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OPINIÃO

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Por que o sonho de luta Do Bronx x McGregor está mais longe do que parece

Charles do Bronx bate Justin Gaethje no UFC 274 - Getty Images
Charles do Bronx bate Justin Gaethje no UFC 274 Imagem: Getty Images
Diego Ribas

Jornalista que cobre MMA há mais de uma década, sócio da Ag Fight e fã de esportes de combate. Morando em Las Vegas desde 2014, segue de perto os bastidores do UFC.

Colunista do UOL

09/05/2022 04h00

Assim que venceu a luta principal do UFC 274, no último sábado (7), Charles Do Bronx desafiou Conor McGregor para um combate, pedido este que foi aceito pelo irlandês minutos depois. No entanto, apesar da disposição de ambos, o confronto está mais longe de acontecer do que a troca de mensagens dá a entender.

Casar um duelo dessa magnitude demanda tempo, negociação e, principalmente, timing. Afinal, o irlandês ainda se recupera da fratura na perna sofrida em julho do ano passado, enquanto Charles acaba de perder o título por não ter batido o peso da categoria dos pesos-leves (70 kg).

Ou seja, ao mesmo tempo em que McGregor aponta para a divisão dos meio-médios (77 kg) como o cenário ideal para o seu retorno após a pausa forçada e o aumento de peso, o brasileiro já está confirmado para a disputa que definirá o dono do cinturão que permanece vago desde sexta-feira passada. Falta agora o nome do seu adversário.

Caso Conor faça sua próxima apresentação na categoria de cima, é difícil imaginar que Charles, apontado até por Dana White como "o cara" dos leves, se apresentaria nos meio-médios, deixando em aberto uma das vagas para o title shot--segurar a categoria sem um campeão até 2023 seria ainda mais improvável.

Por isso, alguns sinais apresentados nas últimas horas me ajudam a analisar o cenário. Na coletiva de imprensa após o show, Dana White, presidente do UFC, acenou positivamente para o desafio feito a Conor por Michael Chandler e revelou que o amigo Joe Rogan o aconselhou a casar uma luta entre Islam Makhachev e Charles do Bronx.

Na sequência, foi a vez de Khabib Nurmagomedov, ex-campeão do UFC e treinador de Islam, pedir publicamente pelo duelo e ainda sugerir Abu Dhabi como palco do show no card de outubro deste ano. Por si só, essa espécie de campanha online ganha força pela importância do ex-atleta, que dominou justamente essa divisão antes de se aposentar invicto.

Para complicar, o americano Nate Diaz voltou a trocar provocações com Conor nas redes sociais ao sugerir o capítulo final da trilogia entre eles para o final de julho. O rival irlandês rebateu com ironia, sua marca registrada. O duelo poderia, a exemplo dos dois confrontos realizados entre eles em 2016, ser realizado na divisão até 77 kg - cenário perfeito para o ex-campeão. É importante ressaltar que as lutas anteriores entre Conor e Diaz fazem parte da lista dos seis cards mais vendidos da história do MMA.

Portanto, este cenário parece largar na frente. Embora, claro, muita coisa ainda deve rolar nos bastidores do UFC. A bola agora está com Charles. Se a meta de seu time é mesmo um duelo com McGregor, a melhor maneira de consegui-lo será convencer os promotores do show de que a disputa pode vender mais do lutas do irlandês com Chandler ou Diaz. E é aí que o desafio começa!