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Milly Lacombe

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

O herói invisível da virada do Flu contra o Santa Fé

Yago foi o craque do Fluminense no jogo da LIbertadores - Lucas Mercon/Fluminense
Yago foi o craque do Fluminense no jogo da LIbertadores Imagem: Lucas Mercon/Fluminense
Milly Lacombe

Milly Lacombe, 53, é jornalista, roteirista e escritora. Cronista com coluna nas revistas Trip e Tpm, é autora de cinco livros, entre eles o romance O Ano em Que Morri em Nova York. Acredita em Proust, Machado, Eça, Clarice, Baldwin, Lorde e em longos cafés-da-manhã. Como Nelson Rodrigues acha que o sábado é uma ilusão e, como Camus, que o futebol ensina quase tudo sobre a vida.

Colunista do UOL

13/05/2021 12h29

Em tempos recentes passou a ser normal que uma partida fosse analisada por números: posse de bola, cruzamentos, passes certos em direção ao gol (que agora levam o bonito nome de assistências), escanteios, cruzamentos... tudo, do apito inicial ao final, pode ser matematizado.

É uma maneira de olhar para o futebol. Mas há outras, e eu tendo a me curvar em humildade abestalhada diante dos mistérios sussurrados pelo universo das coisas subjetivas e intuitivas.

É possível que uma análise numérica venha a me contradizer, mas, vendo o Fluminense em campo ontem contra o Santa Fé, fiquei com a impressão de que o melhor jogador em campo foi o volante Yago.

Fred fez um gol importante e de extrema beleza se considerarmos a frieza com que recebeu a bola, colou ela em seu pé direito e, em segundos, meteu no canto do goleiro. Se Fred não tivesse empatado o jogo naquele momento, o Fluminense talvez tivesse perdido porque o Santa Fé era melhor e poderia ampliar o 1 a 0.

Mas a inteligência de Fred dentro da área adversária é comovente. Ele se coloca de forma sublime, tem técnica invejável para não se desgrudar da bola nem por centímetros, a ponto de um zagueiro meter o bico da chuteira e interromper seu raciocínio fatal, e sabe sempre em que canto chutar. O corpo tem uma inteligência só dele e é preciso muita erudição física para lidar com o jogo do jeito que Fred lida.

Caio Paulista entrou e fez o gol da virada, um golaço com lançamento de Cazares, outro que entrou para definir a partida. Substituições precisas de Roger que levaram o time à virada.

Esses quatro personagens poderiam ser os protagonistas da vitória do Flu ontem.

Mas para mim o nome do jogo foi Yago. Correu como um alucinado, marcou, desarmou, armou, chutou a gol, esteve bem quando o time estava mal, esteve acordado quando o time estava dormindo.

Como futebol é jogo de equipe não saberemos medir em cálculos precisos a eficiência de Yago para a virada do Fluminense. Mas, para quem estava atento e atenta aos mistérios de uma partida de futebol como eu estava, ele foi o cara.

Errata: o texto foi atualizado
Diferentemente do que foi escrito na primeira versão do texto, o volante do Fluminense que jogou foi Yago, não Yuri. E o autor do segundo gol do Flu foi Caio Paulista, não Lucas. Os erros foram corrigidos.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL