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Rodrigo Coutinho

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Profundidade do elenco alviverde deixa recado ao hegemônico Flamengo

Rodrigo Coutinho

Rodrigo Coutinho é jornalista e analista de desempenho. Acredita que é possível abordar o futebol de forma aprofundada e com linguagem acessível a todos.

Colunista do UOL

11/04/2021 14h19

Rubro-negros e palestrinos atenderam as expectativas geradas pelos clubes mais vencedores do Brasil nas últimas temporadas. A Supercopa disputada em Brasília, na manhã deste domingo, e vencida pelo Mais Querido na decisão por pênaltis, teve um Palmeiras mais regular e executando sua estratégia com eficiência. Em parte, por um detalhe que pode atrapalhar a temporada do clube carioca.

É basicamente unânime que, quando se trata de time titular, o Flamengo segue sendo o melhor do país, mas o jogo mostrou na prática que o elenco do Palmeiras oferece mais opções e equilíbrio a Abel Ferreira. Em uma temporada de muitas ''Datas Fifa'' e quase metade do Campeonato Brasileiro e da Libertadores prejudicados também por uma injustificável Copa América, é urgente que a diretoria rubro-negra busque peças que diminuam a distância entre titulares e reservas.

A chegada de Bruno Viana é um exemplo do nível de atleta e tipo de investimento que pode ajudar o time carioca a manter a hegemonia construída no Brasil nos últimos dois anos. Thiago Maia voltando de lesão também será um acréscimo importante, mas a distância entre as peças de reposição nas quatro posições mais ofensivas, com exceção de Pedro, é muito grande, e o time vai sentir mais que o normal quando Gabigol, Bruno Henrique, Everton Ribeiro e Arrascaeta não puderem jogar.

O Palmeiras foi superior na maior parte dos 90 minutos, mas o domínio na 2ª etapa acabou sendo evidente após as entradas de Danilo, Gabriel Menino e Gabriel Veron. Três jovens da base alviverde, com pouco tempo entre os profissionais, mas num nível mais alto que as opções disponíveis no banco de Rogério Ceni.

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Diego Alves defende pênalti, durante a Supercopa do Brasil, entre Flamengo e Palmeiras
Imagem: Buda Mendes/Getty Images

Na decisão por pênaltis, mesmo com a vitória do Flamengo em grande atuação de Diego Alves, a qualidade dos cobradores nos dois lados também pendia para um favoritismo do Palmeiras, principalmente após as saídas de Gerson e Bruno Henrique, notadamente melhores batedores que Pepê e Michael, mesmo com o último tendo convertido a sua batida.

Logicamente o comportamento do Verdão não se deve só ao desequilíbrio do elenco rubro-negro. Conseguiu abrir o placar cedo em um cenário que se repetiria ao longo do jogo. ''Segunda bola'' ganha no meio-campo e aceleração para aproveitar os espaços deixados pela retaguarda carioca. Foi muito eficaz em contra-ataques, mas não possui atacantes tão decisivos quanto os titulares do Flamengo.

Atlético Mineiro, Grêmio e São Paulo são outras equipes que, no papel, se postulam a conquistar algo grande e dividir atenções com Flamengo e Palmeiras. Até em alguns setores dos planteis destes clubes é possível ver mais equilíbrio do que no elenco rubro-negro.

Mesmo com a arrecadação mais baixa que o normal e a necessidade de negociar jogadores, o Flamengo precisa diminuir a distância entre titulares e reservas se quiser sofrer menos com o caótico calendário de 2021. Ser criativo e criterioso no mercado também é uma necessidade aos mais ricos. Um meia ofensivo de bom nível e um ponta mais confiável são extremamente necessários.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL