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Brasileiro Gilbert Klier é suspenso provisoriamente em caso de doping

Gilbert Klier no Challenger de Salvador em 2022 - Luiz Candido/CBT
Gilbert Klier no Challenger de Salvador em 2022 Imagem: Luiz Candido/CBT
Alexandre Cossenza

Alexandre Cossenza é bacharel em direito e largou os tribunais para abraçar o jornalismo. Passou por redações grandes, cobre tênis profissionalmente há oito anos e também escreve sobre futebol. Já bateu bola com Nadal e Federer e acredita que é possível apreciar ambos em medidas iguais. Contato: ac@cossenza.org

Colunista do UOL

24/06/2022 12h55

A Agência Internacional de Integridade no Tênis (ITIA) informou, nesta sexta-feira, que o tenista brasileiro Gilbert Klier, de 22 anos e atual número 354 do mundo no ranking da ATP, está suspenso provisoriamente em um caso de doping.

Segundo o comunicado da ITIA, após um teste antidoping realizado em abril, durante o Challenger da Cidade do México, foi encontrada a substância proibida SARM S-22 na amostra fornecida pelo brasileiro.

O tenista exerceu seu direito e pediu que a amostra B fosse analisada, mas o resultado da amostra A foi confirmado. Klier, agora, aguarda investigação e julgamento antes de poder voltar a competir. A suspensão é por tempo indeterminado.

A substância SARM S-22 é um modulador seletivos de receptores de androgênio, usado principalmente para ganhar massa muscular. SARMs são populares entre fisiculturistas e nas academias, mas proibidos no esporte de alto rendimento.

Uma pequena quantidade de SARM S-22 foi encontrada em um exame antidoping de de Bia Haddad Maia em 2019. A paulista, hoje no top 30, foi suspensa por 10 meses após sua defesa convencer o tribunal de que ela ingeriu a substância sem saber, consequência de contaminação cruzada na farmácia de manipulação que produzia os suplementos então consumidos pela tenista.

Na ocasião, o tribunal que julgou a brasileira aplicou uma pena maior que as recebidas por Marcelo Demoliner (três meses), Thomaz Bellucci (cinco meses) e Igor Marcondes (nove meses), que também foram flagrados em casos de doping. A Federação Internacional de Tênis, que recomenda expressamente que tenistas evitem suplementos fabricados em farmácias de manipulação, julgou que Bia tinha "mais culpa do que cada um desses jogadores porque teve aviso maior, particularmente em respeito aos perigos de tais suplementos feitos em farmácias de manipulação."

Não se sabe ainda qual será a defesa de Klier, se houver ocorrido novo caso de contaminação cruzada, é provável que a ITF suspenda o brasiliense por um período ainda maior que os dez meses de Bia Haddad.

Em sua conta no Instagram, Klier se disse surpreso com o resultado do teste e que "em nenhum momento fui imprudente ou negligente neste caso ou durante a minha carreira." O atleta não afirma como a substância entrou em seu corpo, mas reforça estar trabalhando junto com sua equipe e seus advogados para demonstrar inocência e voltar a competir o mais cedo possível (leiam a íntegra de sua declaração acima).

Em dez anos, dez suspensos e dois banidos

Com a informação sobre Klier, o tênis brasileiro alcança a marca de uma dezena de casos de doping nos últimos dez anos. Lembremos:

09.12 - Romboli (furosemida e hidroclorotiazida) - 8 meses e meio
02.16 - Demoliner (hidroclorotiazida) - 3 meses
06.16 - Américo Lanzoni (norandrosterona) - 3 anos e 9 meses
06.16 - Yuri Andrade (metandienona e clembuterol) - 3 anos e 9 meses
07.18 - Bellucci doping (hidroclorotiazida) - 5 meses
09.18 - Marcondes (hidroclorotiazida) - 9 meses
07.19 - Bia Haddad (SARM S-22 e SARM LGD-4033) - 10 meses
11.19 - Camila Bossi (SARM S-22) - 6 meses (juvenil de 16 anos)
03.22 - Marcondes (whereabouts) - 3 anos (reincidente)
06.22 - Klier (SARM S-22) - suspensão provisória

Além disso, o Brasil teve dois tenistas banidos do esporte devido a seu envolvimento em casos de manipulação de resultados. Em 2019, Diego Matos foi banido e multado em mais de US$ 125 mil após Richard McLaren, principal nome da agência anticorrupção do esporte, concluir que ele combinou o resultado de 10 partidas disputadas em 2018 em torneios de nível ITF em Brasil, Sri Lanka, Equador, Portugal e Espanha. O tenista também foi considerado culpado de não cooperar com investigações da entidade, sem fornecer seus registros telefônicos ou movimentações financeiras.

Em 2020, João Souza, o Feijão foi banido pelo resto da vida e multado em US$ 200 mil. O brasileiro foi considerado culpado em casos de manipulação de resultado em torneios das séries Challenger e Future no Brasil, no México, nos Estados Unidos e na República Tcheca. Além disso, a agência anticorrupção informou que o atleta: deixou de relatar propostas para manipular resultados; não cooperou totalmente com a investigação, inclusive destruindo provas; e pediu a outros tenistas que não dessem seu melhor dentro de quadra.

Outro brasileiro envolvido em um caso de corrupção foi Pertti Vesantera, ex-técnico de Feijão. Em 2020, ele foi suspenso por cinco anos e multado em US$ 15 mil. A investigação revelou que Vesantera fez 184 apostas online entre os dias 3 de janeiro de 2019 e 6 de março de 2019; deixou de relatar conhecimento ou suspeita de atividade corrupta de uma outra pessoa; facilitou aposta por uma terceira pessoa ao abrir uma conta bancária em seu próprio nome e depositar dinheiro em nome do conhecido; e deixou de cooperar com uma investigação da agência anticorrupção sobre sua suposta atividade corrupta.