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5 coisas que registramos no Rio Open sobre o potencial de Thiago Wild

Thiago Wild nas oitavas de final do Rio Open 2020 -
Thiago Wild nas oitavas de final do Rio Open 2020
Alexandre Cossenza

Alexandre Cossenza é bacharel em direito e largou os tribunais para abraçar o jornalismo. Passou por redações grandes, cobre tênis profissionalmente há oito anos e também escreve sobre futebol. Já bateu bola com Nadal e Federer e acredita que é possível apreciar ambos em medidas iguais. Contato: ac@cossenza.org

Colunista do UOL

21/02/2020 04h29

O jovem Thiago Wild, de 19 anos, atual número 206 do mundo, viveu dias memoráveis durante esta semana, no Rio Open. Na estreia, derrotou o espanhol Alejandro Davidovich Fokina, #90 do planeta aos 20 anos, em 3h49min de jogo. Nesta quinta, voltou à quadra principal do torneio e fez um jogo duríssimo com o croata Borna Coric, ex-número 12 e atual 32º do ranking. O brasileiro emparelhou o jogo, foi o melhor tenista em quadra por boa parte do encontro, teve chances de vencer e só saiu derrotado no tie-break do terceiro set, superado por 6/3, 1/6 e 7/6(5).

Wild fez mais winners do que Coric (30 a 29), cometeu menos erros não forçados (15 a 22), disparou mais aces (8 a 7), converteu mais break points (3 a 2), teve melhor aproveitamento de primeiro saque (67% a 60%), venceu mais games (15 a 14) e somou mais pontos (93 a 86). Porém, antes que alguém faça aquela piada sobre jogar de igual para igual (o que Wild fez) e perder na prorrogação (ou no tie-break), vale apontar um punhado de coisas que podem deixar o fã de tênis brasileiro otimista quanto ao futuro de Wild e torcendo para que a exibição contra Coric tenha sido apenas um aperitivo do que está por vir.

1. Tênis agressivo, mas sem exageros

Tanto contra Coric quanto contra Davidovich Fokina, Thiago Wild foi fiel a seu estilo de jogo e, verdade seja dita, conseguiu se impor contra ambos top 100. Fokina ficou preso no fundo na maioria dos pontos e até se virou bem, especialmente com curtinhas, quando conseguiu colocar o brasileiro na defensiva, mas passou um bom tempo correndo atrás da bolinha.

Coric, muito mais consistente do que Fokina, também defendeu mais do que atacou nos últimos dois sets. Ao fim do jogo, o croata admitiu que, "especialmente no terceiro set, senti que ele era o melhor jogador. Eu estava apenas me segurando, tentando sobreviver."

É preciso dizer também que Wild não se deixou "empolgar" em momento algum. Buscou sempre atacar, mas não fez loucuras. Não tentou winners de lugares ruins nem desequilibrado (a não ser quando Coric subia à rede). Encontrar o momento certo para atacar mostra que o paranaense vem evoluindo constantemente, não só em execução, mas em…

2. Leitura de jogo

Thiago fez uma avaliação perfeita do que deu errado no primeiro set contra Coric e fez os ajustes certos a partir do começo da segunda parcial. "Estava jogando errado", disse na coletiva pós-jogo. "Estava esperando o erro dele, e com isso ele conseguia tomar a iniciativa do ponto."

Isso mudou na segunda parcial, juntamente com um fundamento chave: o primeiro saque. Com 44% de aproveitamento no set inicial, o brasileiro foi vítima de excelentes devoluções de Coric. A resposta veio: 84% de aproveitamento no segundo set e 77% no terceiro (85% antes do início do tie-break). Assim, anulou as devoluções do rival e jogou "em paz" seus games de serviço até o fim do jogo.

3. Primeiro saque

Wild (1,85m segundo a ATP) não tem um canhão como um John Isner ou um Ivo Karlovic no primeiro serviço, mas sabe o que fazer com o golpe. Consegue gerar bastante potência, tem variação e, quando mantém o aproveitamento lá no alto - como fez contra Coric - joga solto e com menos pressão. O que o adolescente mostrou nas oitavas de final do Rio Open (não tanto na estreia, quando saiu de quadra reclamando do saque) impressionou.

4. Coragem até o fim

Contra Fokina, Wild precisou salvar três match points seguidos, sacando em 0/40 no fim do segundo set. Pois salvou-se e o fez atacando sempre. Nos três pontos, buscou a iniciativa dos pontos, sem encurtar o braço.

Nesta quinta, fez o mesmo diante de Coric. Sacando em 4/6 no tie-break, disparou um winner de direita - de dentro para fora - que era nada simples fácil de ser executado. No ponto seguinte, com Coric sacando em 6/5, Wild agrediu também. Dessa vez, errou uma direita e perdeu a partida. Ainda assim, vale a ressalva: o brasileiro jogou os pontos importantes fiel a seu estilo, sem o encurtar ou prender o braço.

5. Respeito pelo rival, entendimento do esporte

Quando chegou na sala de coletivas e foi bombardeado com os números que lhe favoreciam na partida contra Coric, Wild evitou o "merecia ter vencido". Reconheceu o mérito do croata, explicando que "tênis não depende de winners e bolas vencedoras. Ele jogou melhor os momentos decisivos, aproveitou melhor as chances que teve."

O primeiro passo para alguém entender e aceitar uma derrota em um dia assim, jogando em um nível muito acima do que está acostumado, é entender as peculiaridades de seu revés. Thiago já deu esse passo.

Coisas que eu acho que acho:

- Wild ainda precisa trabalhar bastante seu segundo saque, que é vulnerável nesse nível de jogo. Contra Fokina, quando não teve tão bom aproveitamento de primeiro serviço, o brasileiro ficou exposto demais ao espanhol. Sorte que Fokina acomodou-se devolvendo lá do fundão. Coric, por sua vez, agrediu sempre que possível e mostrou que o bons devolvedores podem fazer com o atual segundo serviço do paranaense.

- Vocês encontram mais análise de Wild x Coric, inclusive com as declarações em áudio de ambos, no Podcast Rio Open, que estou produzindo diariamente durante o torneio carioca. Vocês podem ouvi-lo no Spotify, na Apple Podcasts, no Podbean, na Deezer, no Stitcher, no TuneIn e no Castbox.

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