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Doping: punição de Bia teve 'herança' de Demoliner, Bellucci e Marcondes

Mark Cristino/EFE
Imagem: Mark Cristino/EFE
Alexandre Cossenza

Alexandre Cossenza é bacharel em direito e largou os tribunais para abraçar o jornalismo. Passou por redações grandes, cobre tênis profissionalmente há oito anos e também escreve sobre futebol. Já bateu bola com Nadal e Federer e acredita que é possível apreciar ambos em medidas iguais. Contato: ac@cossenza.org

Colunista do UOL

10/02/2020 14h52

A Federação Internacional de Tênis (ITF, na sigla em inglês) anunciou nesta segunda-feira que Beatriz Haddad Maia foi punida com dez meses de suspensão por doping. A número 1 do Brasil estava cumprindo suspensão provisória desde 22 de julho do ano passado e será liberada para competir a partir de 22 de maio. A paulista ficará fora de Roland Garros e não terá ranking para sequer disputar o qualifying de Wimbledon.

O caso de Bia não é tão diferente assim dos dopings de Marcelo Demoliner, Thomaz Bellucci e Igor Marcondes. Os três ingeriram substâncias proibidas que estavam em suplementos vitamínicos produzidos por farmácias de manipulação. O gaúcho, primeiro a ser flagrado, pegou três meses de gancho; Bellucci ficou cinco meses sem poder competir; e Marcondes, caso mais recente, foi suspenso por nove meses.

Divlugação
Imagem: Divlugação
Os casos, bastante divulgados, pesaram contra Bia. A brasileira, que na ocasião do exame antidoping que deu positivo era patrocinada pela Eurofarma, conseguiu provar que as substâncias proibidas foram ingeridas em um suplemento contaminado e também mostrou que a tenista tinha certo cuidado com antidoping. Ela, inclusive, trocou emails com a IDTM (International Doping Tests & Management, empresa contratada pela ITF para, entre outras coisas, dar assistência a atletas e responder se certas substâncias são permitidas), listando os ingredientes de seus suplementos.

A sentença, no entanto, cita o caso de Cesar Cielo, que teve um teste positivo após ingerir um comprimido de cafeína contaminado produzido por uma farmácia de manipulação. O texto ainda diz que "além disso, outros três tenistas brasileiros (Marcelo Demoliner, Thomaz Bellucci e Igor Marcondes) testaram positivo para substâncias proibidas nos últimos quatro anos. Em cada caso, o teste positivo foi provocado pela contaminação de tais suplementos produzidos por farmácias de manipulação. Esses jogadores receberam suspensões de três, cinco e nove meses, respectivamente. Esses casos foram relatados no site da ITF e na imprensa." ? "A Jogadora tem mais culpa do que cada um desses jogadores porque teve aviso maior, particularmente em respeito aos perigos de tais suplementos feitos em farmácias de manipulação. Portanto, a ITF propôs e a Jogadora aceitou um período de inelegibilidade de dez meses."

A ITF usou redação semelhante ao punir Marcondes em setembro de 2018.

Entidade alerta contra farmácias sul-americanas

Em uma nota de rodapé na sentença de Bia, a ITF lembra de mais dois casos recentes de doping por contaminação de suplementos: a juvenil brasileira Camila Bossi, que levou apenas cinco meses de suspensão porque contou a seu favor o fato de ter apenas 15 anos; e o argentino Franco Agamenone, também punido com dez meses de gancho. Ele leva a mesma suspensão de Bia por ter o mesmo "aviso", ou seja, saber dos três casos de brasileiros.

Na mesma nota, em negrito, a ITF escreve que "é aparente que a ingestão de tais suplementos, em particular os feitos na América do Sul, traz um grau significativo de risco para atletas sujeitos a regras antidoping, e a ITF urge todos jogadores a tomarem cuidado extremo se optarem por ingerir tais suplementos, particularmente em relação ao risco de que esses suplementos podem conter ingredientes não-listados ou contaminantes."

Chileno se defende acusando farmácia brasileira

Um recente e curioso caso de doping é o do chileno Nicolás Jarry, que atualmente cumpre suspensão provisória por causa de um exame realizado na Copa Davis, em novembro do ano passado, que deu positivo. Em sua conta no Instagram, o jovem de 24 anos escreveu que "parece um caso de contaminação cruzada de um complexo multivitamínico fabricado no Brasil que meu médico recomendou, já que tinham a garantia de não conter substâncias proibidas."

Coisa que eu acho que acho:

Como já comentei no último podcast Quadra 18, me parece estranhíssima a defesa de Nicolás Jarry. Não que seja mentira e não que seja uma crítica apenas ao chileno (vale também para Bia), mas se alguém leu o noticiário antidoping (ou pelo menos o site da ITF) nos últimos cinco anos, deve saber que o Brasil não é exatamente o lugar mais confiável do planeta para se encomendar um complexo multivitamínico a uma farmácia de manipulação.

Entendo que Bia mande produzir algo em São Paulo porque é onde sua família mora, mas me espanta que um chileno venha até o Brasil para isso. De qualquer modo, a ITF segue aumentando as punições para quem insiste em usar farmácias de manipulação. Daqui a pouco, vai ter gente "contaminada" pegando dois anos de gancho. Já não dá para dizer que ninguém avisou.

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