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Tales Torraga

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Como foi o vexame do Boca Juniors no último jogo antes de pegar Corinthians

Volante Ramírez chuta a gol no Boca x Banfield pelo Campeonato Argentino - Twitter Boca Juniors
Volante Ramírez chuta a gol no Boca x Banfield pelo Campeonato Argentino Imagem: Twitter Boca Juniors
Tales Torraga

Jornalista e escritor, Tales Torraga nasceu em Mogi das Cruzes (SP), mas é, segundo os colegas, "mais argentino que os próprios argentinos". Morou em Buenos Aires e Montevidéu, girou pela imprensa brasileira e portenha e escreveu 15 livros ? o último deles, Copa Loca, é sobre a...Argentina nos Mundiais.

Colunista do UOL

02/07/2022 08h09

O Boca Juniors foi humilhado pelo Banfield na noite de ontem (1º), em plena Bombonera lotada. O clube xeneize perdia por 3 a 0 já aos 38 minutos, e o placar persistiu até o fim. O jogo valeu pela sexta rodada do Campeonato Argentino.

O Boca agora é o sétimo no torneio local, com 9 pontos, enquanto o Banfield vem em terceiro, com 11. O líder é o Newell's Old Boys, com 13.

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Atacante Orsini tenta jogada pelo Boca Juniors contra o Banfield
Imagem: Twitter Boca Juniors

Liquidando prestígio

O Boca jogou com o time reserva. Dos atletas que entraram em campo na Neo Química Arena, apenas o lateral-esquerdo Sández e o volante Campuzano atuaram também na noite de ontem na Bombonera. A ideia do técnico Sebastián Battaglia era clara: preservar o elenco todo para a decisão de terça (5) contra o Corinthians.

O time levado a campo pelo Boca, porém, não era fraco o suficiente para justificar o 3 a 0.

Desde o goleiro Javi García, passando pelo volante Ramírez, e incluindo o atacante Vázquez, a escalação tinha nomes interessantes que em algum momento já foram titulares pelo clube portenho. Villa, Benedetto e Rossi, para citar três jogadores de peso, ficaram no banco e não saíram dele, o que gerou muitas críticas nas transmissões de rádio em Buenos Aires.

"Para quê levá-los ao banco então?", foi a questão levantada pelo comentarista Toti Pasman na Rádio La Red, a mais ouvida do esporte na capital portenha.

Outra ponderação negativa foi enganar o torcedor.

A noite portenha de sexta-feira foi das mais geladas, registrando apenas 8 graus no bairro de La Boca. Com o estádio às margens do Rio Riachuelo, a região certamente era das mais frias de toda a capital, e ainda assim o público compareceu em peso e empurrou a equipe mesmo perdendo por 3 a 0.

"Se é assim, deixando os medalhões no banco, por que não avisar o torcedor e deixá-lo quieto em casa? Mandar sua torcida para a arquibancada com frio e garoa, e dando este vexame, é coisa de time pequeno, não de Boca Juniors", ponderou Pipi Novello, outro comentarista da La Red.

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Sebastián Battaglia, técnico do Boca Juniors
Imagem: Divulgação CABJ

Cumprindo tabela

O argumento de Battaglia depois da partida era citar que o Boca vem de ser campeão argentino na Copa da Liga Profissional. A vaga na próxima Libertadores já está garantida, e valia mais a pena livrar os jogadores de qualquer lesão para o confronto contra o Corinthians.

O olhar pragmático é válido, mas a torcida saiu da Bombonera enfurecida, deixando clara a insatisfação com o que se viu.

Cantos como "quero a Libertadores e matar as galinhas [apelido pejorativo do torcedor do River na Argentina]" e "na terça, custe o que custar, teremos que ganhar" foram ouvidos durante todo o segundo tempo e durante as entrevistas com o público depois da partida.

O jogo foi para cumprir tabela, é verdade. Mas a derrota por 3 a 0 foi bastante indigesta (poderia ser até o dobro, porque o Banfield esqueceu de jogar na segunda metade). Os ânimos estão ainda mais acirrados para enfrentar o Corinthians, e este Boca provou: tem um time titular muito bom, mas vai se complicar se precisar do seu banco de reservas na próxima terça.