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Na Copinha, Corinthians x São Paulo foi duelo da grana contra "BBB da base"

Dassler Marques

Do UOL, em São Paulo

23/01/2015 07h45

Políticas de trabalho completamente diferentes entraram em campo na noite da última quinta-feira em Limeira. No duelo de maior rivalidade desta Copa São Paulo, o Corinthians foi mais eficaz que o São Paulo e avançou até a final com vitória por 3 a 0. Foi a vitória de um time que se impôs em contratações contra outro que, nas divisões de base, é obcecado em formar.

Entre os 11 jogadores do time base do São Paulo na competição sub-20, nove treinam no moderno Centro de Formação de Atletas de Cotia desde que tinham 15 ou 16 anos. Já no Corinthians considerado titular na Copa São Paulo, o número de jovens contratados com idade de juniores corresponde por mais da metade do time.

Nos últimos dois anos, dirigentes da base de outros clubes se queixaram da dificuldade de competir financeiramente com as propostas feitas pelo Corinthians para jogadores no mercado. Artilheiro corintiano na Copa São Paulo, o atacante Gabriel Vasconcelos deixou o Fluminense em setembro, ao fim do contrato, para ganhar aproximadamente quatro vezes mais no Parque São Jorge.

Na vitória sobre o São Paulo, Gabriel não foi o único contratado que anotou para o Corinthians. O lateral Léo Príncipe, por exemplo, defendia o Flamengo até pouco tempo. Já o meia Matheus Vargas, que abriu o marcador, era destaque do Grêmio Osasco e cobiçado por diversos clubes. Após alguns meses de negociação, a direção corintiana bateu rivais e conseguiu contratá-lo.

Em outras aquisições importantes do time júnior, pesou mais o olho clínico que a carteira. Entre os melhores zagueiros da Copinha, Rodrigo San, 19 anos, foi encontrado no Marília, na Série A-2 do Paulista. Já o volante Marciel, considerado aquele que pode dar respostas mais rápidas para Tite, deixou a Roma-ITA para reforçar o Corinthians há um ano.

Contratações desse perfil, na rígida cultura do São Paulo para as divisões de base, são raras. Em Cotia, nada orgulha mais os funcionários do clube do que a capacidade de garimpar talentos em dezenas de escolinhas parceiras espalhadas por todo país. Desde São José dos Campos, onde saiu o meia Lucas Fernandes, até Campo Grande-MS, onde o zagueiro Hugo foi descoberto aos 13 anos em uma peneira.

Em Cotia, garotos de 10 a 14 anos dessas escolinhas parceiras chegam semanalmente para serem monitorados em treinamentos. É como um Big Brother da base: são algumas visitas durante cada temporada até que, aos 15 anos, os melhores são escolhidos para se alojar. Hoje, por conta disso, o São Paulo é o único grande paulista que prefere não jogar o Paulista sub-13.

Essa rede de parceiros foi feita por José Geraldo de Oliveira, gerente da base demitido recentemente pelo presidente Carlos Miguel Aidar. Nos anos 90, Geraldo trabalhava para montar os times do Rio Branco que fizeram sucesso no Campeonato Paulista e revelaram aos montes. Levou os contatos ao São Paulo, onde fez fama de rígido, dedicado e polêmico.

Clubes adversários acusaram a direção tricolor, e Geraldo, de aliciar jogadores que tinham pendências com seus clubes de origem. Foi por brechas jurídicas que o São Paulo contratou os únicos dois atletas de seu time titular atual. Inácio, que deixou o Bahia por FGTS atrasado, e o lateral Foguete, que também tinha pendências no Vasco. Mas, em geral, a estratégia são-paulina para a base passa longe de gastar muito em compras.

A maior prova entre as diferenças nos dois trabalhos está justamente nos treinadores. Menta, ex-zagueiro do São Paulo e comandante do sub-20, foi formado no clube desde que dirigia o sub-15, em 2009. Osmar Loss, que dirige o Corinthians, já passou até pelos profissionais do Internacional. Em 2006, já era campeão brasileiro sub-20 no Sul. Hoje, Loss é um dos raros treinadores na base do país que não trabalham sob o regime de CLT.

Veja a origem de alguns jogadores contratados dos dois times:

Corinthians: Léo Príncipe (Flamengo), Rodrigo San (Marília), Raphael (Red Bull), Marciel (Roma-ITA), Matheus Vargas (Grêmio Osasco), Rodrigo Figueiredo (Red Bull), Yan (Desportivo Brasil) e Gabriel Vasconcelos (Fluminense), Gustavo Viera (Rubio Ñú-PAR, está no Sul-Americano sub-20).

São Paulo: Inácio (Bahia), Foguete (Vasco) e Luiz Araújo (Mirassol, aos 16 anos). 

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