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Tales Torraga

REPORTAGEM

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Histórico de confusão: relembre outras brigas de times argentinos no Brasil

Até um bebedouro foi arremessado durante a confusão no Mineirão - Reprodução
Até um bebedouro foi arremessado durante a confusão no Mineirão Imagem: Reprodução
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Tales Torraga

Jornalista e escritor, Tales Torraga nasceu em Mogi das Cruzes (SP), mas é, segundo os colegas, "mais argentino que os próprios argentinos". Morou em Buenos Aires e Montevidéu, girou pela imprensa brasileira e portenha e escreveu 15 livros ? o último deles, Copa Loca, é sobre a...Argentina nos Mundiais.

Colunista do UOL

21/07/2021 09h55Atualizada em 21/07/2021 11h04

A classificação do Atlético-MG nos pênaltis em cima do Boca Juniors foi marcada por uma grande confusão no vestiário do Mineirão. O triste desfecho teve grades arremessadas, quebra-quebra e argentinos levados à delegacia.

A confusão não foi a primeira envolvendo times argentinos no Brasil. A coluna relembra outros três episódios:

São Paulo x Quilmes

Na fase de grupos da Libertadores de 2005, o São Paulo recebeu o Quilmes e o atacante Grafite, do São Paulo, se desentendeu com o zagueiro argentino Desábato, em um episódio que quase resultou em injúria qualificada por racismo.

À época, o atacante insistia que ia levar o caso até o fim. Grafite acusava Desábato de chamá-lo de 'negro de merda". O zagueiro disse, por sua vez, que só mandou o rival enfiar uma banana no 'culo" e que o chamou de 'cagón". O argentino chegou a ficar 36 horas preso em São Paulo e teve de pagar fiança para ser solto.

Logo depois do incidente, os gramados argentinos viram inúmeras manifestações ofensivas de torcedores contra Grafite, principalmente em jogos do Quilmes, como cartazes com desenhos de macaco que incluíam o nome do atacante.

São Paulo x Tigre

A final da Copa Sul-Americana 2012 entre Tigre e São Paulo foi interrompida após uma briga entre os jogadores argentinos e os atletas e seguranças do São Paulo. O clube paulista vencia a partida por 2 a 0 quando o time do Tigre se recusou a voltar e jogar o segundo tempo. Eles alegavam que foram agredidos e ameaçados pelos seguranças do tricolor paulistano. O São Paulo foi declarado vencedor do torneio.

No dia 13 de dezembro daquele ano, o UOL Esporte informou que durante o depoimento à polícia, os jogadores argentinos do Tigre recuaram e não registraram na ocorrência a suposta ameaça com armas de fogo que teriam sofrido dentro do vestiário.

"Aquilo é uma farsa e todos nós sabemos disso", disse Juvenal Juvêncio, então presidente do São Paulo. "Começou no campo, a vista de 67 mil torcedores que estavam lá. Eles não são malucos de reafirmarem isso. Não existe isso de armamento. Todos viram o que aconteceu. Não tem o que eles alegarem. Tem que achar outra desculpa, pois essa não deu certo."

Atlético-MG x Arsenal

Pela fase de grupos da Libertadores de 2013, uma confusão entre polícia mineira e jogadores do Arsenal de Sarandí, após o jogo da equipe argentina contra o Atlético-MG, pela Copa Libertadores (vitória do Atlético por 5 a 2), fez com que a imprensa do país vizinho se revoltasse e criticasse fortemente o Brasil.

Depois da partida, jogadores e membros da delegação do clube argentino entraram em confronto com policiais militares ainda no gramado do Independência. A confusão seguiu até a porta do vestiário, onde houve troca de agressões e uma cadeira foi atirada nos policiais.

O jornal "Olé" culpou exclusivamente a polícia, e chamou o ocorrido de "mais uma vergonha no país que receberá a próxima Copa".

O "La Nación", por sua vez, simplesmente estampou a manchete "vergonha brasileira", e publicou um vídeo do ocorrido, sem opinar sobre qual lado seria o culpado pela confusão.