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Tales Torraga

REPORTAGEM

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TVs e rádios argentinas deliram com tri: 'Messi é patrimônio da humanidade'

Messi comemora gol da Argentina na final da Copa do Mundo do Qatar, contra a França - Divulgação/Copa do Mundo da FIFA
Messi comemora gol da Argentina na final da Copa do Mundo do Qatar, contra a França Imagem: Divulgação/Copa do Mundo da FIFA

Colunista do UOL, em São Paulo

18/12/2022 14h55

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Loucura total e histórica. A explosão vivida pela Argentina com o título da Copa do Mundo de 2022 transformou narradores e comentaristas das rádios e TVs do país em torcedores na loucura que vai durar até o fim dos tempos naquela que é considerada a "maior final de todos os tempos, não só das Copas".

Teve de tudo: choro, palavrão, muitas referências a Diego Maradona e um inesgotável orgulho pela atuação da azul e branca, que "jogou como manda a história", como comentou o técnico César Luis Menotti, campeão da Copa de 1978, no canal de TV C5N.

"É baile! É baile! Chamamos o campeão para dançar um tango cantado por Gardel, que é argentino", exagerou, aos berros, o narrador Leonardo Gentili, da Rádio La Red, a mais ouvida do esporte em Buenos Aires, instantes depois do 2 a 0.

(A referência, claro, era à França, onde nasceu Carlos Gardel, o rei do tango argentino.)

Na Rádio D Sports, uma novidade para a Copa do Qatar, o delírio vivido pelo locutor Sebastián Vignolo era sobre um termo muito comum no país: "Estamos brindando a vitória do futebol champanhe", cravou, ainda no fim do primeiro tempo, quando o técnico francês, Didier Deschamps, começou a mexer no time.

(Uma tradução aproximada de "Futebol champanhe" seria o "Jogo bonito" brasileiro.)

A raça demonstrada pelo time, como era de se imaginar, foi destacada ao longo de toda a decisão.

"Que energia, que time sério. Os franceses querem inventar alguma coisa e os argentinos não deixam", apontava o lendário narrador Victor Hugo Morales, na Rádio Nacional.

Uma das vozes mais sóbrias do futebol argentino, o comentarista Enrique Macaya Márquez, em sua 17ª cobertura de Copa do Mundo, destacava a azarada frase de Kylian Mbappé, que considerou o futebol europeu superior ao sul-americano antes desta Copa do Mundo.

"Está muito claro que a Argentina usou esta frase como motivação", ponderou.

"Se não sofre, não vale", resumia o comentarista Gustavo López, com o gol de pênalti de Kylian Mbappé, instantes depois de argumentar que o resultado mais justo seria uma goleada da Argentina.

Foi tudo tão rápido que o tom das transmissões passou para o famoso "do êxtase à agonia". "Que loucura. A Argentina era um boxeador que ganhava tranquilo por pontos e quase é nocauteada no último assalto", resumia ele, no começo da prorrogação, quase sem forças.

Sem forças estavam todos para gritar o gol de Messi na prorrogação, o tento mais importante da Argentina em Copas em 1986, gerando chavões como "final de filme" e "olha o país em delírio", como gritava, chorando, Rodolfo de Paoli na TV TyC Sports.

O empate da França encontrou a natural decepção, mas com uma firmeza diferente do primeiro empate, quando realmente acusaram o golpe.

As cobranças por pênaltis foram seguidas com o nervosismo habitual, se lembrando de Carlos Bilardo e sua mania de secar o adversário, e no fim houve a explosão esperada.

Tanto na TV especializada como na TV Pública, a análise era uma só: "Messi é um patrimônio da humanidade. E joga com a camisa argentina".