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Paulo Anshowinhas

REPORTAGEM

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Pâmela e Rayssa fecham temporada com o duelo mais esperado do ano no street

Pâmela Rosa e Rayssa Leal - Júlio Detefon/CBSK
Pâmela Rosa e Rayssa Leal Imagem: Júlio Detefon/CBSK
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Paulo Anshowinhas

Paulo Anshowinhas é skatista pioneiro, jornalista, radialista e comunicador. Foi juiz do Mundial de skate da Alemanha, chefe da delegação no Mundial do Canadá, comentarista do X Games e fundador da revista Yeah! Skate is my life.

Colunista do UOL

03/12/2021 04h00

De um lado a atual bicampeã mundial da Street League Pâmela Rosa, 22 anos, de São José dos Campos (SP), do outro a medalhista olímpica de prata Rayssa Leal, a Fadinha, de 13 anos, de Imperatriz do Maranhão.

Skatistas de street, ambas têm pela frente, neste final de semana, na Praça Duó, no Rio de Janeiro, a última competição do ano em que disputam o lugar mais alto do pódio no Oi STU Open 2021, campeonato de street skate válido pelo ranking brasileiro da CBSK.

Pâmela, que não foi para a final das Olimpíadas no Japão este ano, abriu espaço para Rayssa brilhar com seus Smith grinds, feeble grinds, dançinhas e ainda levar a prata que lhe valeu mais que o ouro olímpico.

Com seu carisma único e história digna de conto de fadas, conquistou o carinho do público e de seguidores no Instagram que dispararam em número e atingiram mais de 6 milhões em poucos dias. Atualmente, está com 6,8 milhões de seguidores, bem perto dos 7,1 milhões do ídolo maior do skate, Tony Hawk.

Rayssa se transformou em um fenômeno esportivo pela conquista com idade tão baixa, a competidora mais jovem da história do Brasil a ganhar uma medalha olímpica, e um fenômeno de marketing ao conseguir em poucas semanas mais de uma dezena de grandes patrocinadores e outra dezena de ações publicitárias contínuas com marcas de renome internacional.

Vale lembrar que ainda levou para casa o Prêmio Visa Award, por melhores valores olímpicos e optou por doar a premiação de US$ 50 mil (cerca de R$ 283 mil) para a ONG Social Skate, de Sandro Testinha e Leila Vieira.

Pâmela, por sua vez, fez tratamento de uma lesão que a tirou da final das Olimpíadas, voltou recuperada às pistas. Com total vitalidade, venceu a própria Rayssa na esperada final da Tríplice Coroa da Street League, foi convidada para correr com os meninos no Tampa Pro, e pouco tempo depois venceu com facilidade ainda maior os Jogos Pan-Americanos Júnior de Cali, na Colômbia. Ela se tornou a primeira mulher a vencer a prova na modalidade street skate na competição, e vem disposta a vencer tudo.

Pâmela e Rayssa revezam posto de número um do mundo

A disputa continua forte no quesito internacional, quando pegamos como referência dados do site The Boardr, que aponta Rayssa Leal como primeira colocada no ranking geral de street com 7.350 pontos e US$ 80.000 (cerca de R$ 453 mil) em prêmios na temporada internacional.

Deixou para trás os americanos Jagger Eaton (medalha de bronze nas Olimpíadas) com 6.440 pontos e US$ 41 mil (algo em torno de R$ 232 mil) e a lenda americana Nyjah Huston que apesar de ter embolsando mais que Rayssa na temporada (US$ 93 mil —aproximadamente R$ 527 mil), obteve pontuação menor —6.070 pontos.

Atual medalhista de ouro olímpica, a japonesa Momiji Nishya vem na sequência com "apenas" US$ 33 mil (cerca de R$ 187 mil em média) e 5.830 pontos.

Pâmela vem na oitava posição com 4.680 pontos e US$ 60 mil (cerca de R$ 340 mil) nesse painel.

Ao mesmo tempo, no Ranking Olímpico Feminino de Street também da The Boardr, mesmo tendo ficado fora da final do Japão, Pâmela está em primeiro lugar por suas atuações em Londres (1º), Dew Tour (1º), SLS LA (2º) e Dew Tour final (1º) com um total de 280.960 pontos e uma campanha constante.

Logo atrás vem sua compatriota Rayssa Leal, com 235.200 pontos, por ter ficado em 3º em Londres, 10º na Dew Tour da California, 1º no SLS Los Angeles e 2º no Dew Tour Des Moines, em Iowa.

Já no ranking de skatistas por país, o Brasil aparece em quinto lugar, com os Estados Unidos em primeiro, com 17.381 participantes, a Austrália em segundo, com 1.561, o México em terceiro, com 1.163, o Canadá em quarto, com 635, e o Brasil, com 609 skatistas, sendo que no masculino o número 1 é Pedro Barros, e a primeira da lista feminina é a própria Pâmela Rosa por seus excelentes resultados.

Agora no Rio, a disputa na pista vai apontar quem se sai melhor sob pressão mais uma vez.

Mas Rayssa não para, e já está entre as indicadas ao Prêmio STU Awards de Influencer do Ano, e na terça-feira, estará concorrendo ao Prêmio Brasil Olímpico, considerado o Oscar do esporte brasileiro e com grandes chances de levar a taça para casa na categoria Inspire.

Em votação popular, que continua aberta, Rayssa estava em primeiro no resultado parcial com 56,15% dos votos, bem à frente da segunda colocada, a ginasta Rebeca Andrade, que até o momento desta publicação estava com 27,47%. O resultado final será conhecido na terça-feira, dia 07 de dezembro, às 20h.