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Tales Torraga

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Como Sampaoli foi o "ajudante secreto" da seleção argentina na Copa de 2014

Técnico Sampaoli é apresentado na seleção argentina - Gustavo Garello/Reuters
Técnico Sampaoli é apresentado na seleção argentina Imagem: Gustavo Garello/Reuters
Tales Torraga

Jornalista e escritor, Tales Torraga nasceu em Mogi das Cruzes (SP), mas é, segundo os colegas, "mais argentino que os próprios argentinos". Morou em Buenos Aires e Montevidéu, girou pela imprensa brasileira e portenha e escreveu 15 livros ? o último deles, Copa Loca, é sobre a...Argentina nos Mundiais.

Colunista do UOL

20/03/2021 12h00

Técnico da seleção do Chile na Copa do Mundo de 2014, Jorge Sampaoli fez uma "hora extra" para ajudar a Argentina a sair do Brasil como campeã mundial. A revelação surgiu ontem, quase sete anos depois, em uma ótima entrevista dos então auxiliares do treinador Alejandro Sabella, Claudio Gugnali e Julian Camino, à ESPN da Argentina.

Gugnali e Camino revelaram que as trocas de ideias entre Sabella e Sampaoli foram frequentes naquele Mundial, e as anotações do "ajudante secreto" foram particularmente úteis na semifinal contra a Holanda - adversária, afinal, do Chile na primeira fase da Copa em jogo que terminou 2 a 0 para a Laranja.

"Sampaoli somou seu grãozinho de areia, foi um espião e um ajudante externo bem valioso", contou Camino. "Ele foi muito generoso ao compartilhar com a gente toda a análise do Chile sobre a seleção da Holanda. Muita informação que nos traçou um caminho para aquela semifinal."

Gugnali lembrou que a eletricidade e a "argentinidade exacerbada" de Sampaoli ajudaram ainda mais em uma situação específica: "Aquela foi uma semifinal muito dura pela morte do Topo López [jornalista argentino vítima de acidente de trânsito em São Paulo]. Muitos jogadores eram amigos deles. Ter o Jorge ali tão agitado nos serviu para reforçar o foco no jogo."

A Argentina se trancou na defesa, segurou a Holanda no 0 a 0 e avançou nos pênaltis à final contra a Alemanha, que arrasou o Brasil com o lendário 7 a 1. O Brasil já havia sofrido com o Chile de Sampaoli nas oitavas, avançando só nos pênaltis, e um novo e gordo relatório estava à espera de Sabella em caso de confronto com os brasileiros.

A boa vontade de Sampaoli com a seleção argentina foi tamanha que na Copa seguinte - a de 2018, na Rússia - ele era o comandante principal, mas sem conseguir melhorar a obra de Sabella. Foi eliminado pela França logo nas oitavas com um 4 a 3 e atuação histórica de Mbappé.