integrantes da comissão técnica se revezaram nas funções de massagista, roupeiro, nutricionista e até de "pai", para botar ordem no meio da meninada. Um médico de São Paulo e o tio de um dos jogadores também se ofereceram para ajudar voluntariamente durante o período da Copinha. 

"Eu sou preparador físico, licenciado em educação física e terminando pós na minha área que nutrição esportiva e fisiologia do exercício. Mas como vim eu e Oziel, eu era massagista, roupeiro, nutricionista, fisiologista, eu era tudo, além de ser preparador físico também. Eu sempre coloquei na mente dos meninos que se a gente fizesse uma boa preparação física, a gente poderia bater de igual para igual com qualquer equipe", ressaltou Marco Aurélio. 
 

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