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Fórmula 1


Nova série do Netflix sobre F-1 acerta ao focar em lado humano e 2º pelotão

Netflix/Reprodução
Imagem: Netflix/Reprodução

Emanuel Colombari

Do UOL, em São Paulo

09/03/2019 04h00

Há alguns anos que a Fórmula 1 tem - e assume ter - um problema: a distância entre as principais equipes e o chamado pelotão intermediário. E isso fica bem claro nos dez episódios de 'Fórmula 1: Dirigir para viver', série documental dos produtores James Gay-Rees e Paul Martin que a Netflix está lançando para contar como foi a temporada 2018 da categoria máxima do automobilismo mundial. A novidade foi apresentada ontem no catálogo da plataforma para assinantes ao redor do mundo.

Só que o pelotão intermediário de 2018 é o principal trunfo da série. Ao invés de se concentrar na disputa entre Mercedes e Ferrari pelas primeiras posições - uma vez que as duas equipes decidiram não participar - ou especificamente nos duelos entre Lewis Hamilton e Sebastian Vettel pelo título, a produção foca na briga entre Red Bull, Renault, Haas, McLaren, Force India e Sauber. Mesmo Toro Rosso e Williams, as duas últimas colocadas do Mundial de Construtores, são lembradas em alguns momentos - embora sem os mesmos holofotes.

Para quem não é fã da categoria máxima do automobilismo, 'Fórmula 1: Dirigir para viver' pode ser um bom entretenimento. Munida de entrevistas com pilotos, familiares, dirigentes e jornalistas, a produção muitas vezes deixa de lado a disputa por posições e aposta em questões humanas: sucesso e fracasso, erros e acertos, pressão, rotina, família. Muitas vezes, para contextualizar informações, recorre a imagens antigas que não deixam ninguém perdido diante da tela.

Diante de tal cenário, ao invés de ver a vitória de Vettel na Austrália, você vai ver a tensão dos pais de Daniel Ricciardo assistindo à corrida. Com a aposentadoria de Fernando Alonso em segundo plano, você verá o bicampeão como ídolo e adversário de Carlos Sainz - justamente seu substituto na McLaren a partir da temporada 2019.

De um ponto de vista bastante particular, é possível acompanhar algumas importantes questões de bastidores do último ano. Os problemas da Red Bull com os motores Renault estão lá. A instabilidade de Romain Grosjean na Haas também. Assim como os recorrentes desentendimentos entre Sergio Pérez e Esteban Ocon na Force India e a indefinição do futuro do time diante dos problemas de Vijay Mallya com as autoridades indianas.

Mas a intensa disputa no pelotão intermediário também é capaz de agradar aos fãs mais apaixonados da Fórmula 1, mesmo diante das ausências de Ferrari e Mercedes. Com imagens escolhidas a dedo das corridas e intensos diálogos via rádio, dá para curtir os altos e baixos de boa parte do grid (inclusive com informações que foram mantidas em sigilo durante a temporada) e criar bastante expectativa com a temporada 2019, que começa no próximo fim de semana, em Melbourne (Austrália).

Assim, o produto deixa claro: o pelotão intermediário está agitado e cheio de expectativas de brigar por melhores resultados. É o que Günther Steiner, chefe de equipe da Haas, resume logo no primeiro episódio: "Você quer ver ação, quer ver drama, quer ver o azarão conseguir um bom resultado. Uma história. Cada corrida deve ter uma história, e a história não deve ser sempre Mercedes ou Ferrari ganhando. Porque essa história fica velha rapidinho". Se as duas equipes em questão forem mais ameaçadas por quem vem atrás, os próprios fãs da F-1 devem agradecer.