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Tales Torraga

Explosivo, Heinze detonaria o futebol brasileiro

Tales Torraga

Jornalista e escritor, Tales Torraga nasceu em Mogi das Cruzes (SP), mas é, segundo os colegas, "mais argentino que os próprios argentinos". Morou em Buenos Aires e Montevidéu, girou pela imprensa brasileira e portenha e escreveu 15 livros ? o último deles, Copa Loca, é sobre a...Argentina nos Mundiais.

Colunista do UOL

16/10/2020 06h04

"Rude" e "obsessivo". As definições da imprensa argentina para Gabriel Heinze nos últimos anos também foram críticas. Seu estilo de jogo ganhou aplausos, mas o tato com jogadores e dirigentes foi questionado pela mídia e pelas pessoas que o cercaram.

Gabriel Heinze, técnico do Vélez Sarsfield - Divulgação - Divulgação
Gabriel Heinze, técnico do Vélez Sarsfield
Imagem: Divulgação

Desejado por boa parte dos palmeirenses, Heinze está com 42 anos e é técnico há cinco - em 2015, comandou o Godoy Cruz, de Mendoza, por apenas três meses, pois não tinha registro de treinador. Nos jogos, ficava na plateia. A relação com a diretoria beirou o insuportável, e ele foi demitido justamente pela questão burocrática. Suas passagens por Argentinos Juniors e Vélez Sarsfield também arrastaram um desgaste gradual. "Não voltaria a contratá-lo", disparou o presidente do Vélez, Sergio Rapisarda.

A favor de Heinze está a sua "honestidade brutal" e a sua repulsa às meias verdades que caracterizam os arcaicos dirigentes argentinos. Preza 1000% pelo combinado, por isso seus dois últimos trabalhos terminaram antes do previsto. El Gringo, como é chamado pela feição europeia, via seus pedidos não serem atendidos e caía fora sem atirar publicamente. "Por que saio? Já disse na cara de quem deveria ouvir", falou mais de uma vez.

Outro entrave? Seu jeito excêntrico de ser. "Ele é um pouco especial", resumiu o presidente do Vélez, lembrando que Heinze impede diretores e jogadores no mesmo ambiente - já desceu do ônibus e foi de táxi ao hotel quando viu o mandatário no veículo da equipe depois de jogar pelo Campeonato Argentino.

Teve mais. Limitou celulares e videogames nas concentrações, vigiou o peso dos jogadores de maneira obsessiva e implicou com quem usava chuteira desamarrada no vestiário. No Vélez, Heinze dormiu no clube, seguiu de perto as categorias de base e comprou briga até pelos colchões que eram usados entre os juvenis.

Trabalhar com ele exigiria uma disciplina resoluta - e uma paciência ainda maior. No Palmeiras ou qualquer outro clube brasileiro que tope seus caprichos, seria um bombardeio diário de histórias curiosas. Mas sem garantias de um final - sequer um meio - feliz.